Caindo aos pedaços, mas cheia de história

Dona Silvia pode não ser muito conhecida pelo nome, mas a casa onde mora é uma das mais antigas e comentadas de Laranjeiras do Sul. Localizada na esquina entre as ruas Duque de Caxias e Ezidio Bozza, em frente à praça do Cristo Rei, a moradia sofre com a ação do tempo e do vandalismo.
Residindo há 24 anos no local, Silvia Gabryella Martins, de 77 anos, contou que a casa pertencia ao sogro, Tenente Eugênio Martins, e foi construída no tempo do Território Nacional do Iguaçu. São 105 anos de história, desde a construção, que contemplam a vida do militar e seus descendentes.
História de vida
Silvia casou-se com um dos filhos do Tenente Eugênio e morou com ele em uma fazenda durante muitos anos. Depois de algum tempo venderam a chácara e mudaram-se para a cidade. Quando o cunhado mudou-se para Laranjeiras, Silvia ficou cuidando da casa e permaneceu lá desde então, mesmo depois que o esposo e os donos da casa haviam falecido.
Agora, já com 77 anos de idade, ela mora sozinha no local, mesmo com algumas dificuldades, como problemas de saúde e a diária preocupação que passa, com invasões e arrombamentos. Ela contou que já roubaram dinheiro e outros pertences. Hoje, ela se protege como pode, vivendo com apenas uma porta aberta e poucas janelas. Quase todo os lugares que podiam representar fácil acesso a marginais tiveram de ser fechados com pregos e tábuas.
Além da ajuda dos vizinhos, a irmã dela faz o que pode para garantir sua segurança.
Usucapião
Silvia luta pelo direito por usucapião, que se dá a partir do momento em que uma pessoa ocupa contínua e incontestadamente uma área por no mínimo cinco anos, resultando na apropriação legal do local em questão. Além disso, não se pode ter outro imóvel urbano. Silvia preenche todos os requisitos e também vem efetuando o pagamento dos impostos do imóvel.
O pedido do usucapião foi feito há quase três anos, mas ainda não deu resultados. Em setembro de 2012, a secretaria de Assistência Social e Segurança da Família realizou um estudo social no local, constatando as condições precárias em que a casa se encontra e servindo como instrumento para agilizar o processo do usucapião.
Neste estudo social foi constatado que se Silvia fosse removida do local, perderia todos os direitos que possui sobre o longo tempo em que passou não apenas morando, mas fazendo reparos, melhorias e manutenção da casa. Ao mesmo tempo, não se pode demolir a morada e fazer outra, pois ainda não foi determinado legalmente que Silvia é dona do local.
A única solução encontrada por ela e a família é permanecer no local até que a justiça determine o que deve ser feito, mesmo com o risco constante pelo qual passa.
Casa
A casa é perigosa a olhos vistos, o assoalho, por exemplo, é todo irregular e com tábuas soltas. As paredes estão se deteriorando com a umidade, já que diversos vidros estão quebrados e a água da chuva entra livremente.
Silvia dorme em um dos poucos cômodos que não molham com a chuva e disse que é comum ouvir pessoas batendo na parede para amedrontá-la.
Ameaças
Recentemente ela sofreu ameaças de dois homens, alertando-a que devia sair da casa ou sofreria consequências. Ela registrou um Boletim de Ocorrências, mas não está segura. As ameaças são originadas pela disputa do terreno e esta não foi a primeira vez.