Paraná registra maior caixa livre do Brasil e amplia capacidade de investimento
O governo do Paraná atingiu, no início de 2026, o maior nível de caixa livre entre as unidades da federação, abrindo espaço para ampliação de investimentos públicos e consolidação de políticas de infraestrutura e desenvolvimento. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira pela secretaria de Estado da Fazenda em relatório de execução fiscal.
Recorde de recursos e foco na solvência fiscal
Segundo o levantamento, em janeiro o Paraná contabilizou R$ 10,5 bilhões em caixa livre, valor que representa recursos não comprometidos com vinculações e passivos e que podem ser empregados em novas ações. Esse montante supera estados com economias maiores, como São Paulo, que aparece com R$ 5,9 bilhões, Paraíba com R$ 4 bilhões e Santa Catarina com R$ 3,9 bilhões.
O documento também revela que o Estado encerrou 2025 com R$ 7,18 bilhões em investimentos empenhados, o maior volume da sua história e superior aos R$ 6,41 bilhões de 2024. Os recursos empenhados correspondem à fase em que o orçamento é reservado para pagamento de contratos, obras e serviços públicos.
Outro aspecto destacado é a posição do Paraná no ranking nacional de dívida consolidada líquida, com saldo negativo de R$ 3,5 bilhões, o que indica que o Estado tem mais caixa do que dívidas. Apenas Espírito Santo e Mato Grosso registram saldos negativos maiores, mas com menor disponibilidade de recursos em caixa.
Implicações para políticas públicas e investimentos
O levantamento e as cifras levantadas pelo governo refletem uma combinação de fatores. A execução orçamentária favoreceu o registro de um volume elevado de investimentos em janeiro de 2026, R$ 776 milhões, o recorde para esse mês, valor 181% maior que o recorde anterior, de 2025, quando foram empenhados R$ 276 milhões. Em comparação com 2019, o aumento é de mais de 24 vezes.
De acordo com a Fazenda, os resultados estão associados à gestão fiscal responsável, melhoria da arrecadação, eficiência na aplicação dos recursos e ajustes de despesas, além de juros altos e crescimento econômico. Esses fatores contribuíram para que o Estado mantivesse nota máxima de capacidade de pagamento (Capag A+) e não precisasse aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), mecanismo do governo federal para renegociação de passivos, do qual apenas cinco estados optaram por não participar.
A disponibilidade de caixa e a menor dívida consolidada líquida abrem margem para continuidade e expansão de programas de infraestrutura e políticas públicas, como a pavimentação de vias urbanas e rodoviárias, iluminação pública com tecnologia LED e programas habitacionais. O governo também anunciou a criação de um Fundo Estratégico para gestão fiscal, sustentabilidade e investimentos de longo prazo.
A robustez do caixa livre e o histórico de investimentos reforçam a capacidade do Paraná de honrar seus compromissos financeiros e gerar espaço fiscal para ampliar ações estatais sem necessidade de elevar tributos, segundo o governo estadual.



