O desrespeito à piracema rende multas e apreensões

A Polícia Ambiental implantou uma patrulha aquática que está atuando desde último dia 15

O período de restrição à pesca de espécies nativas no Paraná, chamado de piracema, começou no dia 1° de novembro e terminará no dia 28 de fevereiro de 2021.
São protegidas todas as espécies nativas do Estado, como bagre, dourado, jaú, pintado e lambari. É durante esse período que a maioria delas se reproduz.
Considerando o comportamento migratório e de reprodução, a pesca é proibida na bacia hidrográfica do Rio Paraná, que compreende o rio principal, seus formadores, afluentes, lagos, lagoas marginais, reservatórios e demais coleções de água inseridas na bacia de contribuição do rio.
A restrição é instituída pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama), pela Instrução Normativa nº 25/2009. A restrição anual acontece há mais de 15 anos.
Não entram na restrição as espécies consideradas exóticas, que foram introduzidas no meio ambiente pelo homem, como bagre-africano, apaiari, black-bass, carpa, corvina, peixe-rei, sardinha-de-água-doce, piranha-preta, tilápia, tucunaré e zoiudo. Além de híbridos – organismos resultantes do cruzamento de duas espécies.


Piracema

A piracema pode ser definida como um movimento migratório em que alguns peixes deslocam-se até a cabeceira dos rios, ou seja, rio acima em busca de um local ideal para a reprodução. É um fenômeno que ocorre com diversas espécies de peixes ao redor do mundo, sendo uma importante estratégia reprodutiva. A captura de grande quantidade desses peixes nessa época pode ocasionar uma diminuição da população de uma determinada espécie, prejudicando, assim, o meio ambiente.


Fiscalização

Mesmo faltando quase três meses para o término da piracema, muitos pescadores ignoram a lei. Para fortalecer a fiscalização a Polícia Ambiental implementou desde o último dia 15 a patrulha aquática que tem feito grandes apreensões na região.
Segundo a tenente da Polícia Ambiental de Guarapuava Gisleia Aparecida Ferreira, desde que começou a atuar, a patrulha já apreendeu 3.100 metros de redes e mais de 350 kg de peixes.
“ Tivemos algumas apreensões muito expressivas. Desde o dia 15 só na região do alagado de Salto Santiago, entre Rio Bonito e Porto Barreiro, foram apreendidos 2.100 metros de redes. Em Pinhão no Foz do Areia foram apreendidos mais de 1.000 metros de redes”, conta.
Últimas apreensões
No último dia 17, no município de Porto Barreiro foram encontrados às margens do alagado 1.410 metros de redes e 273 Kg de pescados (lambari e peixe-rei). As redes e os peixes estavam em um galpão e duas pessoas foram presas e encaminhadas à delegacia da Polícia Civil de Laranjeiras.A conduta rendeu aos infratores multas ambientais no valor total de R$ 16 mil.
Na última segunda-feira (28), ocorreram apreensões em Rio Bonito, onde a Polícia Ambiental apreendeu mais 410 metros de redes e 18 Kg de peixes nativos. Os responsáveis foram presos e multados em R$3.600.


Multa

Quem for flagrado pescando em desacordo com as restrições determinadas será enquadrado na lei de crimes ambientais. A multa é de aproximadamente R$ 700 por pescador e mais de R$ 20 por quilo de peixe pescado. Além disso, os materiais de pesca, como varas, redes e embarcações, poderão ser apreendidos. O transporte e a comercialização também serão fiscalizados.