No domingo, 3 de outubro, foram realizadas eleições em todo território
nacional. No Paraná, a disputa esteve bem acirrada, principalmente no que
diz respeito ao governo do estado. Em Curitiba, diante da importância do
ato de votar, quatro fotógrafos independentes promoveram uma cobertura
fotográfica do dia D das Eleições 2010.
O objetivo, além de registrar
essa importante data, foi captar imagens inusitadas, para destacar a
relevância do ato e contexto democrático na capital paranaense. Os
profissionais percorreram vários bairros da cidade em busca de imagens que
se diferenciam da cobertura de imprensa tradicional.
De acordo com o
grupo, formado por dois repórteres fotográficos, um fotógrafo italiano
radicado no Brasil e um jornalista, todos independentes, a ideia surgiu de
uma pauta simples: fotografar os desvios no uso da propaganda eleitoral. A
pauta evoluiu e apareceu uma proposta mais conceitual e abrangente. Depois
de algumas reuniões e propostas, formatamos um mini-projeto e decidimos por
fotografar o dia 3 de outubro. Pensar e fotografar jornalisticamente, mas
com um toque mais artístico e documental, disse o fotógrafo e jornalista
Marcos Xreda.
O dia da votação foi escolhido porque é o ponto áureo da
eleição. A ideia era captar de forma ampla, dentro do que uma imagem
fotográfica permite, a diversidade do dia da eleição, as relações sociais,
pessoais, emocionais e formais de um dia importante no contexto democrático
de nosso país. Transpor para o sistema fotográfico as dinâmicas e
desdobramentos do ato de votar. Seja ele por parte de candidatos ou
cidadãos, disse o repórter fotográfico André Rodrigues.
O trabalho foi
elaborado com recursos dos próprios fotógrafos, recebeu o nome provisório
de Uma eleição, quatro olhares e foi totalmente autônomo. Diante da
complexidade que é a eleição, a multiplicidade dos temas e ideologias
envolvidas, o grupo optou por sintetizar e minimizar o foco em pontos como
a Lei Seca, poluição visual, o eleitor, o voto em si e dois candidatos, que
no entender do grupo, sintetiza o pleito no Estado. Os políticos, Beto
Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), são as personagens escolhidas para
representar a ideia de candidatura e disputa eleitoral que o trabalho se
refere.
O fotojornalista Marco Lima destacou que esse tipo de trabalho,
por não estar preso à pauta, como na cobertura tradicional, permite certa
liberdade criativa. Há uma liberdade no olhar. O cunho mais autoral do
trabalho pode mostrar outras facetas da eleição que não costumamos ver por
aí. É a vantagem de ser freelancer, disse. A maioria dos profissionais de
fotografia estavam comprometidos com a linha editorial de um jornal ou com
o trabalho na assessoria dos políticos. A gente pode sair às ruas sem se
preocupar e fotografar à vontade.
Hans Basso, fotógrafo italiano
radicado em Curitiba, teve participação fundamental, pois proporcionou um
olhar diferenciado, sem vícios e preconceitos com relação ao nosso pleito.
No meu entender, independente do tamanho da cidade e até mesmo do trabalho
que estamos fazendo, essa é uma grande oportunidade para mim, que venho de
outro país,salientou.
Depois de todo processo eleitoral, os fotógrafos
pretendem montar uma exposição com os registros do dia da eleição e assim
promover a cultura fotográfica e a conscientização desse importante ato,
que é votar. Veja mais fotos na galeria de imagens do nosso site.



