O desenvolvimento social e econômico de uma cidade, estado ou país é resultado de um longo processo. Quer seja na questão tecnológica, em pesquisas científicas ou na quebra de barreiras. Hoje é fácil encontrar mulheres trabalhando ou se graduando em profissões que antes eram só para homens. Estamos rodeados destas mulheres, dispostas a quebrar preconceito e dar um toque feminino no setor agropecuário.
A engenheira agrônoma Sandra Gnoatto é um dos exemplos. A opção vem da família ser da área. Formada há 10 anos pela Universidade Federal de Pelotas, atualmente trabalha na Prefeitura de Porto Barreiro. Hoje o agricultor não tem preconceito, mas no começo não foi fácil. Quando visitava algumas propriedades os agricultores vinham até nós sempre com a pergunta: cadê o técnico? Explicava que era eu a extensionista, relembra. Em seu currículo consta ainda Mestrado em Gestão Ambiental, perita do Banco do Brasil e professora universitária.
Já para a médica veterinária Amabile Trento, a opção veio de modo diferente. Tudo começou quando ela foi cursar o Ensino Médio em um colégio agrícola na cidade de Castro/PR. Despertou o desejo de seguir em frente neste campo e optei por Medicina Veterinária que cursei na Unicentro, concluído em 2008, conta.
O curso de Veterinária não enfoca apenas cuidar de animais, como muitos assim pensam. Ele propicia trabalhar em outras áreas como saúde pública na parte de fiscalização de frigorífico, indústria de alimentos e zoonoses, pesquisas científicas e licenciatura.
A coordenado do curso de Agronomia com ênfase em Ecologia da Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS) Prof.ª Dra. Josemeire Landini, também é um exemplo. Dentro da UFFS ela e outra professora respondem pela coordenação do curso de Agronomia. Nos demais campi, o cargo é ocupado por homens. O campo é feminino, pois sempre há uma agricultora nas propriedades rurais, ressalta.
FUTURO PROFISSIONAL E PRECONCEITOS
Apesar das conquistas, em sala de aula elas ainda são minoria: são 13 alunas e 37 alunos. Para as acadêmicas da primeira turma do curso de Agronomia da UFFS em Laranjeiras do Sul, a opção profissional tem várias justificativas. Rosane Levandoski sempre gostou da área. Meu pai tem uma propriedade. Observei a questão do solo e relevo montanhoso, dá para trabalhar em várias áreas da Agronomia. Não precisamos de grandes extensões de terra. Podemos sobreviver de outras culturas como flores e ervas medicinais em pequenos espaços, comenta.
A questão de crescer no meio agroindustrial é a justificativa de Ana Paula Neves. Tenho influência do pai que trabalha com meio ambiente, menciona. Carla Cucolato tem história semelhante. Me criei no meio rural. Estudei Pedagogia, mas Agronomia é uma realização pessoal. Quando me formar quero ir para a roça, frisa.
Questionadas sobre o preconceito que algumas já tiveram pela escolha ou terão quando formadas elas respondem: competência e respeito você demostra na profissão, diz Marli Dalmolin. Sou a primeira mulher a me formar na família. E muitos se assustam com a minha opção profissional, completa Jakeline Vaz. Já Luciene Cristina Gabin finaliza: ouvi a seguinte frase: isso não é coisa de mulher.
Apesar de estarem apenas no segundo semestre, elas demonstram conhecer a realidade que as espera. A grande maioria possui na família a base motivacional e exemplar para seguir na profissão, quebrando preconceitos e seguindo em frente.
O preconceito também foi vivido pela veterinária Amabile Trento, logo que assumiu no departamento de Vigilância Sanitária, na secretaria de Saúde de Laranjeiras do Sul. Em campo o preconceito é maior. Chegamos na propriedade e principalmente os mais antigos olham com desconfiança. A mulher veterinária no campo ainda encontra dificuldade, mas estamos conquistando espaço, comemora.



