A polêmica envolvendo a arbitragem só aumenta conforme se aproxima o final do Campeonato Brasileiro de futebol. Os casos são tantos e tão absurdos que acabam roubando a atenção dos artilheiros em campo. Ao final das partidas, se fala mais sobre os erros dos árbitros que sobre as jogadas bem arquitetadas.
A polêmica mais recente envolve o vídeo que torcedores do Cruzeiro fizeram. Nele há uma compilação de falhas dos árbitros, todas favorecendo o rival estadual, Atlético-MG. Aliás, foram várias as partidas em que faltas marcadas injustamente, agressões não punidas e impedimentos incorretos acabaram favorecendo o atual vice-líder do campeonato.
Os casos de arbitragens questionáveis não têm acontecido somente em partidas do Atlético-MG. Em todas as rodadas, em jogos de diversos clubes, existem falhas que acabam gerando confusões e discussões dentro e fora de campo.
Para o técnico do Grêmio, Vanderlei Luxemburgo, esta não é uma questão isolada. Segundo ele, os erros têm sido frequentes em quase todos os jogos. Somente neste ano, a Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) recebeu 49 reclamações referentes às séries A e B do Brasileirão. Em 36 destes casos ficou provado que o clube reclamante tinha razão, resultando no afastamento de juízes e auxiliares.
Despreparo
Para o auxiliar de administração Andrei Sverdovski dos Reis, a situação pela qual passa o futebol brasileiro demonstra que existe despreparo por parte dos juízes. Além disso, ele acredita que possa existir favorecimento de algumas equipes. Isso é normal hoje em dia no futebol, afirma.
Andrei lembra que os problemas não ocorrem somente em grandes campeonatos. Quando uma equipe de árbitros é escolhida, muitas vezes os técnicos acabam entrando com recurso antes mesmo da partida, pois já sabem que poderão enfrentar problemas com determinado juiz, ressalta.
Primeiramente, temos que lembrar que estamos falando de seres humanos, que são passíveis de erros, afirma o professor de educação física e árbitro da Confederação Brasileira de Futebol de Salão, Alfredo Carlos Wagner.
Muitas vezes é questionada a postura tomada pelo juiz, até mesmo com a ajuda das filmagens, mas sem levar em consideração que o julgamento do árbitro tem que ser feito em poucos segundos, argumenta. Além disso, ele ressalta que a arbitragem é uma prestação de serviço, não é profissão, por isso muitos fatores externos, físicos, emocionais e mentais podem influenciar.
O professor não deixa de considerar que existem pessoas que agem de má fé. Temos grandes exemplos de escândalos nacionais e internacionais na área, afirma. Alfredo acredita que a tecnologia poderia ser uma aliada nestes casos. No entanto, reitera que resolveria apenas uma parcela do problema, pois seria viável somente em grandes campeonatos.



