Há petróleo na Cantu e Amocentro?

O Paraná terá cinco blocos na 10ª rodada de licitação de blocos
exploratórios para petróleo e gás natural. 22 municípios da Cantu e
Amocentro estão na área de abrangência da bacia do Paraná.
O comunicado, assinado por Haroldo Lima, diretor geral da Agência Nacional
de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), foi entregue aos
deputados federais do Paraná ainda no mês de novembro.
A rodada de licitação acontece nesta quinta (18) e sexta-feira (19) no Rio
de Janeiro. No total serão oferecidos 130 blocos localizados em oito
setores de sete bacias sedimentares: três maduras e quatro em novas
fronteiras.
Bacias de novas fronteiras (o Paraná se encaixa nesta última categoria),
são aquelas que têm potencial de hidrocarbonetos demonstrado por estudos
geofísicos mas ainda são pouco conhecidas geologicamente ou apresentam
barreiras tecnológicas a serem vencidas.
Conforme Paulo Alexandre Souza da Silva, superintendente de Promoção de
Licitações a expectativa é que sejam confirmados até seis pontos de
acumulações. Em uma expectativa conservadora, e considerando apenas um
play exploratório, esperamos encontrar pelo menos seis acumulações
similares a Barra Bonita, indicando um volume da ordem de 3 BCM, comentou
ele. Confira a entrevista que ele concedeu ao Jornal Correio, através da
jornalista Meire Bicudo.

Jornal Correio – Como será desenvolvido o estudo que está sendo licitado
no Paraná?
Paulo Alexandre Souza da Silva – Caso algum bloco seja arrematado por
algum concessionário na licitação e, o contrato assinado, o estudo
inicia-se com a fase de exploração que terá a duração máxima de seis anos.
A Fase de Exploração será dividida em dois períodos: período de
exploração, com duração de quatro anos para o primeiro período
exploratório e dois anos para o segundo período exploratório. É durante o
primeiro período exploratório que as empresas realizam estudos de geologia
e geofísica para identificar áreas favoráveis a perfuração e avaliação de
um poço.
Ao final do Primeiro Período de Exploração, o concessionário terá que
devolver à ANP a totalidade da área de cada Bloco, à exceção da (s) área
(s) retida(s) para avaliação, desenvolvimento, ou prosseguir para o
segundo período, assumindo a obrigação de se perfurar um poço
exploratório. No encerramento da fase de exploração, o concessionário
somente poderá reter a (s) área(s) de Desenvolvimento aprovada (s) pela
ANP e devolverá todas as áreas restantes.

Jornal Correio – Por que esta região foi escolhida?
Paulo Alexandre – A região foi escolhida porque apesar de ser uma Bacia de
nova fronteira ainda pouco explorada, é muito promissora pelas
características dos seus sistemas petrolíferos, comprovado pela descoberta
do campo de Barra Bonita e pelas inúmeras ocorrências de hidrocarbonetos
constatadas na bacia. Além disso, a Bacia do Paraná situa-se em um
contexto geopolítico altamente atrativo na região mais industrializada da
América do Sul e inserida no maior pólo consumidor do País.
Com relação ao potencial da Bacia do Paraná, esta possui dois sistemas
petrolíferos ativos comprovados: Ponta Grossa – Itararé/Rio Bonito e Irati
– Rio Bonito/Pirambóia; apresentam numerosos indícios de óleo em
afloramentos, várias acumulações sub-comerciais; numerosos indícios em
poços perfurados; descoberta do campo de Barra Bonita com volume de gás in
place da ordem de 500 milhões de m3. O potencial petrolífero e a boa
prospectividade da bacia também é corroborado por abundantes e
diversificados recursos não convencionais. Em uma expectativa
conservadora, e considerando apenas um play exploratório, esperamos
encontrar pelo menos seis acumulações similares a Barra Bonita, indicando
um volume da ordem de 3 BCM

Jornal Correio – Qual o impacto socioeconômicos para o Paraná, em
especial para a região a ser estudada?
Paulo Alexandre – Os impactos socioeconômicos estão relacionados
principalmente as rendas petrolíferas quanto às participações
governamentais, principalmente os royalties, que os municípios e o estado
irão receber com a produção de hidrocarbonetos, à geração de empregos; bem
como o desenvolvimento tecnológico e acadêmico por meio do desenvolvimento
de ações empresariais e de capacitação de docentes e discentes das
unidades de ensino. A descoberta de novas jazidas pode viabilizar,
independente do tamanho, projetos na área de segurança energética para a
região, permitindo a descentralização das fontes de energia da região.

Jornal Correio – Quais as etapas do estudo e seus impactos ambientais?

Paulo Alexandre – Com relação aos impactos ambientais, as principais
atividades de exploração (pesquisa) de petróleo em campo são:
*Levantamento geoquímico: consiste na coleta de pequenas amostras de solo,
que são recolhidas com trado manual e acolhidas em recipientes apropriados.
Em alguns casos é necessário abrir pequenas picadas. *Levantamento sísmico:
o levantamento inicia-se com a geração de ondas elásticas, através de
fontes artificiais, que se propagam pelo interior da Terra, onde são
refletidas e refratadas nas interfaces que separam rochas de diferentes
constituições petrofísicas, e retornam à superfície, onde são captadas por
sofisticados equipamentos de registro. É uma espécie de radiografia das
camadas do solo, que objetiva encontrar estruturas capazes de armazenar o
petróleo. O principal impacto ambiental, em aquisições terrestres, é a
abertura das picadas para o espalhamento do material. As fontes utilizadas
podem ser explosivos especiais ou caminhões vibradores. *Perfuração de
poços: após encontrar uma estrutura favorável para a acumulação de
petróleo, perfura-se o poço para confirmar a presença do reservatório. O
principal aspecto ambiental desta fase é a produção de resíduos, que devem
ter uma disposição adequada à utilização da lama de perfuração, que deve
ser armazenada em local apropriado. Equipamentos especiais são instalados
para evitar vazamentos durante a perfuração (BOP).
Na fase de Produção de petróleo, caso haja uma descoberta comercial, o
poço é completado e são instalados equipamentos para separar a água de
produção e sólidos que podem ser produzidos juntamente com o óleo/gás.
Estes efluentes devem ter um destino adequado. Também pode haver a
necessidade da instalação de queimadores na estação de tratamento.
Também há a questão do transporte do óleo/gás produzido que podem ser
através de dutos e/ou caminhões. Ressalta-se que a maioria dos acidentes
ambientais da indústria do petróleo ocorre na fase de transporte, e não
nas fases de exploração (pesquisa) e produção.

Municípios que fazem parte dos blocos de exploração:
Altamira do Paraná, Bituruna, Boa Ventura de São Roque, Campina da Lagoa,
Campina do Simão, Candói, Cantagalo, Cruz Machado, Foz do Jordão, Goioxim,
Guarapuava, Iretama, Laranjal, Laranjeiras do Sul, Luiziana, Mamborê,
Mangueirinha, Manoel Ribas, Marquinho, Mato Rico, Nova Cantu, Nova
Laranjeiras, Nova Tebas, Palmital, Pinhão, Pitanga, Porto Barreiro,
Reserva do Iguaçu, Roncador, Santa Maria do Oeste, Turvo e Virmond.