Renovação pela educação

Manoel Ataídes Pinheiro de Souz – CEAC Guaraniaçu PR. [email protected]

Educar é tirar de dentro para fora e não introduzir de fora para dentro.

            Todos possuem em estado de latência poderes e faculdades maravilhosas cujo desenvolvimento harmônico e progressivo deve constituir o objeto da educação.

            Se os nossos esforços se focalizarem numa determinada faculdade deixando as demais em abandono, produziremos indivíduos anômalos, contituindo povos desequilibrados, verdadeiros aleijões morais.

            É precisamente esse o quadro doloroso que nos apresenta o panorama internacional, onde as nações não conseguem encontrar o equilíbrio que as mantenha dentro do ritmo natural da Vida.

            Agindo como rivais, na persuasão de acautelar interesses particulares, todas elas, outra coisa não têm feito senão cavarem a ruína comum, gerando conflitos e convulsões internas a par de guerras cruentas e fratricidas que colimam na destruição das suas mais decantadas e vultosas realizações.

            Procurando a causa de tão inominável insânia que vem, através de séculos e mlênios, mantendo a Humanidade nesse estado de demência coletiva, vamos encontrá-la na educação unilateral, ou seja, na monocultura da inteligência com menosprezo do sentimento.

            Já ensinou o inigualável Educador de Nazaré que só há um pecado e uma virtude: esse pecado é o egoísmo essa virtude é o Amor. O mais tudo, seja na esfera do mal, seja na esfera do bem, são efeitos que daqueles dois elementos decorrem.

            O egoísmo tem suas raízes mergulhadas nas profundezas do nosso passado, requerendo por isso grande soma de esforços a sua erradicação. Nada obstante, os homens porfiam em acoroçoá-lo, de vez que a inteligência, muito amanhada, sem o controle de sentimento, fornece ambiente e terreno propício à sua expansão cada vez mais acentuada. E o nosso mundo acha-se sob o despotismo da inteligência. Daí o grande surto de progresso verificado no plano utilirário e material, contrastando escandalosamente com a barbárie e brutalidade reinantes em todas as camadas sociais.

            A inteligência, atendendo aos reclamos egoístas, constrói sobre a areia. Suas obras, portanto, não oferecem estabilidade e segurança, ruindo, a cada passo, sob o fragor das paixões desencadeadas. Tratados e convênios, pactos er ajustes jamais solucionarão o problema da paz internacional tampouco aqueles de ordem social interna, como o pauperismo, o desemprego, a orfandade, o vício e o crime. Só a educação sob o seu aspecto harmônico e congruente, devidamente compreendida em sua finalidade, conjurará as nossas velhas e debatidas questões. Qualquer outra medida não passará de paliativos aleatórios e estéreis, conforme os fátos vêm demonstrando cabalmente.

            A nossa sociedade é uma enferma entregue nas mãos de curandeiros e charlatães que se preocupam em combater sintomas, visando com isso impressionar a doente cujo estado se agrava continuamente. Todas as perturbações sociais, de caráter nacional ou internacional, são fenômenos acidentais, revelando um estado mórbido geral e permanente que ainda não foi localizado pelos bisonhos terapeutas que rodeiam o leito da extenuada enferma. A moléstia, no entanto, vai se definindo cada dia com mais evidência.

            Trata-se de lepra da alma assinalda na insensibilidade moral que caracteriza o homem deste século.

            Eduque-se o sentimento, cultive-se a ciência do bem que é a ciência do coração, e ver-se-á a moléstia decrescerr e a enferma entrar em franca convalescença.

            Urge dar essa orientação ao problema educacional. A Humanidade precisa ser reformada. Do interior do homem velho cumpre tirar o homem novo, a nova mentalidade cujo objetivo será desenvolver o amor na razão direta do combate às multiforme modalidades em que o egoísmo se desdobra. A renovação do caráter depende da renovação dos métodos e processos educativos.

            Cabe ao Espiritismo a nobre e grandiosa missão de iniciar esse trabalho fundando – núcleos – cuja finalidade seja produzir uma geração nova, cristianizada, opondo-se desse modo, à – velhs escola – que se esforça em submeter ou sufocar os germes de renovação procurando adaptar a juventude que desponta às exigência de um ambiente deletério, corrupto, inflado de vaidades e prenhe de hipocrisia.

            Inspiremo-nos nas seguintes palavras do inolvidável Apóstolo dos Gentios: “Não vos conformeis com este mudno, mas tranformai-vos pela renovação de vossa mente, para que saibais qual é a boa e perfeita vontade de Deus”.

Livro: O MESTRE NA EDUCAÇÃO. Vinícius. Federaçao Espírita Brasileira. Rio de Janeiro – RJ. 10 ed. 2009

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