Na linha do trem moderno

As cidades brasileiras já começaram a oferecer uma infraestrutura mais moderna; os investimentos em trens, metrô e ônibus se multiplicam, em parte pelas exigências de eventos esportivos, em parte em razão da pressão dos eleitores. E assim o Brasil se transforma num canteiro de obras. Os problemas são muitos, mas a verdade é que os horizontes são promissores e os investidores se sentem mais seguros e confortáveis. Ainda há um longo caminho a percorrer, principalmente nas maiores cidades. Mas vale ressaltar as boas notícias, a começar pelo programa de investimentos anunciado pelo governo. Serão aplicados R$ 133 bilhões em nove trechos de rodovias e 12 de ferrovias para reduzir o custo de logística.

Nas ferrovias, o programa traz como novidade a quebra do monopólio no uso das estradas de ferro. O governo federal será responsável pela contratação, construção, manutenção e operação. Além de avançar na infraestrutura básica, para a redução do Custo Brasil, o programa resgata a perspectiva da volta do trem de passageiros, praticamente banido em favor das rodovias. E não falamos aqui do trem-bala, mas daquele que percorre as linhas de ferro com toda sua poesia.

Se na Europa funciona, aqui também pode. Para implantar o programa, o governo criou a Empresa de Planejamento e Logística (EPL). O novo modelo de concessão estabelece que as empresas que construirão as ferrovias não poderão estabelecer limites para circulação de trens de passageiro.

Enfim, o governo lança pela primeira vez em décadas um programa em que a ferrovia prevalece sobre a rodovia: o trem fica com 70% do total e o caminhão com pouco mais de 30%. O governo aciona com infraestrutura maior, mais moderna, conjugada a uma logística eficiente em todos os setores, como portos, aeroportos, ferrovias e ferrovias.

A rede ferroviária brasileira, de 29 mil quilômetros, é hoje menor do que há 90 anos. A principal sugestão para a redução do custo do frete é a construção de mais ferrovias. Os economistas têm dificuldades para quantificar o impacto da infraestrutura precária sobre a economia, mas concordam que impede a economia de crescer de modo consistente, acima de 4% ao ano, taxa necessária para que o Brasil alcançasse o status de nação desenvolvida.

Mas, pelo andar da carruagem e diante das iniciativas recentes, é bom que os brasileiros mantenham o foco e o otimismo. O rumo tomado é o da modernidade e solução de problemas.