Menos de uma semana depois da publicação de uma matéria que narrava a história de um menor de 13 anos que vagava pela rua atrás de resíduos recicláveis, o Jornal Correio flagrou um novo caso. A história é semelhante. L.A, 14 anos andava pela rua Guilherme de Paula empurrando um carrinho de sorvete. O adolescente trabalha durante o dia e estuda à noite. Tem que fazer dinheiro para comprar as coisas em casa. Quais, foi indagado. Comida, disse com certo constrangimento.
De acordo com a secretária de Assistência Social e Segurança da Família de Laranjeiras do Sul, Eliza Regina da Silva, ainda existem casos de crianças que trabalham na cidade. No entanto, o número é muito pequeno se comparado a anos anteriores. Eu mesmo já presenciei uma criança empurrando um carrinho de papel. Mas na hora comuniquei o CRAS e ela foi atendida, contou, destacando que apenas com o auxílio da população em efetuar denúncias o problema será resolvido.
Eliza ressaltou que tão logo os menores passam a integrar um dos programas, inicia um trabalho conjunto com as famílias. No seu entendimento, só dessa forma os resultados esperados serão alcançados. Em muitos casos não há preocupação dos pais. Aí entra o trabalho de todo o corpo de profissionais que o CRAS conta. O foco principal é a família.
Para a secretária, o problema da pobreza extrema em Laranjeiras do Sul está perto do fim. Cerca de três mil famílias são assistidas por programas das três esferas do governo. Mais do que isso, conforme ela o número de beneficiados vem caindo devido ao aumento de renda. Recebemos ligações de pessoas que fizeram cursos com nós, foram para outras cidades e hoje vivem do que aprenderam aqui, destacou.
CONSELHO TUTELAR
O Conselho Tutelar também foi procurado. A presidente da entidade, Marilda Araújo, questionou a reportagem do Jornal Correio, que denunciava trabalho infantil em Laranjeiras. Vocês viram o problema e não denunciaram. Só colocaram no jornal. Então denunciassem. Nós não conseguimos ficar na rua o tempo inteiro. Se as pessoas virem e não denunciar não podemos fazer nada, esquivou-se.
Marilda disse que não tem dimensão de quantas crianças trabalham hoje em Laranjeiras do Sul. Segundo ela, as que chegam ao conhecimento do Conselho são encaminhadas imediatamente ao Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI. Não tínhamos mais crianças trabalhando e esse ano está começando tudo de novo. As sorveterias estão esquecendo que foi feito um acordo como Ministério Público e entregando o carrinho para os menores, explicou.
Segundo Marilda, o PETI não possui fila de espera. Caso crianças sejam encontradas em situação de risco ou trabalho, o número de plantão do Conselho deve ser acionado e de imediato os menores serão atendidos. O contato dever ser feito pelo (042) 9917-9089.



