São Miguel e Presidente Vargas são os mais violentos

Quem viveu em Laranjeiras do Sul, em meados do século passado, bem sabe o
que era a região no âmbito da segurança pública. Um município grande e com
um saldo de homicídios superior aos dias do ano. O tempo passou, mas os
números negativos acompanharam o crescimento da cidade. Se não bastasse, o
progresso trouxe um elencado de novos crimes que diariamente são
notificados.
Neste sentido, o Jornal Correio traz com exclusividade o
resultado do relatório anual da 2ª CIA da Polícia Militar. O estudo trás
números reais sobre quais e onde acontecem os principais vultos na cidade.

De acordo com o relatório, em modos gerais, o número de ocorrências
caiu cerca de 19% em 2010 se comparado com o ano anterior. Mesmo assim, a
PM atendeu 1.248 situações nos 12 meses do ano.
Entre elas, duas
modalidades chamam a atenção e despertam a necessidade urgente de ações do
poder público. A primeira em relação ao número de acidentes de trânsito. Ao
todo foram 176 colisões e 35 delas envolvendo motocicletas, uma a menos que
2009, quando foram notificados 177. No entanto, segundo o Departamento
Estadual de Trânsito, em um ano, 931 novos carros passaram a circular nas
ruas da cidade. A frota que era de 10.126 no ano passado, passou para
11.057 em 2010. Mas, as ruas e o sistema de trânsito de Laranjeiras do Sul
continuam os mesmos. A estrutura beira o limite há muito tempo. Mesmo com a
diminuição de 25% nas apreensões de motoristas alcoolizados, a imprudência
frente ao volante é uma marca constante e isso faz uma projeção negativa
para os acidentes em 2011.
Outro ponto negativo é em relação aos
homicídios. O acréscimo foi de 20%, passando de 11 para 13 assassinatos em
2010. De acordo com a Polícia Militar, o maior número de ocorrências de
forma violenta acontece nos meses de novembro e dezembro. Outros números
ficaram estáveis na comparação, como por exemplo os casos de estupro. Ainda
foram apreendidas 27 armas de fogo e notificada uma diminuição de 12% nos
roubos e furtos qualificados.

BAIRROS MAIS VIOLENTOS
De acordo com o comandante da 2ª
CIA, capitão Gilmar Golemba Santana, mesmo com uma significativa melhora,
os bairros mais violentos de Laranjeiras do Sul ainda são o São Miguel e o
Presidente Vargas. Apesar de não ocuparem a primeira colocação no ranking
das ocorrências, eles concentram a maioria dos homicídios e crimes
violentos contra a vida, como lesão corporal e disparo de arma de fogo.
Mais do que trabalho policial, é uma situação social. Vemos que existe
falta de estrutura e que é uma questão cultural que também envolve a parte
financeira, destacou Golemba, ressaltando que mesmo com ações das três
esferas públicas nesses dois locais, os resultados só poderão ser notados a
longo prazo.

MARIA DA PENHA
Para o capitão da
Polícia Militar, uma grande evolução foi em relação aos casos da lei Maria
da Penha. Segundo ele, dos 159 registros de lesão corporal, mais de 20% são
em relação a violência contra mulher. Mesmo com o acréscimo no comparativo,
Golemba ressaltou que está havendo mais casos de denúncia, o que para ele
demostra que a população está confiando no trabalho da polícia. As
denúncias geram exemplo para que outras mulheres procurem as autoridades,
acelerando o serviço de policiamento ostensivo e as prisões. Esse aumento é
positivo, porque existe a queixa, a formalização, a ação do Estado e a
penalização pelo Poder Judiciário.

PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE
Segundo Gilmar Golemba, a
principal arma no combate a criminalidade é a influência direta na
população. Você pode ter centenas de policiais nas ruas que o crime
continuará ocorrendo no anonimato da noite. Existe ainda as situações
envolvendo as famílias. Se a população não participar a polícia não
consegue fazer o trabalho, explicou.
O capitão já está há 10 anos em
Laranjeiras do Sul e de acordo com ele, houve uma mudança significativa na
relação polícia-comunidade nos últimos três anos. Mesmo com uma grande
incidência de ocorrência, ele destacou que a maioria delas tem um desfecho
favorável, graças as denúncias junto aos policiais e pelo serviço 190.
Queremos trazer para a cidade, uma sensação de segurança maior do que em
qualquer outro lugar do Estado, completou.