Escrever para teatro I

Ao longo das últimas décadas tenho me debruçado sobre entender como se escreve para teatro. Os materiais mais comuns, referências bibliográficas sobre criação de personagens e desenvolvimento de tramas, geralmente estão relacionadas ao cinema, à elaboração de roteiros.

Bastante coisa também sobre escrita de romances, contos. Sobre dramaturgia, especificamente, há muitos relatos de experiência em escrita dramática de professores de teatro, livros sobre o pós-dramático, sobre escrita performática. Tirando os clássicos, a Poética de Aristóteles, entre outros, parece que o pensamento sobre a escrita teatral tem se resumido aos debates acadêmicos, às teses de mestrado e doutorado.

Pensando, talvez, que a publicação de dramaturgia é bastante restrita no país e o espaço para encenações de dramaturgos contemporâneos não abarque muito do que se escreve para teatro atualmente, é possível refletir sobre o quanto autores de teatro acabam sendo preteridos, como leitura, em favor de livros com modos de narrar mais comuns, bem aceitos e vendáveis como o romance, as biografias e os contos.

Mesmo a poesia, com seu restrito e seleto público, tem mais leitores do que os textos teatrais publicados. Penso que ler teatro, mais do que qualquer outro gênero, tem se tornado uma raridade entre entre a população com interesse em livros e leitura. Como isso, obras sobre o restrito ofício de escrever teatro, consequentemente, são ainda mais raras. Um personagem que age e fala em um texto teatral talvez seja mais difícil de compreender do que um personagem que é narrado, descrito e analisado por um autor onisciente.

De qualquer modo, não apenas porque fiz da escrita dramatúrgica minha profissão, mas como leitor contumaz de textos teatrais, posso dizer o prazer da leitura de uma obra teatral bem escrita é contundente, avassalador. (continua na próxima semana)