Dia do Surdo expõe luta por mais respeito e inclusão

Marcos Edinei Andruck relata desafios na educação e no atendimento a pessoas surdas e defende mais acessibilidade e respeito

Celebrado neste sábado (26), o Dia Nacional do Surdo chama a atenção para os direitos, a inclusão e a acessibilidade da comunidade surda. Em Laranjeiras do Sul, o professor de Libras, Marcos Edinei Andruck, destaca que a falta de preparo para atender pessoas surdas ainda dificulta o acesso à educação, à saúde e a serviços básicos.

Surdo desde a infância, Marcos enfrentou dificuldades na escola, onde o ensino era baseado apenas na oralidade e os profissionais não estavam preparados para atender alunos surdos. Aos 14 anos, ao se mudar para Curitiba, conheceu a Língua Brasileira de Sinais (Libras), que mudou sua trajetória.

“Na minha infância, enfrentei grandes dificuldades nas escolas. Não havia uma forma eficaz de me ensinar, e era um grande desafio conseguir aprender”, relata.

Libras amplia acesso à educação

Aos 19 anos, Marcos ingressou no curso de Pedagogia pela Uninter e, depois, concluiu uma pós-graduação em Libras pela FAI. Com certificação ProLibras, trabalhou no Centro de Atendimento Especializado ao Surdo (CAES) e na Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis).

Atualmente, atua em um colégio de Laranjeiras do Sul, onde atende alunos surdos. O trabalho segue o modelo de educação bilíngue, com ensino de Libras e Língua Portuguesa escrita.

Para o professor, um dos principais desafios está no aprendizado do português escrito. Segundo ele, as diferenças na escrita podem dificultar a comunicação dos alunos em situações cotidianas, como em estabelecimentos comerciais.

“Ensinar a escrita correta do português é, sem dúvida, a nossa maior dificuldade”, afirma.

Apesar disso, Marcos destaca os avanços na autonomia dos estudantes. Com o aprendizado, eles desenvolvem formas de se comunicar com pessoas ouvintes e ampliam a participação na sociedade.

Falta de acessibilidade ainda dificulta atendimento

Fora da escola, a comunicação continua sendo uma barreira. Marcos relata que a falta de profissionais capacitados em Libras é frequente em estabelecimentos comerciais, serviços públicos e, principalmente, instituições de saúde.

“É fundamental que, em todos os locais de atendimento, pelo menos uma pessoa saiba como acolher e atender uma pessoa surda. Sem isso, a comunicação não acontece, e muitas pessoas surdas acabam saindo sem serem atendidas”, diz Andruck.

Em Laranjeiras, ele reconhece o esforço de moradores e profissionais para estabelecer uma comunicação respeitosa, mas avalia que ainda falta capacitação.

O professor também alerta para a importância de aprender Libras com profissionais especializados, para garantir o ensino correto da língua.

Respeito e autonomia

Marcos afirma que pessoas surdas ainda são vistas, em alguns casos, como incapazes ou dignas de pena. Para ele, essa visão precisa mudar, pois a surdez não impede o acesso à educação, ao trabalho e à formação profissional.

“As pessoas surdas têm capacidade. Se eu consegui, todos conseguem. O que precisamos, acima de tudo, é de inclusão e respeito”, destaca Andruck.

Neste Dia Nacional do Surdo, ele defende que a conscientização sobre a Libras e os direitos da comunidade surda avance em todos os espaços.

“A Libras é a nossa língua, nossa forma natural de comunicação e garantia de autonomia. É fundamental que a educação e a acessibilidade avancem, para que todas as pessoas surdas possam ser compreendidas, respeitadas e bem atendidas em todos os espaços”, conclui.