Itaipu injeta R$ 1,5 bi e segura tarifa de energia em 2026
Itaipu fará aporte bilionário para cobrir custos e evitar aumento no preço do repasse da energia no Brasil em 2026
A Itaipu Binacional anunciou que investirá ao longo de 2026 o equivalente a aproximadamente US$ 285 milhões, cerca de R$ 1,5 bilhão, para manter no mesmo nível o valor da tarifa de repasse de energia aos consumidores brasileiros nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A medida busca evitar um aumento no preço da energia no mercado regulado e garantir previsibilidade às distribuidoras e famílias.
Manutenção da tarifa e contexto operacional
O valor da tarifa de repasse de energia de Itaipu, estabelecido em US$ 17,66 por kW/mês, permanecerá inalterado até dezembro de 2026, conforme informado pela própria usina. Esse patamar vigora desde 2024 e foi fixado para o ciclo de 2024 a 2026 como parte de acordos firmados após a quitação da dívida histórica da obra, concluída em 2023.
Segundo a governança da hidrelétrica, o investimento adicional será usado para cobrir a diferença entre o custo real da energia e o valor de mercado, assegurando que as distribuidoras não repassem aumentos aos consumidores finais. A expectativa da empresa é que essa estabilidade tarifária ajude a manter a conta de luz mais baixa ao longo do ano.
Em nota, o diretor financeiro executivo de Itaipu declara que a medida reforça o papel da usina como instrumento estratégico na política energética brasileira, ao oferecer energia limpa, com segurança de abastecimento e tarifas justas.
Impactos no mercado e cenário tarifário
Especialistas do setor lembram que a tarifa de Itaipu, por estar estabelecida em dólar, pode sofrer efeitos da variação cambial ao longo de 2026, o que influencia diretamente o custo aos consumidores brasileiros caso não seja compensada por mecanismos como o aporte anunciado. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Operador Nacional do Sistema (ONS) acompanham de perto essas projeções no contexto mais amplo do sistema elétrico.
O desembolso também ocorre em um momento em que outras componentes da tarifa de energia, como custos de transmissão, têm apresentado tendência de alta no ciclo regulatório, pressionando o preço final ao consumidor em diferentes regiões do país.
Perspectivas após 2026
A definição da tarifa de repasse de energia a partir de 2027 ainda depende de negociações binacionais entre Brasil e Paraguai, no âmbito da revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das bases financeiras e comerciais da hidrelétrica. Esse acordo prevê que alterações só podem ser implementadas mediante consenso entre os dois países, o que coloca a continuidade de eventuais reduções tarifárias sob negociação diplomática e técnica.
A Itaipu Binacional, cujo modelo de operação e propriedade é dividido igualmente entre Brasil e Paraguai, permanece como uma das maiores geradoras de energia limpa do mundo e um dos pilares do abastecimento das principais regiões consumidoras do Brasil.



