Fui conhecer uma cultura. Voltei com muitos amigos e conhecimento na mala

O intercambista Dirceu Junior ficou um ano no México. Ele é o primeiro laranjeirense contemplado por um programa do Rotary Internacional, fez as viagens com tudo pago, após disputar a vaga com estudantes de outros 110 municípios

No dia 17 de setembro de 2019, o laranjeirense Dirceu Junior deixou o Brasil rumo ao México.

Ele é o primeiro estudante de Laranjeiras do Sul contemplado por um programa de intercâmbio do Rotary Internacional e fez a viagem com todas as despesas pagas, após disputar a vaga com centenas de alunos do distrito 4640, do Rotary Clube, que contempla 110 municípios do Paraná.

Ele voltou ao Brasil recentemente, após ter o voo desmarcado três vezes por conta da pandemia.

Dirceu Junior conversou com o Correio do Povo para contar como foi a experiência dele no país da América do Norte. Confira os principais tópicos da entrevista:


Jornal Correio do Povo do Paraná (JCPP): Como foi sua experiência como intercambista no México?

Dirceu: O intercâmbio é uma experiência incrível. Fui pra conhecer uma nova cultura na prática, mas também acabei fazendo muitos amigos, conheci intercambistas de outras partes do mundo que estavam na mesma missão que eu. Com a família anfitriã acabei por estabelecer realmente laços de família, provei comidas que são bem diferentes, conheci vários outros lugares. Realmente tudo aquilo que está englobado no conceito de cultura. Voltei com bastante conhecimento na mala, até mesmo com outra visão de mundo.

 

JCPP: Como foi a adaptção à cultura, alimentação e ao clima no país norte-americano?

Dirceu: A gente vai pra fazer intercâmbio muito ansioso, bastante curioso sobre o que está por vir. Então, isso acaba acontecendo às vezes não tão natural, mas a gente não acaba percebendo.

A alimentação eu tinha bastante dificuldades porque minha família almoçava as três refeições, eles tomavam café bem cedinho, às 7 horas, almoçavam às 15 horas e jantavam, só.

E essas refeições eram bem carregadas. O prato era bem cheio. Tive bastante dificuldade nos primeiros meses, demorei pra me adaptar.

O clima era bem quente e úmido, era uma cidade no litoral. Lá o verão fazia 31º durante à noite, então foi algo que, por mais que me adaptasse, era algo era bem cansativo, pois quando estava voltando da escola beirava os 40ºC.


JCPP: O que você mais gostou? E o que nem tanto?

Dirceu: Ah, o que eu mais gostei sem dúvidas foram as viagens. Uma por exemplo que a gente fez no centro do país, no local onde as pessoas que encabeçaram a independência do México estiveram durante esse processo. Ficamos 15 dias em 64 intercambistas viajando, conhecendo novas cidades, novos lugares, monumentos históricos, provando novas comidas e conhecendo outras pessoas. E ali eu me senti a todo o momento um intercambista.

Em Monterrey, no norte do México, fui numa conferência e lá tinham 200 intercambistas. Eram esses momentos que a gente queria que cada segundo durasse mais.

E o que eu não gostei tanto é o fato do intercâmbio ter sido interrompido pela pandemia, mas é algo que a gente entende, porque não é algo que nós controlamos e que o tempo que pude aproveitar já foi muito gratificante.


JCPP: O que mais sentiu falta do Brasil?

Dirceu: A família. Desde pequenininho sempre estive com eles. Nunca fiquei tanto tempo longe e nem numa distância tão grande. Também da comida porque é algo que está no nosso dia a dia, faz parte da nossa cultura.


JCPP: O que mais estranhou quando chegou de volta ao Brasil?

Dirceu: A diferença de clima. Eu saí do hemisfério norte no verão que fazia 31º à noite e quando cheguei estava 9º, em pleno inverno. Então, isso foi uma diferença bem forte.


JCPP: Do que está sentindo falta do México?

Dirceu: Sinto falta da comida, da família, sobretudo porque no México, cada celebração tem uma comida típica.

Aquela experiência de você conhecer aquela tradição, cada emoção diferente de certa forma fica marcada pelo sabor.

A família anfitriã também porque eles me receberam como com muito carinho. Tratavam-me como se eu realmente fosse um filho deles. E também do contato que eu tinha com os outros intercambistas, a minha cidade tinha outros três intercambistas, então a gente saia juntos. Estávamos vivendo a mesma experiência, na mesma missão, então a gente cria um laço bem forte.


JCPP: E agora, o que pretende fazer? Vai terminar o ensino médio? Pretende logo começar uma graduação? Em qual área?

Dirceu: Agora eu voltei pra escola do ponto que eu parei, então concluo o 2º semestre do 2º ano e ano que vem eu faço o 3º ano do ensino médio.

Pretendo logo começar a faculdade. Quanto ao curso, é uma decisão muito difícil, mas eu tenho quase certeza que quero fazer medicina. Também agora com uma mente muito mais aberta, pode ser que haja novas oportunidades e saia tudo bem diferente do esperado, assim como foi com o intercâmbio.