Ontem (07) foi o Dia da Bondade em cinco cidades paranaenses. A iniciativa, uma parceria entre a rede Super Muffato e a TV Tarobá, que existe desde 1987, não engloba a região. O assunto, entretanto, diz respeito a todos os cidadãos e existem vários em Laranjeiras do Sul e municípios vizinhos que pregam a bondade e dão exemplos dela cotidianamente. Entre eles, estão os trabalhadores voluntários.
Este não precisa ser, necessariamente, um trabalho programado e constante. O voluntário pode realizar ações esporádicas, como doações ou atitudes exclusivas em determinadas épocas do ano.
No Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Laranjeiras do Sul, está um desses exemplos. A voluntária Ivanir Scarpari ministra há mais de um ano aulas de artesanato e artes. Ela conta que, por sempre realizar atividades manuais, foi convidada para dar um curso na oficina terapêutica e não parou mais. Duas vezes na semana ela dedica seu tempo a 12 pacientes do centro. Sinto uma melhora muito grande neles. É nítido que depois de algum tempo eles ficam mais alegres e dispostos, revelou. Ela sente-se muito satisfeita e grata pela oportunidade de ajudá-los. Faz bem para mim e para eles, finalizou.
Na semana passada, os Universitários Associados do Dinão (UAD) fizeram doação de cobertores para os internos da Casa de Repouso São Francisco Xavier, também de Laranjeiras do Sul. Segundo a presidente da UAD, Lucimar Herdt, a satisfação foi ainda maior para eles, que se organizaram voluntariamente para fazer a doação. Eu tava esperando o ônibus e um homem veio elogiar a nossa atitude, disse que se todos fossem assim, o mundo seria melhor. O sentimento de quando saímos de lá só pode ser definido como de alma lavada, contou.
A coordenadora da Pastoral da Criança da Paróquia Bom Jesus, em Guarapuava, Adélia Luczinski, realiza trabalhos de prevenção e educação com gestantes e faz o acompanhamento de crianças de zero a seis anos. Ela não recebe nenhum pagamento por isso. E ilusória essa ideia de que a gente não recebe nada, porque depois que começamos, percebemos que ganhamos muito mais do que damos, contou. A voluntária contou que iniciou nestes trabalhos pensando em ajudar ao próximo, porém, logo notou que era ela quem mais recebia benefícios. A gente sofre uma transformação, é muito gratificante. Se ocorre a promoção de uma pessoa, já ficamos muito satisfeitos, nosso trabalho já valeu a pena, porque todas as vidas são importantes, relata.
Além destas pessoas, existem entidades que de tempos em tempos realizam ações sociais sem fins lucrativos. Pode-se citar os Rotarys Clubes, grupos escoteiros, Lions, as igrejas, lojas Maçonicas, Associações de Senhoras de Rotarianos, grupos de universitários, empresas, entre várias outras. As diretorias de entidades como a Apae e o S.O.S. de Laranjeiras do Sul são, também, formadas por trabalhadores voluntários que encontram em meio as atividades de suas profissões, tempo para dedicar àqueles que mais precisam de atenção.
Voluntariado
Não se pode dizer que o trabalho voluntário é uma novidade. Porém, atualmente existem muitos incentivos e facilidades para quem desejar auxiliar o próximo.
A Organização das Nações Unidas (ONU) define como voluntário o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem estar social, ou outros campos.
Já a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança classifica o voluntário como um agente de transformação social, que presta serviços em prol da comunidade, atendendo às necessidades do próximo. Para muitos, ser voluntário é uma manifestação de amor, compaixão e solidariedade.
Como ser um bom voluntário
Para fazer um trabalho voluntário é muito simples. Até mesmo as pequenas ações com os vizinhos, amigos e pessoas na rua podem representar a bondade emitida em um voluntariado.
Além disso, qualquer repasse de conhecimento é válido. Existem, por exemplo, pessoas que leem para um grupo de crianças para incentivar o interesse pela leitura e a criatividade. Outros voluntários simplesmente realizam visitas à casas de idosos para conversar e ouvir o que eles têm a contar. São pequenas ações para quem faz que podem significar muito para quem recebe. O pequeno fato de auxiliar alguém a atravessar a rua ou carregar as compras é uma ação voluntária, e melhor, nem se quer ocupa tempo.
Segundo a página virtual www.voluntarios.com.br o ideal é que seja feita uma pequena pesquisa e uma proposta de trabalho, caso a entidade escolhida não tenha alguma tarefa pré definida. Podem ser iniciativas como pintar uma casa ou instituição ou ajudar na organização de um evento.
Porém, o site, que é um banco de voluntários cadastrados, faz um alerta. Seja humilde. O fato de você estar ajudando os outros não significa que você será paparicado, que não tenha que prestar contas, ou que seu trabalho não possa ser criticado. O resultado, de acordo com os entrevistados, tende a trazer muito mais orgulho e satisfação que problemas.



