O morango é conhecidamente uma das frutas que mais
possuem venenos em sua produção. O consumidor acabou se conformando com essa
realidade e consume aquilo que é servido nos supermercados e feiras. A
justificativa é de que não há outra opção. Não mesmo? O exemplo e a resposta
que contraria o conformismo vem de Candói, da propriedade do agricultor
Clodoaldo Pereira de Lima, distante cerca de 4 km da cidade.
Há seis anos, passando por diversos intercâmbios e
cursos, ele começou a produção orgânica em seu pequeno sítio. Aos poucos, foi
vendo a possibilidade de expandir o cultivo dos morangos orgânicos. Atualmente,
possui 5 mil pés, que produzem cerca de 1,5 mil quilos por safra, em uma área
cultivada de apenas 1,2 mil metros quadrados.
EXPANSÃO
Para ele, ainda é pouco, por isso já tem planos de
dobrar o tamanho da área de plantio, bem como a produção, já na próxima safra,
que deve acontecer entre agosto e dezembro. O terreno está começando a ser
preparado, com o plantio de espécies que eliminam o veneno do solo. A colocação
das novas mudas deve começar em meados de maio, para iniciar a colher a
primeira safra a partir de agosto, conta.
As plantas usadas por Lima são importadas do Chile e a
intenção é colher pelo menos duas safras ao ano, com o pico de produção em
outubro e novembro. Agora, as plantas estão no período de entressafra, com
apenas alguns temporões nos pés. Mas, em breve, devem começar a ser preparada
para a nova produção.

MERCADO
A distribuição das frutas se faz na própria cidade,
para feiras, supermercados e mesmo para merenda escolar. Além, é claro, da
grande procura particular, muito incentivada pela propaganda que é feita boca a
boca. Vivemos em uma cidade pequena, onde conhecemos uns aos outros, isso
acaba me ajudando bastante, conta o agricultor, que tem sua renda toda vinda
da produção e venda de hortifrutis.
Só de alguém falar que os meus morangos não tem
agrotóxico é a maior propaganda, pois as pessoas estão em busca do sabor e da
saúde, diz. Atualmente, apenas sua propriedade conta com a fruta livre de
venenos e produtos químicos.

DESAFIOS
Clodoaldo conta que a maior dificuldade é, ainda, a
falta mesmo de assistência técnica para a produção orgânica na região. A gente
faz o que sabe. Vai dando cabeçadas. Tenho muito apoio do pessoal do Emater,
mas ainda sinto que precisaria de orientação para expandir a técnica para
outras culturas. Quem sabe isso incentivasse também outros agricultores a
partir para essa modalidade, almeja, lembrando que sua maior dificuldade é
manter as terras livres do veneno que é trazido pelo vento, mesmo com as
barreiras naturais de plantas.
O que vemos, hoje, é que o veneno se torna uma
tentação, lamenta, referindo-se ao trabalho bem maior que tem para a produção
livre de agrotóxicos, como a confecção de camas de aviários e húmus.
RECOMPENSA
Quanto à lucratividade, o agricultor afirma que
consegue um ‘dinheirinho bom’ com os morangos, mas confessa que cobra o mesmo
valor da fruta comum, pois ainda não possui a certificação. Hoje trabalhamos
na confiança com o consumidor, diz. Mas só de ver que as minhas filhas estão
sempre por aqui, comendo morangos direto do pé, sem precisar ter restrição por
causa de veneno, isso já é gratificante, finaliza.



