Entenda como são formados os preços de combustíveis e porquê os caminhoneiros querem entrar em greve

O aumento dos combustíveis subiu 41,3% desde Janeiro e já começaram protestos na MG-424 em Belo Horizonte.

A formação dos preços

O ano de 2021 está sendo marcado pelos surpreendentes aumentos nos preços de combustíveis. A combinação de dólar alto e de aumento da cotação internacional do petróleo tem pesado no bolso no consumidor.

O preço dos combustíveis é liberado na bomba – ou na revenda, no caso do gás de cozinha. No entanto, grande parte do que o consumidor desembolsa reflete o preço cobrado pela Petrobras na refinaria. Como num efeito cascata, alterações nos preços da Petrobras, que seguem a cotação internacional e o câmbio, refletem-se nos demais componentes do preço até chegar ao preço final.

Impostos, adição de outros combustíveis à mistura e preços de distribuição e de revenda somam-se ao valor cobrado nas refinarias. Ao sair da Petrobras, o combustível sai com o valor do produto mais os tributos federais: a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), partilhada com estados e municípios; o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

Ao chegar às distribuidoras, o preço sobre o combustível passa a sofrer a incidência do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), definido por cada um dos estados e o Distrito Federal.

A cada 15 dias, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), órgão formado pelas secretarias estaduais de Fazenda, publica no Diário Oficial da União uma pesquisa dos preços de combustíveis cobrados dos consumidores na bomba. Essa pesquisa serve como base para o cálculo do ICMS sobre combustíveis.

Quando há aumento de ICMS, o preço pode subir novamente porque os postos costumam repassar o reajuste para o consumidor.

Caminhoneiros insatisfeitos

Após o drástico aumento na gasolina (5%), anunciado pela Petrobras na última segunda-feira (1), diversos grupos de caminhoneiros autônomos se mostraram insatisfeitos e argumentaram sobre a possível paralisação.

Além da gasolina, o diesel também teve um crescimento substantivo. Equivalendo atualmente a R$0,1294 nas refinarias. Essa já é a quinta vez que os preços dos combustíveis sobem em 2021 e cresceu mais 41,2% desde Janeiro. Por isso, no dia 2 de março, caminhoneiros protestaram na MG-424, em Vespasiano, Belo Horizonte, e na BR-101, em Itaboraí, no Rio de Janeiro, contra o aumento no preço do diesel.

“Chegamos a um momento crítico onde a categoria dos trabalhadores do transporte não aguenta mais aumentos dos combustíveis, sem que o Governo nada faça em nosso favor. Chegou o momento de nós, liderança dos caminhoneiros do Brasil, nos unir para que possamos defender a nossa categoria”, disse, ao jornal ‘O Tempo’, Wallace Landim, presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores).