Cleiton Marques mantém tradição do trabalho artesanal

Profissional destaca a necessidade de precisão, improviso e dedicação na execução de cada projeto

A marcenaria segue como um ofício tradicional que se adapta às mudanças do mercado. Em Laranjeiras do Sul, o marceneiro Cleiton Marques atua há cerca de uma década na área e descreve uma trajetória marcada por aprendizado prático, desafios diários e busca por qualidade no acabamento final.
Segundo ele, a entrada na profissão não foi planejada. “Eu não tive um motivo concreto. Tive uma oportunidade, abracei e aprendi”, afirma. À época, morava em Curitiba e, já casado, viu na atividade uma alternativa de trabalho ao se mudar de cidade. “Hoje já faz cerca de 10, 11 anos que eu conheci a marcenaria”, afirma.

Tecnologia e adaptação
A evolução tecnológica tem influenciado diretamente o setor. Ferramentas digitais e máquinas mais precisas ajudam a reduzir desperdícios e melhorar o resultado final dos móveis.
“Quando você fala em tecnologia, sempre será uma coisa boa, desde um aplicativo para otimizar o tempo até uma máquina que faz um corte mais limpo no MDF”, explica Cleiton. Para ele, esses recursos permitem maior eficiência sem eliminar a necessidade do trabalho manual.

Habilidades e desafios
Entre as habilidades exigidas, Cleiton destaca a capacidade de improviso e solução de problemas. “Ter um plano B e um bom improviso em determinadas ocasiões é de extrema relevância”, afirma. Ele ressalta que o profissional deve evitar barreiras e buscar alternativas para entregar o resultado esperado.
O ritmo acelerado do mercado é apontado como um dos principais desafios atuais. “Hoje o maior desafio é o prazo de entrega. O mundo está muito acelerado, mas a marcenaria precisa de tempo, porque é um trabalho artesanal”, explica.

Experiência marcante
Ao longo da carreira, um projeto em especial se destacou. “O primeiro móvel redondo que eu fiz deu bastante trabalho, mas sabia que conseguia, e consegui”, relembra. Segundo ele, o processo envolveu estudo, perda de material e tentativa até alcançar o resultado esperado. “No final deu tudo certo e entreguei um móvel de qualidade”, afirma.

Valorização do artesanal
Mesmo com o avanço da produção industrial, o marceneiro acredita que o trabalho manual mantém seu espaço. “O trabalho industrializado é bom, mas nada vai superar o trabalho fino da mão de obra na casa do cliente”, diz. Para ele, a etapa final de montagem exige adaptação e atenção aos detalhes.
A escolha de materiais também influencia o resultado. “Existem combinações de cores para um bom projeto, mas nós trabalhamos de acordo com o gosto do cliente”, explica.

Do projeto à entrega
O processo de produção começa no contato com o cliente e passa por várias etapas até a instalação. “Primeiro fazemos o atendimento, depois vamos até a casa para medir, criamos o projeto e definimos cores e acabamentos”, detalha. Após a aprovação, o móvel entra em produção, passa por pré-montagem e, por fim, é instalado no local. “Depois de tudo pronto, levamos para fazer a montagem final na casa do cliente”, explica.
Ao falar sobre a profissão, o marceneiro resume o sentimento que o mantém na área há mais de uma década. “É muito gratificante você pegar algo bruto e transformar em um móvel pronto, ver ele montado na casa do cliente e saber que foi você que fez”, diz. Para ele, mais do que um trabalho, a marcenaria representa realização pessoal. “Cada projeto entregue é um orgulho, porque ali tem tempo, dedicação e cuidado em cada detalhe”, conclui.