A busca do Athletico Paranaense por desafiar a matemática

Um dos maiores desafios para uma equipe que se vê disputando duas ou mais competições simultaneamente é conseguir manter o

Um dos maiores desafios para uma equipe que se vê disputando duas ou mais competições simultaneamente é conseguir manter o mesmo nível de entusiasmo e comprometimento em todos os jogos que faz. E o desafio se torna ainda maior quando esse clube disputa a Série A do Brasileirão –  provavelmente um dos campeonatos nacionais mais difíceis do mundo – ao mesmo tempo em que busca ir longe em competições como a Copa do Brasil e/ou a Taça Libertadores da América, as quais oferecem premiações muito atraentes para aqueles que chegam às suas respectivas fases finais.

Este tem sido o caso do Athletico em 2020. Graças à conquista de sua primeira Copa do Brasil no ano passado, o Furacão entrou direto na fase de grupos da Libertadores deste ano, quando enfrentou o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e também o Peñarol, do Uruguai, e o Colo-Colo, do Chile. Pode-se dizer que a equipe brasileira se saiu bem, já que o segundo lugar no grupo C se deveu apenas ao fato de ter levado um gol a mais do que os bolivianos. No entanto, a má campanha do Athletico no Brasileirão até então foi determinante para que, após a definição dos confrontos das oitavas de final, um renomado site de palpites de futebol ao vivo oferecesse, em 14 de novembro, um retorno de 26 para o título da equipe paranaense.

É provável que a referida cotação por si só não diga muito para quem não acompanha a atual edição da principal competição entre clubes da América do Sul. Mas a distância entre o Athletico e outras equipes do continente pode ser mais facilmente entendida se constatarmos que o retorno oferecido por esse mesmo site pelos títulos de Palmeiras ou de Boca Juniors era de apenas 4.5, ou seja, mais de cinco vezes menor do que o que era oferecido pelo título do Furacão. Também, pudera: àquela altura havia acabado de chegar ao fim o primeiro turno da Série A do Brasileirão, e a equipe de Paulo Autuori se via na zona de rebaixamento da competição, com 19 pontos em 19 jogos.

Muito embora até aquele momento a partida mais recente do Athletico houvesse sido uma vitória de 2 x 1 sobre o Fortaleza na Arena da Baixada, antes disso o time vinha de uma sequência de nada menos do que sete partidas seguidas sem conseguir uma única vitória na primeira divisão – e 11 no total, se formos levar em conta também aquelas que foram disputadas nesse período tanto pela Libertadores quanto pela Copa do Brasil. Não foi por acaso que uma matéria do portal ge, publicada pouco antes do encontro com o Goiás na Serrinha, dava ao Rubro-Negro alarmantes 59% de chance de rebaixamento neste ano, de acordo com o matemático Tristão Garcia.

É claro que isso seria um verdadeiro vexame para um clube que vê a sua marca se tornar cada vez mais conhecida inclusive internacionalmente e que, de um modo geral, vinha se mantendo sem maiores sustos na elite nacional desde o seu retorno, em 2013. No entanto, considerando que 45 pontos é tido como o número ideal para se escapar do rebaixamento, não seria prudente menosprezar a dificuldade que será conquistar 26 pontos nos 19 jogos deste segundo turno. Ou, para colocar em outros termos, isso representaria um aproveitamento de 45,6%. Simples?  Talvez para um dos clubes do G4, mas não para uma equipe que terminou o primeiro turno com apenas 33,3% de aproveitamento.