Os vestígios do suicídio na infância e juventude

As pessoas sob risco de cometer o ato-extremo costumam falar sobre morte e suicídio, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro.

Atualmente, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idades entre 15 e 29 anos. Todos os dias, pelo menos 32 brasileiros tiram suas próprias vidas.
As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos.

Segundo o psicólogo Fernando Barcelos, não existe apenas uma única forma de prevenção. “Tudo isso envolve muitos detalhes, informações sobre a vida deste indivíduo. Falar de uma forma direta e sem sensacionalismo para não chamar a atenção é o ideal. Como a mídia é muito acessada por crianças, adolescentes, adultos e idosos, temos que cuidar como passaremos tais Informações sobre o suicídio, que infelizmente sempre existiu na história da humanidade, mas de uma maneira encoberta, por exemplo, quanto às overdoses por drogas, bebidas alcoólicas, acidentes de motos ou carros, etc”:


Sintomas

O psicólogo elenca os sintomas pelo “desejo” ao suicídio:

– Isolamento  que, por conta da pandemia, torna-se mais difícil de se perceber;
– Perda de interesse de atividades que antes gostava e que hoje não as realiza;
– Mudanças na aparência física – deixa-se de lado a vaidade;
– Desleixo ou cuidado excessivo com a higiene pessoal;
– Alterações no sono  -sonolência ou insônia;
-Alterações no apetite – compulsão alimentar ou comer o mínimo possível.
– Piora no desempenho na escola ou trabalho.

Alerta

O psicólogo alerta que muitos jovens costuam falar frases como “eu preferia estar morto por estar incomodando tanto”, “eu não tenho mais valor”, “não aguento mais essa situação”, “se eu morrer seria melhor”, entre outras.

 “Enquanto o adulto, na maioria das vezes, reclama de alguma situação, vemos nas crianças e adolescentes o comportamento agressivo devido àsfrustrações, representação gráficamente (desenhos ou pinturas) com temáticas de tristeza, morte, cores carregadas de vermelho e preto, isolamento, pessoas com formas desfiguradas etc”, explica.

“Isto não quer dizer que adolescentes ou crianças também não possam se expressar verbalmente, onde a família geralmente não leva muito a sério achando que não passa de uma fase ou” frescura” e não como um pedido de ajuda. Não quero morrer de verdade, mas sim me livrar, acabar com o meu sofrimento”, conlui.


Como ajudar?

Fernando destaca que traumas infantis podem ser manifestados na adolescência ou quando adultos. Haverá um momento em que a própria pessoa terá que decidir por continuar evitando ou falar sobre o que lhe aconteceu para alguém ou irá procurar por um psicólogo, que poderá ajudar a sair desse sofrimento íntimo guardado em seu interior.

“Ouvir a pessoa sem preconceitos ,dar espaço para que fale o que está sentindo, sem críticas negativas e julgamentos antecipados do tipo: 'você está usando drogas?', 'o que andou fazendo de errado?',  'por que não sai daquele quarto escuro cheirando a mofo?'”.

Os sites do ministério da Saúde e do Centro de Valorização da Vida disponibilizam conteúdo explicativo a respeito do suicídio. O Centro, inclusive, possui um número de telefone – o 188 – que atende 24 horas. É possível conversar também através do chat online. São ferramentas que podem lhe ajudar a entender e como se dirigir a um amigo, parente ou colega que possa estar passando por um momento delicado.


E se for uma criança?

“De modo geral a criança gosta de brincar, de ser o centro das atenções. Então podemos, enquanto familiares, darmos um pouco mais de atenção, mas, sempre verificarmos se está melhorando ou não. Podemos buscar uma consulta médica ou até mesmo por um psicólogo infantil”.