Pesca do peixe pintado passa a ser proibida no Brasil

De acordo com critérios internacionais de risco de extinção, o ICMBio decidiu incluir o peixe surubim na lista de espécies ameaçadas

O Ministério do Meio Ambiente incluiu, pela primeira vez, o peixe surubim ou pintado, na lista de animais ameaçados de extinção. Isso significa que, agora, a pesca desse peixe está proibida em todo território brasileiro, incluindo a atividade esportiva do “pesque e solte”.

O Pseudoplatystoma corruscans, nome científico do famoso peixe pintado, pode ser encontrado em grandes bacias, como São Francisco, Paraná, Paraguai e Uruguai e é comum em vários países da América do Sul. Apesar de algumas críticas de setores que defendem a pesca alegando que é importante para economia e turismo de alguns estados.

A decisão veio após uma análise técnica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que usa, inclusive, critérios internacionais de risco de extinção. O analista ambiental do ICMBio Wellington Adriano, explica que essa análise é feita de maneira bem criteriosa.

A Lista Oficial das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção avaliou mais de 5 mil espécies da flora e outras 8,5 mil da fauna brasileira. Apesar da entrada de 219 novas espécies na Lista, o ICMBio afirma que há motivos para comemoração: 220 tiveram melhora em seu estado de conservação, indo para categorias de menor risco; e outras 144 espécies saíram da Lista.

Como o Brasil possui aproximadamente 20% das espécies existentes no mundo, a Lista Oficial brasileira é um dos maiores esforços em avaliação da biodiversidade empreendidos em nível global.

Diferenças

Luciana Carvalho Crema, coordenadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Aquática Continental do ICMBio, enfatiza que é preciso saber diferenciar essa espécie de outras que também são chamadas de “surubim”.

“O surubim ameaçado é o popularmente chamado de pintado. A cachara (espécie distinta, mas também do gênero Pseudoplatystoma) apesar de ser chamada de ‘surubim’ não está na lista. Os surubins do Doce, do Paraíba do Sul, que pertencem a outro gênero de bagre, o Steindachneridion, estão ameaçados. Ou seja, é necessário diferenciar essas espécies’”.

Ainda segundo a especialista, o surubim é uma espécie que migra por longas distâncias, então o principal motivo para estes declínios é a existência de diversos barramentos sequenciais nessas bacias, que impedem as rotas migratórias.

A medida, publicada no início desse mês, passa a valer a partir do dia 5 de setembro.

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