Pai ou monstro?

Há tempos o setor de segurança pública da região de Laranjeiras do Sul alerta para os crescentes números de violência doméstica e sexual. No entanto, a situação chegou ao extremo na noite desta segunda-feira (13), em Rio Bonito do Iguaçu. Altamiro Alves Fagundes, de 49 anos é acusado de abusar sexualmente da própria filha há 11 anos.
Depois de tanto tempo, a jovem, cansada da situação, resolveu procurar o pelotão da Polícia Militar e revelar o sofrimento de mais de uma década. Na tarde de ontem, terça-feira, a vítima que terá a identidade preservada pelo Diário Correio do Povo do Paraná, contou com detalhes como era sua convivência com o pai.
Segundo ela, os abusos iniciaram no final de 2001, quando a família morava na cidade de Matos Costa/SC. Na época, a vítima tinha apenas sete anos de idade. Ela relatou que o pai, aproveitando da ausência da mãe, começou a passar a mão em suas partes íntimas e a estuprou. Desde então, a violência passou a acontecer diariamente. Eu ficava em silêncio, não contava para ninguém, pois nem entendia direito, contou.
Segundo ela, com o passar do tempo, foi tomando ciência dos atos do pai e tentou impedir os abusos, mas era ameaçada de morte. Ela relatou ainda que o ciúme do pai é doentio. Altamiro não permitia que a filha saísse de casa desde a primeira vez que a estuprou.
Ele revela que mesmo depois de maior de idade era violentada pelo pai, com a mesma frequência de quando criança, até que resolveu dar um basta na situação. Via as outras meninas sair e se divertir. Eu tinha que ficar em casa, fazendo as vontades dele. Não tinha vida e por isso resolvi denunciar.

PAI ENGRAVIDA FILHA
Depois de violentar a própria filha por oito anos, Altamiro Alves Fagundes engravidou-a. Hoje, a criança, também vítima, tem dois anos de idade. Quando soube, senti que minha vida tinha acabado, lembra a jovem.
Logo depois, Altamiro chegou a ser preso em Santa Catarina. A vítima conta que um vizinho denunciou a situação à polícia. No entanto, a pena da jovem pelo pai impediu que ele permanecesse preso. Ele me prometeu chorando que não iria mais fazer. Que era para eu ajudar ele a sair da cadeia. Eu acreditei e desmenti a história para o juiz. Mas quando voltamos para o Paraná ele começou tudo de novo. Agora quero que ele pague. Quero que sinta na pele tudo que ele me fez, completou.

FAMÍLIA COM MEDO
A mãe da jovem contou que só soube dos abusos do marido quando a filha engravidou. Segundo ela, não procurou a polícia por medo da reação do marido, dado as frequentes ameaças que fazia a ela referente a outras situações.
Ela contou que recentemente comentou com a filha enquanto trabalhavam na lavoura que iriam entregar Altamiro para a polícia. Ele estava ouvindo e bateu em mim e nela, relatou. Novamente ambas tentaram resolver a situação por bem e não revelar o caso às autoridades. Nós fizemos um acordo. Ele saiu de casa, mas levou ela junto. Eu pensei em denunciar, mas tinha medo que a polícia não pegasse ele ou que ele fizesse alguma coisa contra nós, completou.
Na família ainda existem outros cinco filhos, quatro deles menores de idade. A mãe da vítima disse que não tem conhecimento que que Altamiro violente mais ninguém. No entanto, a filha de 14 anos também é vítima do tratamento brutal do pai. Ela tem medo porque ele a ameaçou. Disse que preferia ver ela morta do que na frente dele. Falou que se ficasse dentro de casa ele iria matar ela, relata.
A mulher conta que não esperava a atitude das filhas. Ambas saíram de casa para vir a uma consulta. Estavam demorando voltar  e ele foi arrumar um carro para vir atrás. Disse que iria bater muito nelas. Mas felizmente quando vimos chegou a polícia, finalizou.

O PRIMEIRO PASSO
A jovem contou ainda que chegou a sair de casa e se casar. Mas novamente o ciúme e a violência de Altamiro a fizeram voltar atrás. Ele me trouxe de volta. Disse que se não voltasse para casa ele iria me matar. De retorno para a casa, e aproveitando da ausência do pai por alguns dias, ela escreveu uma carta relatando toda a situação e contando com a ajuda de alguns amigos, fez com que o documento chegasse às mãos do sargento Mário Opuchkevicz, que planejou a prisão do acusado. Hoje me sinto aliviada, com sensação de paz. Quero que a Justiça seja feita. Tenho raiva e nojo dele. Não consigo ver ele na minha frente.

A PRISÃO
A prisão de Altamiro Alves Fagundes aconteceu por volta de 22h30 pela equipe da PM comandada pelo sargento Mário e composta pelos soldados Strapação, Ribeiro e Zak. De acordo com Mário, tão logo as duas jovens procuraram a polícia, a equipe se deslocou até a localidade de Santa Luzia, no assentamento Marcos Freire. Ao avistar as viaturas, o acusado fugiu para uma mata. No entanto, os carros da polícia recuaram e os policiais retornaram à casa, dessa vez a pé. Altamiro foi preso em uma estrada de acesso a sua residência. Na casa ainda foram encontradas diversas armas de fogo. Ele confessou que abusava da filha, completou o sargento.
Ao receber o acusado na carceragem, o delegado chefe da 2ª Subdivisão Policial, Adriano Chohfi, definiu que os atos de Altamiro são de um monstro. Ele mantinha relações com a filha e acha que está certo. O fato acontecia na própria cama do casal, o que demonstra que ele não tinha o menor pudor para prática desse ato com a filha, disse.
Ao Diário Correio do Povo do Paraná, Altamiro disse que violentava a filha porque ela ia nua até sua cama. Eu não tenho nada a dizer. Ela começou a se esfregar, a primeira vez eu disse para ela sair, mas daí aconteceu. Eu sou inocente… nós dois somos culpados, defendeu-se.