“Uma doação pode atender até quatro vidas”, destaca
Responsável pela Gestão da Qualidade do Hemocentro fala em entrevista exclusiva sobre estoques, campanhas e a importância da solidariedade
A campanha Junho Vermelho volta a chamar a atenção para um gesto que permanece indispensável à saúde pública: a doação de sangue. Em entrevista exclusiva ao Jornal Correio do Povo do Paraná, o farmacêutico bioquímico e responsável pela Gestão da Qualidade do Hemocentro de Guarapuava, Rhony Cássio Moreira, destacou a importância da participação da comunidade para manter os estoques em níveis seguros e garantir o atendimento aos pacientes da região.
Atualmente, segundo ele, o Hemocentro opera dentro dos limites considerados adequados, mas alguns tipos sanguíneos exigem reforço. “Hoje, nós estamos com estoque dentro dos limites de segurança, mas é necessário melhorar o estoque de O positivo e também o estoque de A positivo. O mais necessário é o O positivo”, explicou.
Moreira ressalta que o controle dos estoques é realizado diariamente para evitar tanto a escassez quanto o desperdício. “Nós trabalhamos com monitoramento diário dos estoques e temos um limite mínimo e máximo: mínimo para não haver falta e máximo para não haver perdas por vencimento. Daí a importância do agendamento para doação, para que a gente possa escolher o tipo mais necessário, equilibrando os estoques e mantendo tudo dentro dos níveis de segurança.”
Uma necessidade permanente
O Hemocentro de Guarapuava atende hospitais de diversos municípios da região. Para suprir essa demanda, são registradas entre 450 e 650 doações por mês.
“O número ideal é próximo de 650, porque isso permite atender com tranquilidade a nossa demanda e ainda contribuir com outras unidades da Hemepar, que também atendem pacientes da nossa região”, afirmou.
Segundo o profissional, a doação de sangue continua sendo insubstituível na medicina. “A doação de sangue é fundamental para mantermos a produção de hemocomponentes, pois não há nada que substitua o sangue artificialmente. É a partir desse gesto voluntário do doador que nós podemos manter o suporte transfusional para os atendimentos de saúde da nossa região.”
Além disso, cada bolsa coletada tem potencial para beneficiar mais de uma pessoa. “Uma doação pode gerar até quatro hemocomponentes ou quatro bolsas. Portanto, pode atender até quatro vidas”, destacou. Ele explica que o sangue é fracionado em diferentes componentes, como concentrado de hemácias, plasma fresco, plaquetas e crioprecipitado, utilizados conforme a necessidade de cada paciente.
Quem pode doar
Para doar sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 quilos, estar alimentado, hidratado e descansado. Menores de idade podem doar mediante autorização e acompanhamento de um responsável legal.
Sobre os receios que ainda cercam a doação, Moreira acredita que muitos mitos foram superados graças ao trabalho de conscientização realizado ao longo dos anos.
“Antes dizia-se que quem doa sangue uma vez tem que doar sempre, ou que, se parasse de doar, o sangue ficava grosso. Isso eram histórias, mitos. Em função das campanhas educativas e das informações divulgadas, isso diminuiu muito”, relatou.
Para ele, a principal barreira atualmente está relacionada à rotina corrida da população. “Muitas pessoas estão bastante ocupadas com seus afazeres, seus trabalhos e o dia a dia. Fica um pouco complicado se deslocar até o Hemocentro para fazer a doação. Mas a gente insiste que não há o que substitua o sangue artificialmente e que precisamos desse gesto voluntário.”
Mobilização e campanhas
As ações de conscientização são realizadas durante todo o ano, mas ganham reforço especial em junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue.
“O Hemocentro de Guarapuava trabalha há muito tempo com campanhas educativas. Existe um trabalho do setor de captação junto a organizações sociais, igrejas, empresas e entidades, organizando palestras e buscando sensibilizar as pessoas sobre a importância da doação”, explicou.
Entre as iniciativas em andamento está a capacitação de agentes comunitários de saúde dos municípios atendidos pela unidade. “A ideia é que eles levem informações sobre a doação durante as visitas domiciliares e divulguem os contatos do Hemocentro para que mais pessoas possam agendar sua doação.”
O trabalho também conta com apoio de prefeituras, empresas e organizações da sociedade civil, que auxiliam na formação de grupos de doadores e no agendamento de visitas à unidade.
Ao final da entrevista, Moreira deixou uma mensagem direcionada tanto a quem nunca doou quanto àqueles que estão há algum tempo afastados das campanhas.
“É um convite para a solidariedade, para importar-se com o próximo, para pensar naquele que está no leito do hospital, carecendo de uma gota de sangue que vai salvar a vida dele”, afirmou. “Se você nunca doou, considere fazer esse gesto. Se você já é doador e faz tempo que não vem, considere voltar ao Hemocentro. Hoje temos um atendimento mais organizado, com horário agendado, e o doador não fica mais do que 40 minutos aqui para concluir todo o processo.”
A campanha Junho Vermelho busca justamente reforçar essa mensagem: cada doação pode representar uma nova oportunidade para quem aguarda atendimento, tratamento ou uma transfusão de urgência.
Pessoas interessadas em doar sangue ou organizar ações de conscientização podem entrar em contato diretamente com o Hemocentro de Guarapuava. O agendamento prévio ajuda a unidade a equilibrar os estoques e garantir o atendimento da demanda regional.
Telefone: (42) 3621-3672 ou (42) 3621-3678
WhatsApp: (42) 98878-6311



