VivArte estreia ‘O Auto da Compadecida’ em Laranjeiras do Sul

Em entrevista, diretora e idealizadora do grupo, Geovana Bortoluzzi conta como nasceu a adaptação e fala sobre o trabalho desenvolvido pelo grupo

O grupo de teatro VivArte prepara a estreia de sua terceira montagem em Laranjeiras do Sul. Desta vez, o elenco leva ao palco uma adaptação de ‘O Auto da Compadecida’, clássico de Ariano Suassuna, em uma produção que reúne teatro, música e dança e mobiliza 19 artistas, além da equipe de bastidores.

Criado em 2023 com o objetivo de tornar o teatro mais acessível à comunidade, o VivArte vem reunindo voluntários de diferentes profissões e idades para desenvolver espetáculos e formar novos artistas. A diretora e idealizadora do grupo, Geovana Bortoluzzi, conta que a escolha da obra nasceu de uma paixão antiga pela história criada por Suassuna.

Sempre fui apaixonada por O Auto da Compadecida. Primeiro veio a admiração pelo filme, que foi um grande sucesso e continua sendo uma referência da dramaturgia brasileira. Depois, pelo livro, que há muitos anos faz parte da minha estante. Achei que seria um desafio diferente, porque a obra é inspirada na literatura de cordel nordestina e nós somos artistas do Sul. Mesmo com receio, decidi encarar esse desafio e comecei a estudar a obra e toda a cultura retratada nela com muito carinho e respeito. É uma homenagem.”

A adaptação do roteiro também foi realizada por Geovana. Segundo ela, o trabalho começou em janeiro e levou aproximadamente um mês até ser concluído.

O que estamos construindo não são apenas peças de teatro, mas artistas e novas histórias.

Geovana Bortoluzzi

Ensaios conciliam trabalho, estudos e rotina

Com o roteiro finalizado, o grupo iniciou os ensaios em fevereiro. Como nenhum dos integrantes vive exclusivamente da arte, foi preciso adaptar a rotina para que todos pudessem participar da produção.

Tanto eu quanto os alunos do VivArte temos outras profissões. O teatro é um hobby. Eles trabalham, estudam, temos artistas que também são mães. Mesmo assim, precisamos dedicar algumas horas por semana aos ensaios. Por isso, escolhemos os domingos. Já faz bastante tempo que abrimos mão do descanso para preparar esse espetáculo. É preciso ter muita força de vontade e gostar muito da arte.

Ao todo, são 19 atores em cena, além das pessoas responsáveis pela sonoplastia, iluminação, cenografia e demais funções de apoio. Para Geovana, o comprometimento do elenco é um dos fatores que mantém o grupo ativo desde sua criação.

Já estamos na terceira peça. Alguns integrantes permanecem desde a primeira montagem e acredito que aquilo que viveram no palco fez com que quisessem continuar. Os que chegaram agora acompanharam nosso trabalho como público e isso despertou o interesse em fazer parte do grupo. Saber que tantas pessoas confiam no meu trabalho como diretora exige responsabilidade com o roteiro, a direção e toda a coordenação. Somos 19 pessoas em cena e ainda há quem trabalhe nos bastidores. Ver tanta gente querendo estar ali me motiva a continuar.”

Teatro como formação e acesso à cultura

Além da produção dos espetáculos, o VivArte desenvolve aulas voluntárias voltadas à formação artística. Segundo a diretora, o objetivo vai além da montagem de peças. “O que estamos criando não são apenas espetáculos. Cada integrante constrói um personagem e, ao mesmo tempo, reconhece a si próprio como artista. São professores, estudantes, atendentes e pessoas de diferentes profissões que desenvolvem a dicção, a atenção e a sensibilidade. Poder compartilhar esse conhecimento com a comunidade e aprender junto com eles não tem preço.

O grupo também realiza um trabalho social por meio da palhaçaria humanitária. A cada 15 dias, dois integrantes visitam o Instituto São José levando atividades aos moradores da instituição.

Geovana afirma que o VivArte também busca formar público para o teatro em Laranjeiras do Sul. “Acredito que estamos no caminho certo quando falamos em criação de plateia. Há pessoas que assistiram às duas primeiras peças e já estão ansiosas pela terceira. Nosso sonho é chegar ao ponto de precisar fazer duas sessões porque o teatro estará lotado e ainda haverá pessoas querendo assistir. Sabemos que isso leva tempo, dedicação e muito trabalho, mas acreditamos que estamos construindo esse caminho. A cada espetáculo aprendemos mais e aproximamos o público do nosso trabalho.”

Inscrições abertas após cada produção

Conforme Geovana, novos integrantes são recebidos sempre após o encerramento de cada montagem. As atividades são destinadas a adolescentes e adultos com idade a partir de 15 anos. Ela destaca que não é necessário atuar no palco para integrar o grupo.

Sempre digo que quanto mais pessoas, melhor. Não é à toa que hoje temos um elenco tão grande. Quando encerrarmos essa produção, abriremos novamente as inscrições. Quem tiver interesse pode acompanhar as informações pelo Instagram @vivartelds ou entrar em contato pelo telefone (42) 98419-4873. Temos também um grupo de WhatsApp para repassar todas as informações. É importante lembrar que participar exige comprometimento, mas não é preciso, obrigatoriamente, atuar. Também precisamos de pessoas para trabalhar com sonoplastia, cenário, iluminação e outras funções nos bastidores.”

Espetáculo preserva crítica social presente na obra

Embora seja uma adaptação, Geovana explica que a proposta foi manter a principal mensagem da obra de Ariano Suassuna. “Nossa intenção é preservar a essência da obra original. Existe uma crítica social muito forte. Os personagens vivem na pobreza, há patrões que exploram seus empregados e, no fim da história, todos passam pelo julgamento. É uma comédia, mas com uma reflexão importante. Queremos despertar essa sensibilidade no público e mostrar que muitos dos problemas retratados no sertão da década de 1950 ainda fazem parte da sociedade. E, claro, queremos que todos se divirtam.”

Além do elenco do VivArte, o espetáculo contará com a participação do Black Heart Studio de Dança, Studio de Ballet Top Fitness e Família Miranda.

A construção do roteiro foi pensada para conectar o público com diferentes manifestações artísticas. Teremos música, dança e teatro em uma única noite. O ingresso terá valor popular para que mais pessoas possam assistir. Ao adquirir um ingresso, o público não estará apenas prestigiando uma apresentação, mas também contribuindo para que o grupo continue desenvolvendo suas atividades.” A produção conta com o apoio da Rádio Campo Aberto, Redelar Supermercados, Livraria e Papelaria Criativa, Centro Universitário Campo Real, Sarah Perussulo Comunicação, GDF Contabilidade, Mário Machado e V6 Automóveis.

Ao todo, são 19 atores em cena, além das pessoas responsáveis pela sonoplastia, iluminação, cenografia e demais funções de apoio. – Foto: Arquivo Pessoal