Para o povo, INSS continua em greve

Desde o fim da greve dos agentes do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS), as agências ficaram lotadas de pessoas com todos os
tipos de impasses para serem resolvidos. A unidade regional de Laranjeiras do
Sul, responsável por grande parte dos municípios da Cantuquiriguaçu, recebe
diariamente um fluxo muito maior do que consegue suportar.

Isto se agrava com a diminuição de funcionários que se
transferiram para outros locais, justamente pela grande demanda de trabalho. Na
tarde de ontem (4), o Correio do Povo esteve no INSS ouvindo algumas pessoas
que aguardavam por atendimento.

A principal reclamação foi a demora, sendo que muitos
deles chegaram no horário em que a agência abre, 9 horas, e até o momento (por
volta das 14 horas) ainda não haviam sido atendidos. Com apenas dois servidores
nos guichês, o tempo de espera era grande.

De acordo com alguns funcionários, esta é a situação
no país inteiro, e por ser órgão federal, nada pode ser feito sem que o governo
autorize novas medidas. Eles afirmaram ainda que o concurso do INSS para
Laranjeiras do Sul abre apenas uma vaga, número insuficiente para suprir a
quantidade de trabalho de uma agência regional.

População

José Carlos chegou logo depois das 9 horas, foi
atendido ao meio-dia. Disseram que precisava pegar outra senha para falar
direto com o gerente. Agora são quase 14 horas e ainda estamos aqui, sem
almoço, sem nada, afirmou. Ele precisava apenas marcar uma perícia para a
esposa, que o acompanhava.

Já Débora Davies estava com o sogro, que buscava por
soluções no atraso de seu pagamento. Desde o início da greve ele parou de
receber. Chegamos depois das 12 horas. Mas nós ainda somos mais novos,
aguentamos mais tempo na fila, mas tinha um senhor de 68 anos que chegou às
10h18, saiu agora há pouco daqui, relatou.

Segundo Débora, é preciso que mais funcionários
estejam atendendo e agilizando os processos. Como uma agência regional vai
atender com só dois funcionários?, questiona. Para eles, a sensação é de que a
greve não acabou e o auxílio dos servidores está falho. Não há interesse do
governo para que essa situação acabe, disse um homem que também aguardava na
fila desde cedo e não quis se identificar.

No momento em que a redação esteve na agência, cerca
de 20 pessoas ainda aguardavam o chamamento. Outros, porém, desistiram e
deixaram as senhas para trás.