Reconstrução do ideal

Obstinando pela manutenção da pureza da mensagem cristã primitiva, os paladinos da doutrina ivectivaram contra qualquer mancomunação com as imposições

Obstinando pela manutenção da pureza da mensagem cristã primitiva, os paladinos da doutrina ivectivaram contra qualquer mancomunação com as imposições do arbitrário domínio mundano.

                Doavam a vida em holocausto, mas não cediam; exprerimentavam opróbrios, porém, não concordavam; marchavam sozinhos, porém, não aceitavam o enxerto prejudicial à seiva do Cristianismo. Pelejaram o bom combate, deixando definidas as linhas do vero ideal, indenes às arremetidas profanas de reis, sacerdotes vaidosos, que caricaturaram o pensamento do Cristo, apresetando, no formalismo e nos rituais cansativos, carentes de conteúdo, uma religião que é antípoda àquela que foi vivida pelo Mestre, em augusta simplicidade e pureza. Substituindo o culto pagão, tradicional, por outro equivalente, rotulando de cristão, aproveitaram-se mármores e bronzes antigos, que representavam as deidades mitológicas para neles esculpirem os novos santos e mártires. Abandonaram a pulcridade da natureza e a singeleza das casas de reunião para erigirem templos faustosos, onde se pudessem guardar tesouros que faziam falta, pela carência de pão, às massas agoniadas.

                Ofereciam ao povo remotas possibilidades de salvação, como os Césares, que antes doavam pão e prazer nos circos imensos.

                A politicagem astuta uniu a fé ao Estado e passaram os perseguidos a perseguidores impiedosos, em nome do Mártir da Cruz. A opulência enlouqueceu os seguidores dos “homens do Caminho”, que se autopromoveram à santificação, na Terra, insensibilizando-os a respeito dos problemas do povo a quem diziam servir. Competiam e ultrapassavam os reis do mundo, sobre os quais exerciam autoridade, a uns coroando e a outros derrubando, jugulados a interesses  inconfessáveis.

                Cercaram-se de luxo e ociosidade, disfarçando os sentimentoe e paixões inferiores sob as máscaram dissimuladoras de um novo farisaísmo. Na sede insaciável do poder e no receio reurótico de perdê-lo, confundiram a Mensagem, envolvendo-a em dogmas e bulas, interpretações esdrúxulas e absurdas, dificultando a claridade men tal dos aprendizes em relaçãoao ensino.

                … E Jesus, que proclavara aos Seus discípulos: “O que eu vos disser em segredo, dizei-o abertamente”, negando privilégios e elitismos espirituais, em detrimento dos sofredores, para os quais, afinal, Ele viera…

                Da antiga intolerância sistemática, passa-se hoje à convivência, quando conveniente, tomando os pobres como pano de fundo dos seus discursos, sem abdicarem dia fortun a em que se comprazem, para que seja diminuída a penúria dos infelizes.

                O Espiritismo tem a missão de restaurar o Cristianismo primitivo.

                Precatem-se os novos trabalhadores contra o vírus da presunção, o incenso da vaidade, os partidos do egoísmo. A ciência espírita está destinada a contribuir para bem da Humanidade com a documentação incontestável do fato probante da imortalidade da alma, da reencarnação, da vida espíritual sem retorques nem exegeses.

                Demonstrar a sobreviência, mediante a experimentação em laboratório, é o seu fanal.

                A filosofia espírita tem o desiderato de elucidar os problemas da vida e dos seus aparentes enigmas, em linguagem clara e acessível, de modo a conduzir o homem, responsabilizando-o e conscientizando-o dos compromissos que lhe dizem respeito perante a vida, a sociedade, o próximo e ele mesmo.

                A religião espírita, como efeito das posições do conhecimento e do comportamento, unirá todas as criaturas, tornando-as fraternas, favorecendo o culto e adoração a Deus, em “espírito e verdade”, ao mesmo tempo repetindo a vivência da caridade como regra máxima de conduta pessoal, conforme os padrões evangélicos em que pautaram a vida, o Mestre e os Seus discípulos.

                Como a divina sabedoria, sempre retira de tudo o melhor, para o proveito e o progresso da criatura humana, os que confundiram a paloavra do Evangelho, retornam para libertá-la; os que se empenharam na edificação de templos e altares volvem para transformá-los em museus de arte e história e, enquanto o mundo rapidamente se transforma às expensas da Tecnologia e da Ciência, os homens, veramente tocados por Jesus, laboram pela reconstrução do ideal evangélico nas mentes e nos coração, a fim de salvarem e dignificarem os sofredores de todo o planeta, nos estertores em que padecem.

Do Livro: ROTEIRO DE LIBERTAÇÃO. Diversos Espíritos. Joanna de Ângelis (Espírito), psicografia de Divaldo Pereira Franco. Livraria Espírita Alvorada. 1ª Ed. – Salvador-BA. 1981.

Manoel Ataídes Pinheiro de Souza, CEAC Guaraniaçu – PR. [email protected]

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