“É preciso trazer mais oportunidades para os jovens da Cantu” diz Moro
Como parte da cobertura das eleições 2026, senador abre série de entrevistas dos veículos do Grupo Correio (Jornal Correio e Extra Guarapuava) com pré-candidatos ao governo do Paraná
Em um momento decisivo para o futuro político do Paraná, os jornais e portais do Grupo Correio (Correio do Povo do Paraná e Extra Guarapuava), iniciam uma série especial de entrevistas com os pré-candidatos ao governo do Estado. A proposta visa colocar ideias sob escrutínio, confrontar promessas e apresentar ao leitor um retrato fiel de quem pretende comandar o Paraná a partir de 2027.
O critério estabelecido foi que a ordem das entrevistas nesta etapa de pré-candidaturas seguirá os nomes mais citados nas pesquisas eleitorais recentes, dos mais para os menos citados. Conforme essa análise o senador Sergio Moro (PL), que aparece na frente em todas as pesquisas divulgadas neste ano, inaugura a série.
Os levantamentos divulgados nas últimas semanas mostram Moro em posição consolidada. Apesar disso, o cenário ainda está em aberto: há um alto índice de eleitores indecisos e a eleição promete ser influenciada por fatores como alianças, desempenho de governo e polarização ideológica.
É neste contexto que a série busca aprofundar o debate, indo além dos números e explorando propostas concretas.
Jornal Correio do Povo do Paraná – O Paraná apresenta bons indicadores em algumas áreas, mas ainda enfrenta desafios estruturais. Na sua avaliação, quais são hoje os principais gargalos do Estado e qual seria a sua prioridade número um ao assumir o governo?
Senador Sergio Moro – O Paraná tem bons indicadores e uma população trabalhadora, empreendedora e honesta, mas ainda convive com problemas históricos que já deveriam ter sido superados. Hoje, eu destacaria dois grandes gargalos estruturais: a infraestrutura energética e a infraestrutura viária. São questões centrais para o presente e, principalmente, para o futuro do Estado.
No caso da energia, estamos enfrentando um problema sério de qualidade no fornecimento. O número de interrupções aumentou e o tempo para restabelecer a energia também cresceu muito nos últimos anos. É preciso uma cobrança firme das concessionárias e capacidade de gestão para garantir eficiência ao consumidor paranaense.
Outro desafio histórico é a situação das estradas. O Paraná cresceu muito, impulsionado pelo agronegócio, pela indústria e pela iniciativa privada, mas a infraestrutura rodoviária praticamente não acompanhou esse desenvolvimento.
A minha prioridade número um seria justamente preparar o Paraná para o século XXI, enfrentando esses gargalos estruturais com planejamento, gestão séria e segurança jurídica. O Paraná já é melhor do que a média do Brasil em muitos indicadores, mas isso não basta. O nosso objetivo deve ser fazer do Paraná a nossa fortaleza e o melhor Estado do país, com infraestrutura moderna, energia confiável, estradas eficientes, segurança pública forte e um ambiente favorável para quem trabalha, produz e investe.
Acredito que o desenvolvimento de verdade é aquele que gera oportunidades perto da casa das pessoas
Sergio Moro (PL)
Senador
Correio do Povo – O senhor tem sido identificado como um pré-candidato alinhado à direita e deve enfrentar forças também de direita, além da esquerda na disputa. Como pretende se posicionar nesse cenário polarizado e que tipo de governo pretende construir diante dessas diferenças ideológicas?
Sergio Moro – Eu tenho um posicionamento muito claro e nunca escondi minhas convicções. Defendo valores como liberdade, segurança jurídica, respeito ao direito de propriedade, responsabilidade fiscal, combate firme à corrupção e fortalecimento da segurança pública. Mas, acima de qualquer divisão ideológica, o que nós queremos é construir um governo sério, eficiente e comprometido com os interesses da população paranaense.
O Brasil vive hoje um momento de muita turbulência política e moral em Brasília. Mas posso garantir que os ventos da mudança começaram a soprar em Brasília. Tivemos recentemente duas grandes vitórias da sociedade e do Congresso Nacional. Muita gente tenta colocar isso apenas como derrotas do governo Lula, mas não foi isso. Foram vitórias da sociedade brasileira. A primeira foi a rejeição de um indicado do presidente da República ao Supremo Tribunal Federal, algo que não acontecia há muitas décadas. Eu participei da sabatina, fiz os questionamentos que precisavam ser feitos e entendo que o Brasil precisa de um STF verdadeiramente independente e autônomo, e não excessivamente vinculado ao governo de ocasião.
A segunda vitória foi a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria das penas. Isso é importante porque existe um sentimento de injustiça em relação a algumas condenações ligadas aos atos de 8 de janeiro. Eu visitei presos paranaenses, conversei com famílias e ouvi relatos que me marcaram profundamente, como o caso da Dona Sonia, uma senhora de Guarapuava, de 67 anos, presa e condenada a uma pena extremamente elevada, sem provas de que quebrou um copo d’água sequer. Agora, é muito fácil alguém dizer: ‘vamos cuidar apenas do Paraná e esquecer Brasília’. Mas isso não existe, porque o que acontece em Brasília reverbera diretamente aqui no nosso Estado.
Eu acredito que a população quer firmeza, clareza de posicionamento e coragem para enfrentar os problemas. O que não dá mais é para ter lideranças que ficam em cima do muro o tempo todo. Mas o nosso projeto para o Paraná não será um governo de divisão ou perseguição política. Será um governo voltado para resultados, eficiência e proteção das liberdades.
Correio do Povo – Praticamente todos os municípios da Cantu enfrentam dificuldades no acesso a serviços de saúde de média e alta complexidade. Como seu eventual governo pretende descentralizar e fortalecer o atendimento nessa região?
Sergio Moro – A saúde no Paraná, de fato, não está tão boa, não. Hoje, muita gente sofre com filas intermináveis, consultas reagendadas e demora para conseguir exames e tratamentos, inclusive em casos graves, como câncer. Isso afeta diretamente cidades do interior, como as da Cantuquiriguaçu, onde muitas vezes o cidadão precisa viajar longas distâncias para conseguir atendimento de média e alta complexidade.
O primeiro passo é enfrentar um problema estrutural: a baixa remuneração dos serviços médicos pelo SUS. A chamada tabela SUS está defasada há muitos anos. Nós defendemos que o Paraná adote uma tabela estadual complementar, nos moldes do que já foi feito em São Paulo, para melhorar a remuneração e atrair mais médicos, especialistas e hospitais para atender a população. Hoje existem algumas iniciativas pontuais no Estado, mas precisamos de uma solução ampla e permanente.
Também precisamos descentralizar os serviços de saúde. O interior não pode continuar dependente apenas dos grandes centros. Regiões como a de Laranjeiras do Sul precisam ter mais estrutura hospitalar, mais especialidades disponíveis e maior capacidade de atendimento perto da casa das pessoas. Isso reduz filas, evita deslocamentos desgastantes e garante mais dignidade para quem precisa de atendimento.
Outro ponto fundamental é a digitalização completa da saúde pública. O Paraná perdeu tempo nessa área. Nós precisamos colocar os serviços de saúde na palma da mão do cidadão, por meio de aplicativos e plataformas digitais. A pessoa deve conseguir agendar consultas e exames, acompanhar filas, acessar resultados e saber onde há atendimento disponível sem precisar perder um dia inteiro em filas ou retornando várias vezes ao posto de saúde.
Nosso objetivo é construir uma saúde pública mais moderna, descentralizada e eficiente, garantindo que o cidadão do interior tenha acesso ao mesmo padrão de atendimento que existe nos grandes centros.
Correio do Povo – Diante das mudanças no mercado de trabalho e da necessidade de diversificação econômica, quais setores o senhor pretende priorizar nas regiões de Guarapuava e da Cantu? Há espaço para inovação, tecnologia ou novas cadeias produtivas?
Sergio Moro – Existe muito espaço e essa é justamente a grande oportunidade da região Centro-Sul do Paraná. Nós precisamos preparar a região para a economia do futuro. O mundo está mudando rapidamente, e quem investir em inovação, tecnologia e produtividade vai gerar mais empregos e mais renda.
Nossa prioridade será fortalecer setores com grande potencial regional, como agroindústria, alimentos industrializados, tecnologia no agronegócio, madeira, logística, armazenagem e tudo que gere emprego e desenvolvimento.
O nosso desafio agora é fazer com que o jovem de Guarapuava e da Cantuquiriguaçu tenha oportunidades sem precisar sair do seu município. Isso significa atrair empresas, apoiar quem empreende, investir em qualificação e criar um ambiente favorável para novos negócios. Acredito realmente que o desenvolvimento de verdade é aquele que gera oportunidades perto da casa das pessoas.
Eleições 2026
A série seguirá com os demais pré-candidatos, respeitando a ordem de desempenho nas pesquisas, oferecendo ao leitor um panorama completo, e cada vez mais necessário, sobre o futuro político do Paraná.



