Das 1500 crianças de 0 a sete anos acompanhadas mensalmente pela Pastoral
da Crianças em Laranjeiras do Sul, cerca de 14% estão em risco de sobrepeso
e 8% já são consideradas obesas. Os números foram revelados esta semana
pela nutricionista Thaise de Almeida Granzotto ao Jornal Correio. Destas
crianças, cerca de 70% são beneficiadas pelos programas Bolsa da Família e
do Leite. Elas encontram-se acima do peso desejável para sua idade e
altura. Estudos realizados no Brasil têm mostrado aumento absurdo de
obesidade infantil. Alguns apontam, inclusive, que o Brasil está superando
os percentuais do país da obesidade, os EUA, alerta a nutricionista.
Para mudar esta situação, a secretaria de Saúde de Laranjeiras do Sul
está elaborando o projeto Educação Alimentar para a promoção de hábitos
saudáveis e prevenção da obesidade infantil. O projeto é desenvolvido em
parceria com a Pastoral da Criança e a Associação de Senhoras de Rotarianos
(ASR). Será divido em duas fases: capacitação das agentes de saúde, onde
serão abordados assuntos sobre alimentação saudável – ainda este ano – e a
segunda fase com aulas práticas, no início de 2011.
A ASR participará
oferecendo a cozinha e instalações da entidade para que se possa elaborar e
experimentar as receitas. Será confeccionado um livro com receitas
saudáveis e equilibradas com o resultado deste trabalho. Vamos
literalmente colocar a mão na massa, enfatiza
Thaise.
Um dos caso que mais
chama a atenção é o do menino Vilmar Henrique. Hoje com seis anos, ele está
pesando 47 quilos e por isso faz tratamento em Curitiba. Vamos
semanalmente para consultas ao psicólogo e uma vez por mês, meu filho faz
outras consultas. Na consulta do dia 16 uma tomografia constatou que Vilmar
está com o rim direito 10 centímetros acima do outro, surgindo assim um
problema renal. O peso ideal para ele nesta idade é 35 quilos, mas os
médicos dizem que ele está um pouco inchado, comenta a mãe Eva do Belém
Andrade.
Vilmar Henrique foi mencionado na edição 882 do Jornal Correio.
Na época ele tinha três anos e cinco meses e pesava 36,2 quilos. A mãe veio
até o jornal pedindo ajuda e relatou a história do filho. Recebi muita
ajuda e continuo recebendo. Os remédios a Semusa me repassa, reconhece.
O PROBLEMA
Nos últimos anos a obesidade tornou-se um
problema de saúde pública. Além do estigma psicossocial acarretado pela
obesidade, as complicações clínicas e metabólicas geram um grande número de
atendimentos nos serviços de saúde. As consequências da obesidade podem
ser: hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares, desordens
ortopédicas, problemas respiratórios, as neoplasias de mama, cólon e reto.
A obesidade pode estar ligada também a predisposição genética e a fatores
ambientais, como o hábito alimentar da família, informa Thaise.
A
preocupação em se prevenir a obesidade na infância é emergencial porque
crianças obesas têm grandes chances de se tornarem adultos obesos. É na
infância, desde a vida intra-uterina, que o processo de desenvolvimento e
multiplicação das células adiposas (reserva de gordura) acontece, com pico
dos dois aos seis anos de idade. Portanto, se uma criança aos dois anos de
idade for obesa ela tem cerca de 15% de chance de ser um adulto obeso e se
esta for obesa até os 10 anos esta chance sobe para 80%. Isso acontece
porque uma vez que acontece a multiplicação das células adiposas, estas não
desaparecem do nosso organismo e, por mais que o adulto perca peso, elas
estarão sempre ali, prontas para armazenar gorduras facilmente.



