Dra. Kaoany fala sobre avanço da mpox no Brasil

Em entrevista, médica detalha sintomas, prevenção e reforça a importância de buscar atendimento precoce

O Brasil se aproxima da marca de 90 casos confirmados de mpox, com maior concentração em São Paulo e registro recente no Paraná. O avanço da doença reacendeu a atenção das autoridades de saúde e reforçou a necessidade de vigilância e informação à população.

Para esclarecer dúvidas e orientar a comunidade, a médica Kaoany Krisiaki concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Correio do Povo do Paraná, sobre o cenário atual. Formada pelo Centro Universitário Campo Real, em Guarapuava, ela atua como clínica geral em Laranjeiras e Guarapuava e iniciou residência em Cirurgia Geral no Hospital São Vicente de Paulo.

Sintomas e diagnóstico

Segundo a médica, a mpox é uma infecção viral causada pelo vírus MPXV e transmitida principalmente por contato direto com pessoas infectadas, secreções, lesões na pele ou objetos contaminados.

A doença costuma se manifestar com lesões dermatológicas características, associadas a febre, dor de cabeça, dores musculares, calafrios e aumento de linfonodos”, explica. O período de incubação varia entre 3 e 16 dias, podendo chegar a 21.

A confirmação é feita por exames laboratoriais específicos, como testes moleculares do tipo PCR e sequenciamento genético. “A avaliação precoce permite diagnóstico adequado, orientações sobre isolamento e acompanhamento clínico”, afirma.

Prevenção e cuidado

A médica reforça que a prevenção é a principal ferramenta de controle. “Recomenda-se evitar contato físico próximo com pessoas com suspeita ou diagnóstico confirmado. Indivíduos infectados devem permanecer em isolamento e não compartilhar objetos pessoais,” recomenda.

Ela destaca que o SUS oferece vacinação preventiva para grupos mais vulneráveis e em situações de exposição de risco. Até o momento, não há tratamento antiviral específico aprovado no país. O cuidado é baseado em suporte clínico e controle dos sintomas.

A disseminação de informação segura e baseada em evidências é fundamental para conter a propagação da doença”, conclui.

Embora a maioria dos casos evolua de forma leve, a mpox pode provocar complicações, especialmente em pessoas com baixa imunidade. Infecções secundárias nas lesões, dor intensa, cicatrizes permanentes e, em situações mais raras, comprometimento de outros órgãos estão entre os riscos descritos na literatura médica sobre o vírus Mpox.

Diante de qualquer sintoma suspeito, a orientação é procurar atendimento médico o mais breve possível.