Vendaval provoca prejuízos e afeta o setor de supermercados

Levantamento do Correio do Povo do Paraná busca dimensionar os impactos econômicos do temporal no setor

O vendaval do último dia 4 de outubro provocou danos à estrutura, equipamentos e mercadorias em Laranjeiras do Sul.

O Jornal Correio do Povo entrou em contato com supermercados do município para levantar os danos provocados pelo fenômeno climático e os impactos econômicos sobre o setor.

Em entrevista ao Jornal Correio do Povo do Paraná, Guaracy Pacheco, assessor de Gestão e Relações Institucionais do RedeCon, detalha os prejuízos, os desafios para a retomada das atividades e os reflexos do vendaval sobre os funcionários, fornecedores e a economia local.

Segundo ele, o levantamento encaminhado à Defesa Civil contabiliza R$ 348.964,08 em prejuízos já quantificados, incluindo reparos emergenciais e perdas de produtos.

Quais foram os principais estragos causados pelo vendaval no supermercado?

A cobertura foi bastante atingida, com danos em calhas, estruturas de fechamento e pontos de fixação. A panificadora também sofreu avarias no telhado e no forro. Tivemos danos no portão de acesso, vidros quebrados no restaurante e no supermercado, além de uma fissura na junta de dilatação do prédio, que precisa de avaliação.

Outro problema foi na câmara fria do restaurante. O equipamento externo de refrigeração foi deslocado pelo vento, obrigando-nos a desativá-la. Isso afetou diretamente o armazenamento de produtos que dependem de refrigeração.

O estabelecimento precisou ser fechado total ou parcialmente? Por quanto tempo?

No domingo (4), não conseguimos operar. Na segunda-feira (5), o funcionamento foi extremamente limitado, concentrado na recuperação da estrutura, limpeza e segurança. O supermercado praticamente não teve atividade comercial, e o restaurante funcionou parcialmente.

Nosso sistema registrou apenas 25 vendas no supermercado durante toda a segunda-feira, principalmente para colaboradores. Na terça-feira, conseguimos avançar na retomada.

Não bastava abrir as portas. Precisávamos garantir que funcionários e clientes pudessem circular sem riscos.

Qual é a estimativa do prejuízo financeiro causado pelo vendaval, incluindo danos à estrutura, equipamentos e mercadorias?

O levantamento encaminhado à Defesa Civil contabiliza, até agora, R$ 348.964,08 em danos e perdas. Desse total, R$ 329.131,95 correspondem ao orçamento técnico para reparos emergenciais da estrutura. Também houve descarte de mercadorias, materiais e alimentos.

O valor não inclui todas as consequências, como dias de funcionamento reduzido, serviços extras e possíveis perdas de faturamento. Portanto, os R$ 348 mil representam o que conseguimos documentar até o momento, não necessariamente o prejuízo final.

Houve perda de alimentos ou outros produtos por falta de energia, danos em freezers, câmaras frias ou pela própria estrutura do supermercado?

Sim. A câmara fria precisou ser desativada após danos no equipamento externo de refrigeração. Só de alimentos preparados, conseguimos pesar e documentar o descarte de 137,4 quilos. Outras perdas também integram o levantamento enviado à Defesa Civil.

É difícil ver alimentos que estavam próprios para comercialização serem descartados por segurança alimentar. Além do prejuízo financeiro, existe a frustração de ver esses produtos perdidos.

Quanto tempo deve levar para que o supermercado volte a funcionar normalmente e quais reparos ainda precisam ser feitos?

Ainda não queremos estabelecer uma data definitiva para a retomada completa, porque seria irresponsável criar uma expectativa que talvez não possamos cumprir.

A recuperação ocorre por etapas e inclui reparos na cobertura, no estacionamento, no acesso ao depósito, na panificadora, no hortifruti e nas calhas. Também precisamos avaliar componentes ligados à refrigeração.

Queremos concluir os trabalhos o mais rápido possível, mas sem abrir mão da segurança. A pressa para retomar as vendas não pode colocar funcionários ou clientes em risco.

Além dos danos materiais, o vendaval afetou o movimento, o abastecimento ou a rotina de funcionários e clientes?

Sim. Supermercado e restaurante têm cerca de 30 funcionários diretos. Considerando também os terceirizados, são quase 60 trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente.

A paralisação afeta funcionários, famílias, prestadores de serviços e fornecedores. Nossa rotina mudou completamente, com colaboradores ajudando na limpeza, reorganização dos espaços, armazenamento e recuperação da operação.

Quando uma empresa local deixa de funcionar, mesmo por poucos dias, toda uma cadeia econômica sente os efeitos.

O desafio de manter a economia viva

Além dos prejuízos materiais, o vendaval trouxe à tona os desafios enfrentados pelas empresas locais e a importância de sua participação na economia de Laranjeiras. Para Guaracy Pacheco, assessor de Gestão e Relações Institucionais do RedeCon, valorizar esses negócios significa também preservar empregos, apoiar famílias e manter a renda circulando no município.

“Muitos supermercados locais são empresas familiares que empregam moradores e contratam prestadores de serviços da cidade. Nos últimos anos, porém, o setor enfrenta a concorrência de grandes redes, que contam com escala e maior poder de compra. Embora essas empresas também gerem impostos e movimentem a economia local, os negócios familiares mantêm uma ligação direta entre seus proprietários, as decisões e a renda gerada no município.

Quando uma empresa local precisa interromper suas atividades após um vendaval, os efeitos vão além das portas fechadas. O prejuízo material é grande e está documentado, mas nossa maior preocupação desde o início foi com as pessoas. Agora queremos reconstruir, retomar a normalidade, preservar os empregos e continuar trabalhando, gerando renda e participando da vida de Laranjeiras”, conclui.

O Jornal Correio do Povo do Paraná também entrou em contato com os demais supermercados atingidos pelo vendaval, mas até o fechamento desta matéria, não obtivemos resposta. O espaço no Jornal permanece aberto.