“A minha mãe sempre disse que vovó é a mãe com açúcar, né?”

Fundadora da ‘Doceria da Vovó’, Daiane Brandiell transformou a memória da avó e o apoio à mãe, parceira nos doces, em um negócio marcado por afeto

A história da ‘Doceria da Vovó’ nasceu dentro de casa e a partir de um momento delicado da família de Daiane Brandielli, em Laranjeiras do Sul. O projeto começou como uma tentativa de ajudar a mãe, dona Maria Helena, a enfrentar a depressão, que teve início após a morte da avó de Daiane, em 2022. O que era uma forma de ocupação e carinho acabou se transformando em um pequeno negócio que hoje atende festas e eventos na cidade. “Foi uma necessidade, eu diria, porque a minha mãe tem depressão e quando a minha avó faleceu a situação ficou mais difícil”, afirma Daiane. “Eu precisava fazer alguma coisa por ela”.
A ideia surgiu em junho de 2023, mês do aniversário dela e do marido, João. “Eu pedi para ela fazer uns docinhos para a nossa festa”, conta. “Começou como uma brincadeira em família”.
Daiane lembra que a intenção inicial era apenas ocupar a mãe com pequenas tarefas do dia a dia. “Eu falava para ela buscar um ingrediente, comprar uma forminha, escolher uma caixa”, diz. “Era uma forma de entreter ela”. Os doces agradaram familiares e amigos. “Depois disso, em todos os aniversários da família, eles pediam para nós fazermos”, relata. “Foi aí que percebi que aquilo poderia ir além”.

Homenagem à avó
O nome do empreendimento carrega uma memória afetiva importante para Daiane. “O nome tem um duplo sentido”, explica. “Primeiro porque eu queria homenagear a minha avó, que foi uma mãe para mim”.A lembrança da avó ainda é uma referência constante. “Eu gostaria muito que ela tivesse visto a gente nessa atividade”, diz. “Ela sempre foi um exemplo de mulher para mim”.A escolha do nome também busca despertar uma sensação de carinho nos clientes. “Quando lembro da minha avó, penso em amor e em cuidado”, afirma. “A ideia da doceria é trazer essa sensação de sobremesa de vó, aquela coisa guardada na memória”.Daiane recorda uma frase repetida pela mãe ao longo da vida. “A minha mãe sempre disse que vovó é a mãe com açúcar, né”, diz. “É aquela pessoa que tem mais tempo, mais paciência e muito carinho”. Segundo ela, o mesmo sentimento se repete agora com o próprio filho. “Eu sempre digo para ele que, se amar a minha mãe como eu amei a minha avó, vai ser muito feliz”, afirma.

Aprendizado e crescimento
Antes da doceria, Daiane nunca havia trabalhado com confeitaria. Durante o dia, ela atua na área administrativa da empresa de madeira da família. “Eu só sabia fazer brigadeiro de panela”, lembra. “Não tinha ideia de como vender doces”.O aprendizado veio com tentativa e erro. “Foi errando, errando e não desistindo”, conta. “A gente começou devagarinho, engatinhando”.Para aperfeiçoar as receitas, ela buscou formação na área. “Eu fiz uma pós-graduação em brigadeiros gourmet e confeitaria”, diz. “Foi ali que descobri muito sobre esse universo”.A mãe segue sendo parte importante do processo. “Ela ainda faz muitas das massas”, afirma. “Eu ajudo antes de ir trabalhar, à noite e nos finais de semana”.No início, conquistar clientes foi o principal desafio. “Eu precisava ganhar espaço e mostrar meu trabalho”, diz. “A minha família e a família do meu esposo ajudaram muito”.Entre os produtos mais pedidos, um clássico lidera as encomendas. “O brigadeiro é o carro-chefe”, afirma. “Não existe festa sem brigadeiro”.Outros sabores também conquistaram o público. “O ninho com Nutella e o surpresa de uva saem muito”, conta. “Mas o brigadeiro sempre está presente”.Para Brandielli, cada pedido tem um significado especial. “Nunca é só um brigadeiro. Eu coloco ali todo o meu amor”, afrima.A reação dos clientes é o que mais a motiva a continuar. “Quando a pessoa abre a caixa e sorri, é uma satisfação enorme. Eu me sinto muito realizada”, diz.Prestando serviços há quase três anos, a doceria segue funcionando paralelamente à rotina profissional da empreendedora. Mesmo assim, Daiane já percebe o crescimento do trabalho. “Eu olho fotos dos primeiros doces e vejo o quanto evoluí”, afirma. “Deus me abençoou com muitos clientes”.Os planos de expansão existem, mas ainda sem prazo. “Quem sabe um dia a gente consegue ter um negócio próprio”, diz. “Por enquanto, seguimos fazendo tudo com muito carinho”.