“Quem dá esmola não dá futuro”

O Conselho Tutelar de Quedas do Iguaçu iniciou neste mês a campanha ‘Não dou esmola às drogas. Eu ajudo de verdade’. O objetivo principal é despertar a população sobre o verdadeiro sentido do ato de dar esmolas.
No plano de fundo da campanha, os conselheiros tutelares e o Projeto Gente almejam promover ajuda, oferecendo suporte aos meninos e meninas em risco social. Em especial, no resgate do vínculo familiar e na inclusão social, promovendo a dignidade dessas crianças que hoje vivem da mendigação. Cientes dos riscos sociais a que estas crianças estão submetidas, a campanha visa combater a prática de financiar a miséria, as drogas e a criminalidade conscientizando a população de que quem dá esmola está alimentando as drogas e a miséria tirando a oportunidade de futuro dessas crianças e adolescentes, explica presidente do Conselho Tutelar Joelson Vieira.
Na sua opinião, oferecer esmolas está na cultura do povo brasileiro por ser considerado um gesto solidário, pois enxerga-se nisso uma forma de sentir-se bem em ‘ajudar’ ao próximo. No entanto, esta prática assistencialista, em suprir a necessidade do momento, pode ser perigosa.
As pessoas podem estar ajudando a criminalidade, evasão escolar, prostituição, exploração e a violência.  Enquanto a sociedade agir assim, não resolverá o problema. Então, temos que conscientizar e oferecer uma nova opção para a população que deseja auxiliar os adolescentes e crianças pedintes, ressalta o conselheiro.

ECA protege. População deve denunciar
As crianças precisam brincar, estudar e não trabalhar. Foram distribuídos cartazes com informações para não incentivar a esmola. Pois na maioria das vezes as crianças saem de casa para ‘mendigar’ e, por passarem muito tempo na rua, perdem gradativamente o vínculo familiar, sobretudo se houver um histórico de violência doméstica. Além disso, convencer uma criança a sair da rua, de onde ela tira seu sustento, para levá-la a um abrigo ou até mesmo a escola onde há regras de convivência, é um trabalho árduo, é preciso ter um suporte para oferecer.
A recomendação é quando a população encontrar alguma criança nessa situação, ligar para o Conselho Tutelar ou no Projeto Gente. Não existe legislação que proíba adultos de pedir esmolas, mas as crianças estão protegidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e é preciso denunciar. Este é um período crítico, pelo recesso escolar. É preciso ter consciência de que quem dá esmolas não edifica e desestimula. O cidadão está incentivando a ter cada vez mais pedintes, conclui Joelson.