Teatro que transforma: TULS celebra 10 anos de cultura viva

Grupo de Laranjeiras destaca trajetória, novos projetos nas comunidades e expansão para o audiovisual

No Mundial do Teatro, celebrado em 27 de março, o ‘Teatro Unificado de Laranjeiras do Sul’, o TULS, comemora uma década de atuação marcada por projetos culturais, oficinas e expansão para novas linguagens artísticas. Fundado em 2016, o grupo nasceu com a montagem de ‘Antônio Meu Santo’, considerada a maior produção teatral já realizada no município.
Segundo a fundadora e tesoureira Serli Andrade, a peça reuniu um grande elenco e teve três apresentações consecutivas com lotação máxima. “Foi uma produção histórica para o município. Depois disso, seguimos com oficinas, projetos comunitários e agora buscamos novamente montar uma grande peça com circulação regional”, afirma.
Ao longo dos anos, o grupo passou a atuar em escolas públicas, bairros periféricos e comunidades do interior. Em 2024, o TULS também entrou no audiovisual com o documentário ‘Periferia, Mulheres e Cotidiano’, indicado como melhor filme na categoria ‘Diversidade e Cidadania’ no ‘Festival Curucaca’, em Guarapuava. “Isso foi um marco importante pra nós”, relembra.
“A gente percebeu que Laranjeiras do Sul tem muitas histórias importantes. Não é porque estamos no interior que não podemos produzir audiovisual de qualidade”, destaca Serli.

Projetos culturais e atuação nas comunidades
Além do cinema, o TULS desenvolveu outros documentários, como ‘A História do Teatro em Laranjeiras do Sul’, e curtas produzidos com coletivos locais. Serli Andrade ressalta que o grupo também atua como ponto de cultura, articulando iniciativas com outras entidades.“A função do ponto de cultura é articular e auxiliar outros grupos. A gente trabalha com associações, clubes de mães e comunidades do interior, ouvindo o que cada local precisa”, explica.Entre as ações recentes está o projeto de letramento literário, que abordou temas como literatura indígena, feminismo e agroecologia. No entanto, o grupo enfrentou dificuldades para acessar as escolas. “Não conseguimos entrar nas salas para divulgar. A falta de espaço para a cultura nas escolas é um desafio que estamos enfrentando”, afirma a fundadora.Outro projeto, as apresentaçãoes promovidas pela presidente Ana, envolvem teatro de fantoches com temática indígena e ambiental. Entretanto, Serli pontua algo interessante, tido por ela como o ponto alto da ação da colega: “Quando pergunto às crianças se existem povos indígenas em Laranjeiras do Sul, o povo responde em coro: não!”. Isso mostra a importância do trabalho cultural e educativo”, relata Ana Cristina.

Formação, desafios e planos para o futuro
O grupo também foi contemplado com editais e prêmios que permitem a realização de oficinas em nove comunidades, com atividades de teatro, percussão, poesia e debates ambientais. “A gente leva o teatro como ferramenta educativa e depois escuta a comunidade. Esse diálogo é fundamental”, diz a presidente.Na próxima semana, dias 03 e 04, cinco integrantes do TULS participarão do ‘34º Festival de Teatro de Curitiba’ para assistir a dois espetáculos e ampliar a formação artística. “Lá nós vamos encontrar profissionais do Rio e São Paulo. Ninguém faz teatro sem ver teatro. Essa experiência ajuda a qualificar nosso trabalho”, afirmam Serli e Ana.Apesar dos avanços, o grupo ainda enfrenta desafios financeiros e estruturais. “O principal objetivo é sobreviver da cultura e conquistar um espaço próprio”, diz Ana. “Queremos um teatro popular, simples, onde todo mundo se sinta à vontade para entrar e participar”, conclui Serli.Com 10 anos de trajetória, o TULS segue ampliando sua atuação cultural e, segundo o grupo, reafirmando o teatro como ferramenta de transformação social em Laranjeiras do Sul.