O Dia
Internacional Contra a Corrupção foi ontem (9), faz uma semana que o presidente da Câmara,
Eduardo Cunha (PMDB), autorizou a abertura do processo de impeachment da
presidente da República, Dilma Rousseff (PT).
Cunha alegou que, dos
sete pedidos de afastamento que ainda estavam aguardando análise, ele deu
andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo (um dos
fundadores do PT) e Miguel Reale Júnior.
O argumento central
que ele considerou foi o fato de Dilma ter editado decretos liberando crédito
extraordinário, em 2015, sem o aval do Congresso Nacional. De acordo com o
peemedebista, esses decretos, que não foram submetidos ao Legislativo, somam R$
12,5 bilhões. De agora em diante está novela terá muitos capítulos.
Opinião política
Buscando saber o que
os políticos da região da Cantuquiriguaçu pensam a respeito do processo, o
Correio do Povo ouviu alguns deputados estaduais.
Segundo o deputado
Artagão Junior (PMDB), como o impeachment possui amparo jurídico, referendado
pela constituição, não pode ser avaliado como um retrocesso. É importante
analisar se existe fundamentação jurídica, amparo legal, para que o impeachment
possa acontecer. Sem dúvida alguma, não se pode falar em golpe, uma vez que
essa seja uma ferramenta garantida pela constituição. Porém, também não pode
ser operacionalizada de forma que deixe dúvida se existem fundamentos ou não,
opina Artagão.
Conforme ele, como
houve uma ‘batalha’ de interesses entre Dilma e Cunha, antes da implantação do
processo, a população se questiona se existe fundamentação jurídica. Não pode
haver jogo político que seja maior que o interesse da nação. Mas sem ter acesso
ao processo e às acusações, fica difícil dizer se existe amparo legal, relata.
De acordo com o deputado, existe uma grande insatisfação popular e uma ausência
de condição de governabilidade por parte da presidência e isso acaba ‘pesando’
na decisão do processo.
Concordo com o impeachment, pois concordo com o
embasamento jurídico, desde que haja laço constitucional para o processo,
disse o deputado Guto Silva (PSC).
O deputado Nereu
Moura (PMDB), disse que prefere opinar sobre o tema, pois não vai julgar o
caso. O Correio do Povo tentou contato ainda com outros deputados, como Paulo
Litro, Bernardo Ribas Carli e Cristina Silvestri, que preferiram também não
comentar o assunto.
Comissão especial
Na sessão que definiria
a comissão especial para elaborar o parecer sobre processo, na tarde de ontem
(8), acabaram sendo apresentadas duas chapas: uma oficial e outra alternativa,
formada por parlamentares da base aliada. O objetivo da chapa alternativa é
compor um grupo com deputados do PMDB que são críticos ao governo Dilma, já que
o líder da bancada deve apresentar apenas nomes mais em sintonia com o Palácio
do Planalto.
Intitulada unindo o
Brasil, a chapa formada por partidos da oposição e dissidentes do PMDB venceu
por 272 votos a 199. A votação foi marcada por confusão.
O líder do PT na
Câmara, deputado Sibá Machado (PT-AC) afirmou que o governo tentará cancelar,
através de uma nova ação no Supremo Tribunal Federal (STF), a sessão de hoje
que elegeu a chapa.
Representantes do
Paraná
A chapa eleita conta
com dois nomes do estado: Evandro Roman (PSD) e Fernando Francischini
(Solidariedade). Outro nome paranaense citado foi o do deputado João Arruda,
que foi indicado para a chapa oficial.



