A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) tem 20 dias para aprovar parecer
técnico da organização não-governamental (ONG) Associação de Defesa do
Meio Ambiente Reimer e desta forma resolver o repasse de dinheiro para a
saúde indígena no Paraná. Caso o impasse não seja resolvido, o grupo
planeja ir à Brasília protestar.
Na quarta-feira (22) indígenas de todo o Estado manifestaram-se devido a
falta de dinheiro para compra de medicamentos e pagamento de profissionais
que atuam no setor em aldeias do Paraná. É um mal entendido da ONG com a
Funasa. Houve desconfiança dos dois lados. Agora a ONG deve apresentar as
notas e a Funasa continuará mandando o dinheiro para pagar os funcionários
e comprar os medicamentos, resumiu Geraldo Bernardo, da aldeia de Rio das
Cobras, em Nova Laranjeiras.
Em Nova Laranjeiras, o grupo fez protesto fechando a rodovia BR 277,
próximo ao trevo de Quedas do Iguaçu. Estamos sem carro no momento,
faltam medicamentos na Reserva e há dois meses os funcionários estão sem
pagamento, reclamou Sebastião Tavares.
Parecer técnico
Desde a última segunda-feira, os índios mantinham quatro funcionários da
ONG como reféns para pressionar as negociações sobre o repasse de verbas
para a saúde, estimado em R$ 1,6 milhão, atrasado desde janeiro pela não
aprovação do parecer técnico. Depois da reunião, os funcionários foram
liberados.
A decisão de aguardar 20 dias para aprovação do parecer técnico foi tomada
quarta-feira em reunião entre representantes dos índios, Funasa e Reimer,
acompanhada pelo promotor de Justiça Luiz Eduardo Bueno.
Indenização pela BR
O indigenista Rildo Mendes participou da manifestação na rodovia em Nova
Laranjeiras e entregou manifesto aos motoristas. Entre as reivindicações
listadas está a indenização pela rodovia BR 277, que cruza as terras
indígenas de Rio das Cobras, redutor de velocidade no Km 477 e implantação
de um distrito de saúde indígena do interior do Paraná. Esta é a forma que
encontramos para chamar a atenção da sociedade para o atual momento que os
indígenas atravessam. Essa rodovia cruza as terras indígenas, trouxe
muitas mortes, cobra-se um pedágio alto e os índios não foram
indenizados, disse Mendes. Pedimos indenização pelos empreendimentos
feitos em terras indígenas e que não disseram nem muito obrigado.



