Levantei um dado essa semana que não me sai da cabeça: o termo mais buscado no Google, na área de saúde mental, é “ansiedade”. Em quase todos os países pesquisados. E quem mais digita essa palavra na busca, de longe, são mulheres.
Não precisei de estatística pra desconfiar disso. Basta olhar minha agenda.
Chega gente no consultório dizendo “acho que é ansiedade” antes mesmo de contar o que está sentindo. Como se o diagnóstico tivesse virado a porta de entrada, e não o desfecho de uma escuta. Pesquisam o sintoma antes de nomear o cansaço. Buscam remédio pro coração acelerado antes de perguntar por que ele acelera.
E o que mais vejo, principalmente nas mulheres que atendo, é uma ansiedade que nasce de excesso de função. Não é frescura, não é fraqueza, não é “coisa da cabeça” como ainda se ouve por aí. É o corpo avisando que a conta não fecha: trabalho, casa, filho, cuidado com os pais, cobrança estética, cobrança profissional, cobrança emocional. Uma mulher que atendi outro dia resumiu bem: “eu não paro, e quando paro, é pra sentir culpa por ter parado”.
Essa busca incansável por explicação no Google também diz algo bonito, na verdade: é gente tentando entender a própria dor antes de desistir dela. O problema não é procurar informação. É quando a busca substitui o cuidado, quando o diagnóstico de internet vira rótulo fixo, e a pessoa passa a se organizar em torno de um nome, sem nunca ter sido ouvida de verdade sobre o que esse nome esconde.
Ansiedade não é só um transtorno. Muitas vezes é sintoma de uma vida que exige mais do que a pessoa tem estrutura pra sustentar sozinha. E isso a internet não resolve, por melhor que seja o algoritmo.
Se você se pegou pesquisando “sintomas de ansiedade” essa semana, talvez a pergunta certa não seja “o que eu tenho”, mas “o que, na minha vida, está pedindo socorro”. Essa segunda pergunta, nenhuma busca responde sozinha. Precisa de alguém do outro lado, ouvindo sem pressa.
Te espero na terapia.
Até semana que vem.
Nezia Santos
Psicóloga – CRP 08/31716.



