Conselho da Comunidade apresenta ações de reintegração social na comarca

Atividades envolvem oficinas, incentivo cultural e seminário sobre violência doméstica em Laranjeiras do Sul

O Conselho da Comunidade de Laranjeiras do Sul apresentou na última quinta-feira (07), novos projetos voltados à ressocialização de pessoas privadas de liberdade e ao combate à violência doméstica. O evento foi realizado no Salão do Júri do Fórum Estadual e reuniu representantes do sistema prisional, autoridades e integrantes da comunidade.
Durante o encontro, o presidente do Conselho da Comunidade, advogado Vinícius Sterza, destacou a importância de aproximar a sociedade das ações desenvolvidas dentro da cadeia pública da comarca. Segundo ele, o trabalho busca oferecer oportunidades de reconstrução para os detentos. “O que a comunidade quer depois que essa pessoa saia daquele local? Nós apostamos na ressocialização”, afirmou.

Se nós não desenvolvermos projetos de ressocialização e dignidade, perdemos eles para o crime organizado.

Dr. Vinícius Sterza

Presidente do Conselho da Comunidade

Sterza apresentou o projeto ‘Feito à Mão – Histórias de Recomeço’, desenvolvido em parceria com o Departamento Penitenciário do Paraná. A iniciativa produz materiais artesanais confeccionados por presos da cadeia pública de Laranjeiras.
Entre os itens produzidos estão personagens infantis que serão entregues a alunos do segundo ano do ensino fundamental dos municípios de Laranjeiras, Porto Barreiro, Marquinho, Nova Laranjeiras e Rio Bonito do Iguaçu.
Segundo o presidente do Conselho, o material será acompanhado de kits de leitura e folders educativos para conscientizar as famílias sobre a importância da reintegração social. “Essas pessoas que estão lá dentro querem uma oportunidade também. Muitas vezes é alguém estender a mão e dizer que elas têm uma chance de recomeço”, declarou.

Ressocialização e superlotação
Sterza também chamou atenção para a situação da cadeia pública da comarca. De acordo com ele, a unidade abriga atualmente cerca de 180 presos, apesar da capacidade para 110.
Para o presidente do Conselho, projetos de educação e trabalho são fundamentais para evitar que os detentos sejam influenciados pelo crime organizado. “Se nós não desenvolvermos projetos de ressocialização e dignidade, perdemos eles para o crime organizado”, afirmou.
A policial penal Abilene Stefanoski, que atua há quatro anos em Laranjeiras, afirmou que o contato diário com os presos mudou sua percepção sobre a população carcerária.
Segundo ela, muitos detentos chegam ao sistema prisional marcados pela falta de acesso à educação, vulnerabilidade social e abandono familiar. “A partir do momento que você começa a encarar aquela pessoa além do delito dela, você começa a entender porque muitos chegam nessa situação”, afirmou.

Projetos educacionais
Abilene também relatou as dificuldades enfrentadas pela cadeia pública devido à superlotação e à falta de estrutura física. Conforme explicou, o espaço limita a implantação de projetos educacionais e de trabalho.
Ainda assim, a unidade mantém iniciativas como oficinas de pintura em tela e busca ampliar as atividades de ensino dentro da cadeia. “Queremos implantar projetos de estudo, mesmo sendo cadeia e mesmo não tendo a estrutura física”, disse.
Durante o evento, o Conselho da Comunidade também lançou a segunda edição do seminário ‘Flor de Laranjeira’, voltado ao enfrentamento da violência doméstica.
De acordo com Sterza, o encontro deste ano terá como tema as múltiplas formas de violência contra a mulher, incluindo violência patrimonial, moral, financeira, física e sexual.
O presidente relacionou o debate ao recente caso de feminicídio registrado em Laranjeiras e defendeu mais diálogo sobre o tema. “É falando e dialogando que vamos vencer a violência doméstica”, conclui.