Saúde

Combate à Dengue: a tarefa de cidadania não está sendo feita

De uma semana para a outra, o Paraná teve um acréscimo de 20,8 % no número de casos de dengue. A população laranjeirense, de acordo com agentes da Saúde, não estão fazendo o papel de cidadania no caso, que é cuidar para que o mosquito não se prolifere
Funcionário da secretaria de Saúde em operação de combate à dengue (Foto: Juliam Nazaré)

Problema velho e que segue dando dores de cabela à sociedade. Os casos de dengue estão preocupando as autoridades da Saúde estadual e também em Laranjeiras do Sul. A nível de Paraná, foram confirmados 530 novos casos de dengue, em boletim divulado na terça-feira (9). O balanço apresenta um acréscimo de 20,8 % no número apresentado na semana passada.

Uma pessoa morreu em Cascavel vítima da doença. Com isso, o estado chega a três portes causadas pela doença só nesse primeiro quadrimestre. Os outros dois casos foram registrados em Londrina.
Em Laranjeiras do Sul a situação é bastante preocupante.Neste quadrimestre, foram seis notificações, sendo dois deles estão sendo encaminhados. Apesar de não ter casos de morte, os profissionais da secretaria de Saúde estão bastante preocupados, pois a população tem deixado à desejar nos devidos cuidados em suas respectivas propriedades.

A cidadania deixada de lado

A tarefa básica de um bom cidadão, como não deixar água parada, visando impedir a proliferação do mosquito Aedes aegypt – o mesmo transmissor da Zika e Chikungunya –, não está sendo realizada por alguns moradores. O alerta está ligado.

“É início de inverno e estamos encontrando focos em pratinhos, pneus, em piscinas – onde está havendo bastante descuido. Pedimos para que as pessoas colaborem e verifiquem bem. Às vezes pensamos que a higiene está dentro de casa, mas em volta da propriedade pode se encontradas coisas irregulares que poderão trazer transtornos à saúde das pessoas. É um número grande de focos que estamos encontrando, cada quarteirão encontramos em media cinco focos. Independente de classe e de região, rico ou pobre, centro ou bairro afastado, encontramos larvas em todo lugar” relata a agente Marinez Marcante.

Há cada 15 dias, locais estratégicos, como cemitérios, ferros-velhos, locais de acúmulos de lixos, recebem a vistoria de agentes, visto que estes apresentam risco alto de infestação do mosquito. Apesar de toda a preocupação dos profissionais, o trabalho muita das vezes tem sido dificultado pela população. Um agente relata que, em uma das casas, foi impedido de realizar a vistoria e que ainda foi alvo de violência verbal. A lei assegura a entrada dos agentes. Caso haja uma resistência por parte do morador, a Polícia pode ser acionada e deve acompanhar a vistoria.

“As pessoas são mais ignorantes com as mulheres. Já aconteceu de um senhor ‘pular’ em uma colega e a equipe toda teve de intervir. A população tem deixado a desejar. Falam pra gente intensificar as campanhas de concientização, mas acho que mais do que já fizemos...alguns estão ‘nem ai’ “, diz o agente Vinícius Peppes.

“As pessoas não entendem a gravidade de deixar um pratinho com água acumulada lá no quintal. Nesse período de ‘faz chuva, faz sol’, é propício em se tornar um foco para o mosquito. É um problema grave. Somos um município infestado, de risco, mas o trabalho está sendo feito e precisamos do apoio da população para que não tenhamos casos”, diz a enfermeira da Vigilância Epidemiológica, Patrícia Massuqueto.