Alimentos até 9% mais baratos

Alimentação 9% mais barata, é o que dizem os especialistas sobre o corte nos impostos de alguns produtos da cesta básica. 
Serão zerados, a partir do próximo dia 30, o PIS/Pasep-Cofins e o IPI de 16 itens: carnes (bovina, suína, aves e peixes), arroz, feijão, ovo, leite integral, café, açúcar, farinhas, pão, óleo, manteiga, frutas, legumes, sabonete, papel higiênico e pasta de dentes.
De imediato, espera-se uma redução de 3 a 6% nos supermercados, segundo previsão da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O presidente da associação, Fernando Yamada, afirmou que a redução não depende apenas da boa vontade dos supermercados, mas da indústria.
Mesmo figurando como redução para o consumidor, é importante ressaltar que esta desoneração deixará de arrecadar bilhões em impostos.
Em entrevista concedida a este Diário, o economista Anderson Luiz de Oliveira destacou a isenção como movimentação política. Na realidade essa isenção de impostos tem dois objetivos. O primeiro deles é eleitoreiro, a partir deste mês teremos uma série de ações de manipulação em nível governamental para popularizar a presidente com finalidade da reeleição. Outro objetivo é reduzir, ou deixar de aumentar a inflação, destacou.
Para Anderson, a partir deste momento serão usadas ferramentas governamentais par impedir o aumento de preços, estabilizando assim a inflação. O consumidor vai sentir a redução, pois a maior parte de sua renda é gasta com alimentos. Porém perderão em outros preços que estão aumentando, destaca.
Nas prateleiras
Dentro dos mercados a realidade pode ser um pouco diferente. Apesar da isenção dos impostos, não há garantias de que as indústrias ou fornecedores baixem os preços. Além disso, os descontos ainda devem demorar um pouco para aparecerem.
A proprietária do supermercado Cascatinha, Elines de Col Veronese, disse que o reajuste não será de imediato, pois depende dos fornecedores. Em produtos perecíveis, que recebemos com grande frequência, a mudança deve vir mais rápido, mesmo assim as frutas e verduras deverão ser mais baratas dentro de suas épocas, disse. Elines comentou também que, nesta semana, o mercado já recebeu uma arremessa de papel higiênico com desconto.
Em casa
Acompanhando a queda no preço dos alimentos, chega o aumento, de até 5,85%, para medicamentos. A partir do dia 31 de março os fabricantes poderão reajustar os valores de acordo com a participação de genéricos.
Uma das classes que mais consome medicamentos é a terceira idade, que deverá sentir menor folga no bolso. O economista Anderson disse que mesmo com o reajuste a classe não sentirá muito. A maioria dos medicamentos de diabetes e hipertensão são oferecidos nos postos de saúde ou programas de farmácia popular. Apenas medicamentos específicos serão sentidos com os aumentos, ressaltou.
O aposentado Emilio Benderovicz, de 70 anos, gasta cerca de R$ 100 em medicamentos durante o mês, com o reajuste passará a gastar apenas R$ 5 a mais. Eu tomo vários medicamentos, mas pego a maioria na farmácia do posto de saúde, por isso não gasto muito, ressaltou.
Na casa de Emilio, ele, a esposa e duas filhas gastam cerca de R$ 700 em alimentação durante o mês. Com o reajuste espera-se que a economia seja de cerca de R$ 65.