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Autismo: especialista fala sobre aumento de casos, sintomas e importância do diagnóstico precoceAutismo:

Aniele da Cruz é neuropsicopedagoga e ativista na Fundação Colibri. Desde 2018, a entidade luta pela construção de um centro especializado para familiares e autistas em Laranjeiras

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem crescendo em todo o mundo, afetando 1 em cada 44 crianças, segundo dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). No Brasil, estima-se que existam mais de 2 milhões de pessoas com autismo.

Em entrevista ao Jornal Correio do Povo do Paraná, a professora especializada em Neuropsicopedagogia Clínica, Aniele Aparecida da Cruz, fala sobre o panorama atual do TEA.

Pergunta: Qual é o seu nome, formação e experiência?

R: Aniele Aparecida da Cruz. Graduada em Letras Português – Unicentro Pedagogia- UNAR. Especializada em Neuropsicopedagogia Clínica, Aplicadora Técnica Análise do Comportamento Aplicada (ABA) – UFSCAR, Atendimento Educacional à Autistas desde 2017 na rede pública e desde 2021, rede privada. Ativista na ONG Fundação Colibri, desde 2018, com a elaboração do Projeto Integrar, que visa a construção de centro especializado para intervenções multiprofissionais ao público autista em Laranjeiras do Sul.  Participante em inúmeros Congressos sobre Políticas Públicas de Inclusão, Cursos, Eventos, importantes documentos estaduais e nacionais acerca do Transtorno do Espectro do Autismo, como o Censo Estadual, PL 710. Atuante com avaliações diagnósticas e intervenções precoces em clínica especializada para a evolução e inclusão de forma individualizada. Professora na rede municipal e até o ano de 2023, na rede estadual, com Sala de Recursos para Altas Habilidades e Superdotação.

Pergunta: Os casos de autismo parecem estar se multiplicando pelo mundo. Qual o atual panorama?

R: O autismo é um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação, o comportamento social e a interação. Embora a taxa de diagnóstico de autismo tenha aumentado nas últimas décadas, parte desse aumento pode ser atribuída a uma melhor detecção e diagnóstico, bem como a uma ampliação dos critérios de diagnóstico.

O panorama atual do autismo mostra uma prevalência crescente em muitas partes do mundo. No entanto, é importante notar que a prevalência pode variar significativamente de um país para outro, devido a diferenças culturais, acessibilidade aos serviços de saúde mental e níveis de conscientização sobre o autismo.

Vários estudos têm sido conduzidos para investigar os possíveis fatores que contribuem para o aumento da prevalência do autismo. Alguns pesquisadores sugerem que fatores genéticos, ambientais e até mesmo mudanças nos critérios de diagnóstico podem desempenhar um papel nesse aumento.

Apesar do aumento na conscientização e na pesquisa sobre o autismo, ainda há muitas lacunas no entendimento completo desse distúrbio. Há a necessidade de mais pesquisas para entender as causas, os fatores de risco e os melhores métodos de intervenção continua sendo uma prioridade na comunidade científica e médica. Além disso, é crucial garantir o acesso a serviços de diagnóstico precoce, intervenção e apoio para indivíduos com autismo e suas famílias em todo o mundo.

Pergunta: Quais são os principais sintomas? Existe idade para começar o tratamento?

R: O autismo é um distúrbio com sintomas variados, incluindo dificuldades na comunicação e interação social, padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos. Os sintomas comuns incluem atrasos na linguagem, problemas em estabelecer relacionamentos sociais, comportamentos repetitivos e interesses intensos em áreas específicas. O tratamento precoce é crucial e pode incluir terapia comportamental, terapia da fala, terapia ocupacional e educação especializada, adaptadas às necessidades individuais de cada pessoa com autismo. A colaboração entre profissionais de saúde e educação é essencial para garantir o melhor resultado a longo prazo.

Pergunta: Qual a importância do neuropsicopedagogo nas hipóteses diagnósticas e intervenções?

R: O Neuropsicopedagogo desempenha um papel crucial no processo de avaliação, diagnóstico e intervenção para crianças e adultos com distúrbios neurológicos, incluindo o autismo. Cito algumas das maneiras pelas quais somos importantes:

Avaliação abrangente: O Neuropsicopedagogo realiza avaliações detalhadas das habilidades cognitivas, emocionais e comportamentais do indivíduo. Isso pode incluir avaliação de habilidades de linguagem, habilidades acadêmicas, funcionamento executivo, habilidades sociais e comportamentais. Essa avaliação ajuda a identificar áreas de força e fraqueza, bem como padrões de funcionamento que podem indicar a presença de distúrbios como o autismo.

Identificação precoce: O Neuropsicopedagogo pode ser fundamental na identificação precoce de sinais e sintomas de distúrbios neurológicos, incluindo o autismo. Quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais cedo as intervenções adequadas podem ser implementadas, o que pode melhorar significativamente os resultados a longo prazo.

Colaboração interdisciplinar: O Neuropsicopedagogo muitas vezes trabalha em equipe com outros profissionais, como psicólogos, terapeutas da fala e linguagem, terapeutas ocupacionais, médicos e educadores especiais. Essa colaboração interdisciplinar é essencial para garantir uma compreensão abrangente das necessidades do indivíduo e para desenvolver um plano de intervenção eficaz.

Desenvolvimento de intervenções personalizadas: Com base na avaliação abrangente, o Neuropsicopedagogo é capaz de desenvolver intervenções personalizadas que atendam às necessidades específicas do indivíduo com autismo. Isso pode incluir estratégias educacionais adaptadas, programas de intervenção comportamental, treinamento de habilidades sociais e apoio para a família.

Monitoramento e ajuste contínuos: O Neuropsicopedagogo acompanha o progresso do indivíduo ao longo do tempo e faz ajustes nas intervenções conforme necessário. Isso garante que o plano de tratamento seja flexível e adaptado às mudanças nas necessidades e habilidades do indivíduo.

Em resumo, o Neuropsicopedagogo desempenha um papel essencial no processo de diagnóstico e intervenção para indivíduos com autismo, ajudando a garantir que recebam o suporte necessário para alcançar seu potencial máximo.

Pergunta: Em que casos são prescritos remédios? O autista pode levar uma vida normal?

R: Os medicamentos para o autismo são prescritos para tratar sintomas específicos, como ansiedade, agressividade, hiperatividade, dificuldades de sono e impulsividade. Não há um medicamento específico para tratar o autismo em si, mas sim para ajudar a gerenciar os sintomas associados. Exemplos incluem antipsicóticos, estimulantes, antidepressivos, ansiolíticos e reguladores do sono. A decisão de prescrever tais medicamentos é feita em consulta com um médico, considerando a gravidade dos sintomas e os efeitos colaterais potenciais. Quanto à vida normal, o autismo é um espectro, com sintomas e capacidades variáveis, e muitos indivíduos com autismo levam vidas produtivas e significativas, alcançando sucesso em suas carreiras, relacionamentos e atividades pessoais.

No entanto, é importante destacar que o conceito de “vida normal” pode variar de acordo com as necessidades e metas individuais de cada pessoa. O objetivo principal é garantir que os indivíduos com autismo tenham acesso a apoio e recursos adequados para desenvolver suas habilidades, alcançar suas metas pessoais e participar plenamente da sociedade.

Intervenções precoces, incluindo terapias comportamentais e educacionais, podem desempenhar um papel crucial no desenvolvimento de habilidades sociais, comunicativas e de vida diária em pessoas com autismo. Além disso, o apoio da família, de professores e de profissionais de saúde pode ajudar a promover a inclusão e a autonomia dos indivíduos com autismo em suas comunidades.

Serviço

Agendamento via Instagram @aniele_cruz_ ou telefone (42) 99141-2045 e (42) 99807-8338