Guerras Híbridas: das Revoluções Coloridas aos Golpes

A Internet, criada na Guerra Fria (Arpanet), expandiu-se globalmente após esse período. Hoje, embora a Guerra Fria oficialmente tenha acabado, as tensões geopolíticas persistem, e a Internet tornou-se uma poderosa arma de guerra. O ciberespaço integra as doutrinas militares dos EUA para projetar poder. As pessoas expõem suas vidas on-line, mas os dados permanecem em data centers de gigantes como Google e Facebook, que sabem mais sobre os usuários do que eles mesmos.

De posse dessas informações, a NSA conhece profundamente as sociedades globais, explorando fraturas identitárias. É nesse cenário que se insere o livro de Andrew Korybko (2015/2018). A obra descreve as Revoluções Coloridas: uso de redes sociais para desestabilizar governos que contrariam interesses dos EUA.

Korybko analisa a Primavera Árabe (2011), destacando que o gatilho foi acionado por agentes estadunidenses e robôs que amplificam mensagens e disseminam fake news. O autor disseca casos da Síria e Ucrânia, inseridos na estratégia de desestabilização do eixo Rússia-China-Irã. Os objetivos incluem: inviabilizar a Nova Rota da Seda, enfraquecer a periferia russa e isolar o Irã para mudança de regime.

Quando a Revolução Colorida fracassa, os EUA recorrem à Guerra Não Convencional: financiam grupos locais para derrubar o governo alvo. A Guerra Híbrida combina ambas as táticas e atinge países que impedem o acesso dos EUA a recursos estratégicos ou que mantêm laços com adversários.

A defesa é complexa. O Estado pode monitorar mídias sociais, mas isso gera rejeição. O cidadão precisa desenvolver senso crítico e checar informações. Lideranças atacadas devem se defender com a verdade, pois fake news podem destruir sua credibilidade.

As Guerras Híbridas vieram para ficar. São conflitos mais baratos, causam menos desgaste à opinião pública e permitem ação encoberta. O ciberespaço é o novo campo de batalha. Matrix é aqui!

Sugestão de leitura:


Título: Guerras Híbridas: das Revoluções Coloridas aos Golpes

Autor:  Andrew Korybko.

Editora:  Expressão Popular, 2018, 176 p.