Como o “efeito de manada” afeta a forma como as pessoas reagem ao Coronavírus

Desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, no dia 11 de março de 2020, a pandemia da Covid-19,

Desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou, no dia 11 de março de 2020, a pandemia da Covid-19, cada região do planeta está buscando um modo de lidar com essa realidade e a saída mais importante, que impõe uma transformação radical no cotidiano, especialmente devido o afastamento social. Isso tem elevado o índice de adoecimento mental em massa nas populações ao redor do mundo.

Em meio aos acontecimentos, é constante e inevitável o embate entre as duas posições que encontramos hoje no Brasil diante da pandemia. Onde, de um lado, têm pessoas aterrorizadas com a expansão do vírus, buscando frear o desastre que se anuncia e, de outro, um grupo significativo de pessoas que insistem em retomar às atividades escolares, comerciais e econômicas, a despeito da potência da doença e do seu alastramento.

Tal embate tem levado, não só ao considerável aumento de casos e mortes decorrentes da Covid-19, como tem potencializado o sentimento de impotência e, consequentemente, o adoecimento emocional, sobretudo de quem compreende a grandiosidade de uma pandemia.

Motivações psicológicas

A psicóloga comportamental de Cantagalo, Nezia Pereira, fala sobre as motivações psicológicas que explicam as ações e sentimentos das massas, especialmente considerando a aparente negação do vírus, onde medidas de proteção indicadas pelo Ministério da Saúde são constantemente negligenciadas.

Segundo ela, essas pessoas certamente agem sob a influência do pensamento do grupo ao qual estão inseridas. “O chamado efeito do pensamento manada ou, ainda, comportamento de irracionalidade, expressa as decisões que nós, seres humanos, tomamos por influência de um líder ou da maioria do grupo em que vivemos ou que queremos pertencer”, detalha.

A adesão ao comportamento de manada pode estar relacionada a algumas motivações, dos quais, Nezia destaca: “segurança e aceitação por parte de lideranças e grupos, preservação da imagem (pois, por pensarmos como a maioria, não seremos punidos ou não seremos considerados diferente), e, por último, pelos benefícios que recebemos, materiais ou afetivos, se mantivermos coesos com o grupo, a ideia ou a liderança”.

A psicóloga explica também que decisões baseadas neste princípio muitas vezes são precipitadas e não consideram os riscos existentes e nem os efeitos posteriores. Elas apenas tendem a fazer que, momentaneamente, sejamos concordantes com a maioria. “Além disso, pode-se dizer também que as consequências desse comportamento são minimizadas e tendem a colocar em risco (de nível psicológico, material ou físico) quem as pratica”, finaliza.