Laranjeiras oficializa emergência após estragos do temporal

Decreto estabelece condições para agilizar medidas de recuperação e buscar apoio externo; famílias atingidas podem procurar o CRAS para cadastro

O vendaval que atingiu Laranjeiras do Sul na madrugada de 4 de outubro provocou danos em residências, estabelecimentos comerciais e prédios públicos, além de comprometer serviços essenciais. Diante da dimensão dos estragos, o município publicou o Decreto nº 139, de 10 de outubro de 2026, que declara situação de emergência nas áreas afetadas e estabelece condições para avançar nas medidas de resposta, recuperação e reconstrução.

De acordo com registros do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), as rajadas de vento chegaram a 124,2 km/h. Segundo dados da Copel, 12.439 unidades consumidoras ficaram simultaneamente sem energia elétrica. A interrupção no fornecimento também comprometeu o abastecimento de água na área urbana, afetando cerca de 11 mil edificações entre os dias 4 e 6 de outubro.

Segundo a prefeitura, o atendimento à população começou imediatamente após o evento climático, seguindo o plano de contingência municipal. A Defesa Civil e a Assistência Social atuaram no acolhimento das famílias, na identificação das necessidades mais urgentes e na organização dos encaminhamentos necessários.

Paralelamente ao trabalho de campo, equipes técnicas, de planejamento e servidores de diferentes setores concentraram esforços na elaboração de levantamentos, laudos e documentos necessários para fundamentar a declaração de situação de emergência.

O procurador jurídico do município, Jordano Lyon, destaca a atuação integrada das equipes durante esse processo. “Enquanto algumas equipes estavam nas ruas, atendendo diretamente a população, outras trabalhavam na documentação, nos levantamentos técnicos e nos procedimentos administrativos e jurídicos necessários para que o Município pudesse avançar”, afirma.

O que muda com o decreto

A publicação do decreto formaliza a situação de emergência com base nos levantamentos técnicos e permite a mobilização dos órgãos municipais, sob coordenação da Defesa Civil, para as ações de resposta ao desastre e recuperação das áreas atingidas.

A medida também permite agilizar procedimentos para a aquisição de materiais, a contratação de serviços e a realização de obras diretamente relacionadas ao enfrentamento das consequências do vendaval.

Conforme explica o procurador jurídico, a legislação prevê a possibilidade de dispensa de licitação em determinadas contratações emergenciais, desde que sejam atendidos os requisitos legais. A medida não elimina a obrigação de justificar os procedimentos nem os mecanismos de controle sobre a aplicação dos recursos públicos. “Isso não significa ausência de controle. Cada procedimento precisa ter justificativa, finalidade pública e respeito às normas aplicáveis, com responsabilidade e transparência na utilização dos recursos”, ressalta Jordano.

A Procuradoria Jurídica trabalha em conjunto com os demais setores da Administração municipal para dar andamento aos procedimentos necessários à recuperação. O objetivo é garantir respaldo legal e agilidade às medidas voltadas às áreas e aos serviços afetados.

Município poderá buscar apoio estadual e federal

Outro desdobramento da declaração de emergência é a possibilidade de instruir solicitações de apoio aos governos estadual e federal. Com os levantamentos e laudos organizados, o município poderá apresentar a documentação necessária para buscar recursos destinados às ações de recuperação e reconstrução.

A publicação do decreto, no entanto, não representa a liberação automática de verbas. Os pedidos dependem de análise e aprovação pelos órgãos competentes, conforme os procedimentos aplicáveis. Jordano afirma que a formalização é uma etapa importante de um trabalho iniciado logo após o vendaval. “O decreto não marca o início do nosso trabalho. Ele formaliza uma etapa técnica e documental fundamental de um esforço que começou nas primeiras horas após o vendaval e que continua”.

Atendimento às famílias continua

Segundo a prefeitura, as ações de assistência e recuperação seguem em andamento, com equipes mobilizadas para atender a população, identificar necessidades e organizar os encaminhamentos necessários. O Município orienta que todas as famílias que tiveram suas casas atingidas pelo vendaval procurem a Assistência Social para realizar o cadastro, inclusive aquelas que já fizeram os reparos por conta própria, sem receber auxílio direto da prefeitura.

O registro é importante para documentar os prejuízos sofridos e reunir informações sobre as famílias atingidas em uma base de dados municipal, contribuindo para a avaliação de possíveis medidas de apoio previstas na legislação. O cadastramento, no entanto, não garante automaticamente o recebimento de benefícios ou recursos, que dependem dos critérios e procedimentos aplicáveis.

A primeira-dama, Danielle Mendes, reforça que o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) está recebendo as famílias, prestando orientações e esclarecendo dúvidas sobre os atendimentos e encaminhamentos disponíveis. “É importante que nenhuma família deixe de procurar ajuda por acreditar que, por já ter arrumado a casa ou resolvido parte dos problemas por conta própria, não precisa mais buscar a Assistência Social. O CRAS está de portas abertas para receber essas pessoas, orientar e registrar as situações de cada família. Pedimos que procurem a equipe para receber as informações necessárias e entender quais medidas podem ser acessadas”, destaca Danielle.

As famílias que precisarem de atendimento ou orientação podem procurar o CRAS, localizado na Rua Barão do Rio Branco, nº 3170, no bairro São Francisco, em Laranjeiras do Sul, ou entrar em contato pelo telefone e WhatsApp (42) 3635-8120. O trabalho segue integrado entre a Assistência Social, a Defesa Civil e as equipes técnicas e administrativas do Município, com foco no atendimento à população e na continuidade das ações de recuperação após o evento climático.