Candidato a governador pela coligação Novo Paraná, que reúne 14 partidos, Beto Richa respondeu a perguntas enviadas pela Associação dos Jornais Diários do Interior do Paraná (ADI-PR). Com a campanha entrando na reta final, o jogo ainda está aberto. A diferença entre os dois principais candidatos caiu para nove pontos, segundo a terceira pesquisa Ibope/RPC, divulgada na semana passada. Beto apareceu com 47% e o pedetista Osmar Dias com 38%. Na pesquisa anterior, a diferença era de 16 pontos.
Quais seus projetos para a região de Laranjeiras do Sul?
O Índice de Desenvolvimento Humano de Laranjeiras do Sul, de 0,753 (ano 2000), é inferior à média nacional e à do Paraná. Um terço dos municípios paranaenses está nesta condição. É nestes municípios que o Estado precisa concentrar maiores investimentos em educação, saúde, saneamento e habitação. E é neles que precisamos priorizar as políticas de desenvolvimento econômico capazes de gerar emprego e renda. O perfil geográfico de Laranjeiras do Sul, aponta a necessidade de novos investimentos em suas estradas rurais, com o duplo objetivo de melhorar o escoamento da safra e o acesso às escolas mais distantes. Nosso plano de governo, nas áreas de educação e transporte, prevê a melhoria do transporte escolar, em parceria com as prefeituras, e a adequação e ampliação da malha rodoviária secundária. Ainda na educação, a ampliação do acesso às universidades estaduais é vital como forma de fixar as populações mais jovens em suas cidades de origem, como também é importante aumentar a taxa de alfabetização de adultos (87.96%, de acordo com o Ipardes). A criação do programa Mãe Paranaense – nos moldes do Mãe Curitibana, mas respeitadas as características locais de cada município – viabilizará a redução do índice de mortalidade infantil (16,99).
O senhor é a favor da construção do Aeroporto Regional do Oeste? Quais são seus planos para viabilizar esta obra, que depende da integração de esforços com Governo Federal, Aeronáutica e outros setores?
Sou favorável à construção do Aeroporto Regional do Oeste e entendo que o governador deve articular as forças políticas do Estado junto ao governo federal para viabilizar os recursos necessários. O Paraná não dispõe, ainda, de um Plano Aeroviário Estadual, que o habilitaria a obter recursos junto ao Ministério da Defesa, dentro do Programa Federal de Auxílio aos Aeroportos. Nosso programa de governo propõe a criação do Plano Estadual de Transportes e Logística, de caráter multimodal, no qual se insere o Plano Aeroviário. É urgente a necessidade de retomada de investimentos em planejamento integrado e em projetos de engenharia estruturantes no Paraná. Nossa proposta como um todo contempla o Aeroporto Regional do Oeste.
O Paraná inteiro se ressente da falta de uma política adequada na área de segurança pública. Faltam equipamentos em armas, viaturas, treinamento do pessoal. E falta, de forma muito forte, um maior efetivo. Como equacionar este problema?
A prioridade número um de nosso plano de governo na área de segurança é a ampliação e a readequação da Polícia Militar, assim como a maior valorização e qualificação de seus efetivos. Esta perspectiva também se estende à Polícia Civil, onde nos propomos a investir forte em capacitação e equipamentos para ações de inteligência. Como já enfatizei anteriormente, é essencial reestruturar o efetivo da PM. Fizemos isso com a Guarda Municipal de Curitiba, contratando 700 novos guardas por concurso público, com resultados relevantes no combate à criminalidade.
A duplicação Ponta Grossa – Guarapuava e Castro – Jaguariaíva está há muito tempo congestionada junto às praças de pedágio, sem qualquer resultado prático. O senhor pretende assumir uma postura mais enfática junto a essas empresas, para que as necessidades dos trechos regionais sejam atendidas?
Houve muito alarde e muitas ameaças inócuas em torno do pedágio, mas nenhuma solução. Disseram que baixava ou acabava, não aconteceu nem uma coisa nem outra. Ao contrário, até criaram mais um novo trecho pedagiado no Sul do Estado. O problema do pedágio exige um encaminhamento técnico, não pode mais ser politizado. É preciso chamar as concessionárias para discutir efetivamente não apenas a questão das tarifas, que são altas, mas também as obras previstas nos contratos, como a duplicação Ponta Grossa-Guarapuava e a Castro-Jaguariaíva. Um novo governo, com disposição para o diálogo, terá legitimidade para conduzir um entendimento que compatibilize tarifas razoáveis com boas estradas. Acredito que não seja do interesse das concessionárias comprometer a produtividade das empresas paranaenses, que tem sido onerada com as tarifas atuais. E não passa pela cabeça de alguém voltar à situação antiga, deixando as rodovias federais sem conservação. Ninguém quer retrocesso.
Quais as perspectivas de se criar um curso de Medicina no Sudoeste, se o senhor for o próximo governador do Paraná?
Estive recentemente em Francisco Beltrão, e entendo que essa reivindicação é importante para que o Hospital Regional de Beltrão amplie e melhore seu atendimento, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de toda a região. Assim como o Sudoeste, várias outras regiões do Estado reivindicam a criação de cursos de medicina na estrutura das universidades estaduais. É um pleito legítimo, que precisa ser analisado conforme critérios sociais, demográficos e econômicos. A criação de determinados cursos superiores, sobretudo nas áreas tecnológica e biológica, já mostrou seu potencial para o desenvolvimento de regiões inteiras antes fadadas à estagnação. Mas também é fato que o governo federal precisa ajudar o Estado a financiar as universidades estaduais, pois comparativamente o Paraná tem muito menos universidades federais que muitos Estados da União.
No que diz respeito à infraestrutura de transportes, qual seu plano de governo para fazer a Ferroeste retomar sua proposta original, de dar vazão ao escoamento da produção agrícola?
Nosso programa de governo prevê a elaboração do Plano Estadual de Transportes e Logística – o último plano desta natureza foi feito em 1951, no governo de Bento Munhoz da Rocha. O capítulo dirigido ao transporte ferroviário identificará os gargalos e as necessidades de expansão da malha ferroviária do Estado. Seus objetivos serão fixados de acordo com critérios técnicos e as demandas. E uma delas, de importância crucial, é a ligação entre o Rio e o porto de Paranaguá. Para tanto, as ligações Guaíra-Cascavel e Guaíra-Cianorte se destacam como prioridade do futuro governo. Também identificamos o gargalo representado pela ferrovia entre Guarapuava e Ponta Grossa, com seu traçado antigo e sinuoso, que retarda o tráfego das grandes composições. O novo governo deverá atuar no sentido de viabilizar um novo traçado, e uma das alternativas é a recomposição do traçado já existente. A Ferroeste será ator importante neste desafio, retomando seu propósito original de garantir o escoamento da produção agrícola e cumprindo sua função social como agente de desenvolvimento do Estado.
A Região Oeste tem gargalos preocupantes na área de logística. O senhor manterá o mesmo discurso dos governadores até hoje ou efetivamente irá desenvolver projetos que não saíram do papel pela absoluta falta de vontade política?
Fui eleito prefeito de Curitiba com um programa de governo registrado em cartório. Todos os compromissos que assumi foram cumpridos, exceto nas situações em que houve recomposição das prioridades administrativas. Acredito que os índices de aprovação à minha gestão (acima de 80%) atestam o cumprimento das propostas previstas. Não haveria porque ser diferente agora: estamos consultando a população, em todo o Estado, para elaborar um plano de governo que será registrado em cartório. As diretrizes fundamentais do programa já foram entregues ao TRE, quando do registro de minha candidatura.
Não só o Oeste, mas quase todo o Paraná, de Foz do Iguaçu a Paranaguá, tem hoje problemas de logística e infraestrutura de transporte. Gargalos que sufocam o crescimento econômico e comprometem nossa competitividade. As empresas e os trabalhadores paranaenses aumentaram sua produtividade ao longo dos últimos anos, mas as deficiências nas operações de logística e infraestrutura reduzem este ganho. Nossa infraestrutura de transporte precisa ser inteiramente repensada. Mas não apenas para corrigir os gargalos atuais, e sim como parte de um novo plano de desenvolvimento social e econômico que integre todas as regiões do Estado. A Copel terá um importante papel neste programa, como empresa pública de caráter estratégico para o nosso desenvolvimento.
Sua maior força política está na Região Metropolitana de Curitiba. O que conhece do interior do Paraná para saber suas reais necessidades?
Já visitei cerca de 200 municípios do Estado para recolher sugestões ao nosso programa de governo, cujas propostas se combinam de forma integrada e articulada ao Paraná como um todo, sem discriminar capital ou interior. Mas meu conhecimento do interior paranaense vem de muitos anos. Sou nascido e criado em Londrina, onde vivi até a adolescência. Tenho orgulho das minhas origens de pé-vermelho e, sempre que possível, vou à região visitar amigos e conhecidos. Quando exerci as funções de deputado, em dois mandatos, representei dezenas de municípios, com cujos cidadãos e lideranças mantive contato permanente. De forma geral, procuro saber das aspirações e das necessidades do Estado e da população. E tenho a humildade necessária para ouvir as pessoas, aprender com elas e saber como fazer. Por último, mas não menos importante, temos uma equipe de colaboradores, entre eles engenheiros, economistas, sociólogos, professores, médicos, arquitetos, biólogos e muitos outros profissionais, que nos prestam inestimável apoio na consolidação do plano de governo, paralelamente às sugestões que temos recebido de entidades de classe, sindicatos, ONGs, universidades e outras instituições que pensam o futuro do Paraná e a solução de seus problemas mais urgentes. Quem mais entende de uma cidade é quem vive nela. E é essa opinião que precisa ser ouvida pra definir as prioridades do Estado.



