Música

Decadência musical brasileira: quem é o culpado?

Infelizmente a música brasileira já não possui mais conteúdo, mensagens, poesias ou rebeldia com justa causa. A música, como pensado há milhares de anos atrás pelo grande filósofo grego Aristóteles, já não atende a seu propósito original.

Para ele, a realidade era formada pela substância e matéria em si, a qual é universal, porém, nós seres humanos temos características intrínsecas e subjetivas ao nosso ser, as quais não são universais. E seguindo essa ideia, a arte vem ao mundo como um forma de tentar exteriorizar o que nos é íntimo, ou seja, tornar universal o que não é.

Nesse sentido, as emoções humanas, bem como a admiração ao motor imóvel primordial (Deus), tendem a serem expostas as outras pessoas através de uma pintura, uma encenação teatral, uma música ou dança.

Hoje em dia temos músicas que não passam sentimento ou admiração alguma, vivemos numa época em que o ridículo é muito bem aceito. Assim vamos sendo obrigados a escutar hits como tchê tchê rere ou ai se eu te pego, sem falar nos mais vulgares tipos de funk carioca possíveis.

Muita coisa mudou e deixou saudades da época em que o Brasil tinha grandes compositores e cantores, como Renato Russo, Cazuza e Tom Jobim, sem contar as maravilhosas letras que traziam mensagens profundas, que se misturavam com tudo o que vivíamos e sentíamos.

 

Falência

Porém, é sabido que a crise cultural em torno da música não é exclusivamente brasileira. Recentemente a famosa e lendária fábrica de guitarras Gibson declarou que está a beira da falência, com uma dívida que gira em torno de 375 milhões de dólares.

Há quem diga que esse fracasso seja motivado pela tomadas de decisões erradas da empresa, ou então a perca de sua fama. Mas como explicar o fato de uma marca com produtos de excelente qualidade e mística, principalmente por ter sido tocada por gênios como John Lennon, Elvis Presley e Bob Marley, declarar falência?

Sem entrar no mérito filosófico, a culpa em parte é do mercado da música, que passou a produzir dois tipos de músicos: o comercial e o artista.

O primeiro é bom porque faz um hit que estoura nas paradas de sucesso, como o rebolation. Só que essa música, por ser um produto descartável, não será relembrada por muito tempo. Já o segundo tipo é composto por aqueles que realmente possuem talento, que são raros.

Nesse sentido, aqui entra a outra parcela dos culpados: nós, consumidores! Temos dado tanto ibope para diversas coisas sem sentido, e nem mais reconhecemos os bons artistas! E com esse tipo de cultura, os jovens não sonham mais como antigamente, serem grandes guitarristas, por exemplo, eles almejam serem funkeiros, músicos que não sabem fazer música.

Daí então se explica a tamanha dívida da famosa Gibson. Finalizando, apenas para demonstrar a evolução da música brasileira, você confere um gráfico com a média de acordes (notas dentro de uma música) durante os últimos anos.

Decadência musical brasileira: quem é o culpado?