Qual a função dos feriados nacionais? Proclamação da República

Enquanto sociedade, nossa organização no tempo se constrói em função de calendários instituídos em certos momentos da história, diferentes em

Enquanto sociedade, nossa organização no tempo se constrói em função de calendários instituídos em certos momentos da história, diferentes em várias regiões do globo. São periodizações divididas em função de movimentos da natureza e principalmente, das relações estabelecidas entre nós com a natureza. Sobretudo, da divisão social do trabalho para a transformação da natureza, a fim de garantir nossa sobrevivência e emancipação.

 Não por acaso, herdamos o hábito dos povos mais antigos de reservar um dia ou dois, em uma semana de 7 dias, para o descanso. Entre flutuações de semanas, meses e anos, organizamos nossas rotinas, mas para além delas, o ritmo da agricultura vinculado às sazonalidades das estações do ano e ao elemento religioso, estabeleceu outros marcos temporais: os feriados religiosos. Dias para comemorar boas colheitas ou pedir por elas.  Contudo, em tempos mais recentes, o que as historiadoras e historiadores chamam de período contemporâneo, os feriados também passaram a se relacionar com marcos temporais civis, ou seja, fatos importantes das relações entre os seres humanos em sua vida em sociedade, em um dado território. São dias para além do descanso, dias em que se rememora percalços da nossa vida em coletividade, por sua vez, fazem parte de nossa memória social e mais propriamente, podem se relacionar com a memória nacional, estadual ou municipal.

No Brasil, a cada ano temos 3 feriados civis nacionais: Tiradentes, Independência do Brasil e Proclamação da República – exceção Dia do Trabalhador, feriado universal – referentes à nossa organização política. Este último, lembrado neste 15 de novembro, rememora acontecimentos de 132 anos atrás. Diferentes formas de gerência da vida coletiva foram experimentadas ao longo do processo histórico, em uma pluralidade de sociedades. Entretanto, como processo histórico emancipador, procuramos encontrar formas menos desiguais e mais democráticas de exercer a administração pública. Nesse caminho, na história da administração do território brasileiro, os ocidentais portugueses estabeleceram o poder sob estas terras, já ocupadas por povos originários e a transformaram em uma colônia, vinculada ao aparelho administrativo da Europa, obviamente de Portugal. Entre tropeços, processos emancipatórios estabeleceram nossa independência em relação à Europa e passamos a ter nosso próprio aparelho administrativo, porém, administrados por uma monarquia: um rei instaurado no poder de forma hereditária, o qual permanecia até sua morte. Assim, o poder passava de pai para filho, centrado sempre na figura masculina.

No entanto, em outros países independentes já vigorava outro sistema: a república. No qual, os governantes civis, não necessariamente vindos de uma determinada família, com um gênero específico ou herdeiros de um trono para a vida toda, são eleitos por um curtíssimo período. Com isso, a intenção dos sistemas republicanos, derivados da Revolução Francesa, é ampliar a soberania popular e diminuir as desigualdades sociais entre as diferentes pessoas. Para tanto, o feriado, para além de um dia de descanso, representa também uma simbologia dos mais diversos percalços para se alcançar estes pressupostos na sociedade brasileira.

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