As adaptações dos vendedores autônomos em meio ao isolamento da pandemia

Trabalhadores laranjeirenses precisaram usar a criatividade e se reinventar

Vendedor autônomo é uma profissão antiga e que na pandemia tornou-se uma alternativa para quem está desempregado. A atividade, porém, não é adotada apenas por quem está fora do mercado. Existem pessoas que construíram carreira como vendedor, conquistando clientes fiéis e até passaram a profissão para outras gerações da família.
Mas o risco de contaminação parece ter afastado os consumidores tanto das lojas quanto do comércio de rua, onde se concentram os trabalhadores mais afetados pelo isolamento social como os vendedores ambulantes. 


Isolamento
Um bom exemplo são os vendedores laranjeirenses Abner José e André Elias, que estavam no mercado há quatro anos no ramo alimentício de salgados. Para eles, a pandemia foi um grande choque, pois as vendas caíram muito. 
“Era um trabalho por conta que tinha uma grande certeza de renda, pois para mim nada poderia me parar’’, afirma Abner.
Logo quando começou o isolamento, os vendedores procuraram a vigilância sanitária, que os aconselhou a continuar trabalhando apenas por encomenda, para proteção dos vendedores e clientes evitando o contágio. Contudo tiveram um retorno um pouco mais lento, porém de grande ajuda.
Para manter-se, eles tiveram que usar a criatividade, procurar outros meios de manter as vendas. “O que ajudou muito foi a compreensão dos clientes por saberem que as medidas de segurança são necessárias, fiz uma transmissão pelo whatsapp, mandei mensagens constantemente e fotos dos produtos a eles para incentivar as encomendas” ressalta Abner.
Segundo eles, já existia um certo preconceito à profissão. Porém depois da Covid-19, o medo cresceu nas pessoas. “Isso me restringiu a vender somente para quem já era cliente há muito tempo e conhecia meus produtos’’, comenta o trabalhador.
Para os ambulantes, a maior dificuldade foi se adaptar ao novo estilo de trabalho, pois estavam acostumados a vender o produto cara a cara com o cliente, mas se acostumaram logo com a nova proposta. 
“Agora por celular e pelas redes sociais não é a mesma coisa que estar de frente com as pessoas apresentando os produtos, porém necessária a mudança’’, complementa Abner.
Já Franciele Severiano, vendedora autônoma de hortaliças, no mercado municipal de Laranjeiras do Sul, conta que sofreu muito com as alterações devido a Covid-19.
“Mesmo que não tenham fechado a feira, o movimento reduziu muito, pois nosso maior público eram pessoas de mais idade, continuamos com os devidos cuidados para proteção, mas as pessoas tem um certo receio” explica.
“O que nos salvou foram as encomendas pelo Whatsapp,  também o fornecimento dos produtos para as escolas que entregaram cestas para alunos carentes, e tudo com a devida proteção para a segurança de todos” relata Franciele.


Auxílio emergencial 
O auxílio emergencial de R$ 600 (R$ 1.200 para mães chefes de família), aprovado pelo Congresso Nacional e pago pelo governo federal, foi de grande ajuda para os trabalhadores.
“Apesar da demora para aprovar, foi de muita importância a ajuda do governo, tinha o apoio da família mas precisava colaborar nas despesas, o mais complicado é para quem depende exclusivamente das vendas para se manter, pagar aluguel, e alimentar a família”, afirma o vendedor Abner.
Os trabalhadores autônomos e informais tentam se preparar para mais dias de isolamento, se reinventando e buscando novas saídas para suas vendas, pois a prevenção é fundamental .
 

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