Maternidade pela quarta vez e quatro gerações de mães em uma família

Especial do Dia das Mães reúne os desafios vividos por Elize com a chegada da pequena Mirella e relatos de tataravó, bisavó, avó e mãe sobre quase um século de maternidade

Especial Dia das Mães: Elize e a maternidade com quatro filhos
Moradora de Laranjeiras do Sul e mãe novamente há quase uma semana, Elize Chiele da Silva fala sobre maternidade, fé, rotina e os desafios da nobre missão materna

Na casa de Elize Chiele da Silva, o silêncio quase não existe. Entre choros de bebê, conversas, brinquedos espalhados pela sala e o som do violão tocado em família durante a noite, a rotina ganhou ainda mais movimento nos últimos dias. Há apenas uma semana, ela deu à luz Mirella, a quarta filha do casamento com o esposo Ademilson Moraes, o vice-prefeito de Laranjeiras ‘Bico’. Em meio à adaptação da nova fase, Elize fala sobre maternidade, perdas, fé e o cotidiano de uma família grande em Laranjeiras do Sul.

Queremos educá-los para o céu, ensinando que com Deus alcançaremos tudo e que sem Deus nada podemos fazer. Primeiramente buscando ser exemplo diário para que eles possam nos copiar, essa é o maior desafio na verdade. Precisamos nos reeducar todos os dias um pouquinho, pois temos 4 pessoinhas que estão nos imitando.

– Elize Chiele da Silva

Casada desde 2012, ela lembra que o casal começou a vida juntos muito jovem. “Nós casamos cedo após 4 anos de namoro, eu com 20 anos e o Bico com 23 e ainda tínhamos muita coisa para aprender”, afirma. “Hoje vejo que Deus conduziu nossa história mesmo quando faltava maturidade”.
Na época, a ideia de formar uma família numerosa ainda não fazia parte dos planos. Segundo Elize, os filhos vieram de forma natural, conforme a vida acontecia. O primeiro nasceu pouco tempo depois do casamento. Gustavo José, hoje com 13 anos, chegou em meio às descobertas da maternidade e também a um episódio difícil.
Elize relata que sofreu violência obstétrica durante o parto do menino. A experiência traumática fez com que ela se fechasse para uma nova gravidez durante quase uma década. “Foi um parto muito difícil e que me marcou profundamente”, conta. “Eu tinha medo de passar por tudo aquilo outra vez”.

Recomeço após o medo
Durante os anos seguintes, Elize e o marido passaram a participar de encontros religiosos e atuar na catequese matrimonial. Segundo ela, foi nesse período que os dois começaram a enxergar a maternidade de outra forma.“Aprendemos muito sobre família e sobre confiar mais em Deus”, diz. “Aos poucos fomos abrindo o coração novamente”.O desejo antigo de ter uma menina acabou se realizando em 2021, com o nascimento de Melina, hoje com quatro anos. Desta vez, Elize buscou mais informação, acompanhamento e apoio especializado para viver uma gestação diferente da primeira.Ela lembra da importância do trabalho da doula e da equipe médica durante o pré natal. O parto natural da filha trouxe uma experiência oposta àquela vivida anos antes com Gustavo.“Foi um parto respeitoso e cheio de acolhimento”, afirma. “Eu consegui viver aquele momento com tranquilidade e segurança”.Depois de Melina, a família enfrentou três perdas gestacionais. Sem um diagnóstico fechado, Elize diz que encontrou força na fé para seguir em frente. “Nós sofremos muito com cada perda”, relata. “Mas nunca deixamos de acreditar que Deus estava cuidando da nossa família”.Em 2024 nasceu Antonella, chamada pela mãe de ‘bebê arco íris’. Pouco tempo depois veio uma nova surpresa: outra gravidez. Mirella nasceu há menos de 10 dias e transformou novamente a rotina da casa.

A chegada de Mirella
Durante a gestação de Antonella, Elize precisou fazer uso diário de medicação anticoagulante após suspeita de trombofilia. Já na gravidez mais recente, após avaliação médica, passou a utilizar apenas um medicamento oral preventivo.Ela afirma que a decisão foi tomada com acompanhamento profissional e muita oração. “Eu senti paz no coração durante toda a gestação”, conta. “Parecia que Deus estava dizendo que tudo ficaria bem”.O parto de Mirella aconteceu com 39 semanas e cinco dias, após dias de contrações e espera. Elize descreve o nascimento da filha como um momento de aprendizado.“Foi uma gravidez que me ensinou a ter paciência”, afirma. “Eu aprendi que nem tudo acontece no nosso tempo”.Segundo ela, a chegada da bebê também reforçou a importância de confiar mais e tentar controlar menos a vida cotidiana.Anova integrante da família rapidamente ganhou atenção dos irmãos. Melina, segundo a mãe, é quem mais demonstra entusiasmo com a presença da caçula.“A Mirella recebe beijo o dia inteiro”, brinca. “As meninas ficaram encantadas com a irmãzinha”.

Rotina organizada
Com quatro crianças em casa, Elize afirma que a organização se tornou indispensável. Os horários das refeições, do banho e do sono são seguidos de forma rígida para evitar confusão na rotina.“Quanto mais filhos, mais importante é ter rotina”, explica. “Isso deixa tudo mais leve dentro de casa”.Ela conta que os filhos mais velhos também passaram a desenvolver mais autonomia com o tempo. Enquanto o bebê exige atenção constante, Gustavo ajuda em pequenas tarefas e acompanha as irmãs.As noites costumam reunir toda a família em momentos simples. O marido e o filho tocam violão enquanto as meninas cantam e dançam pela casa. “Sai muitas modas boas e as meninas adoram”. Para Elize, esses instantes ajudam a fortalecer os vínculos familiares.Outra tradição mantida por ela é preparar os bolos de aniversário de todos os filhos, dia tido como muito especial naquele lar. Mesmo com a correria, faz questão de produzir cada detalhe das comemorações.“Celebrar a vida sempre foi muito importante para nós”, afirma.

Educar pelo exemplo
Ao falar sobre educação dos filhos, Elize afirma que ela e o marido tentam transmitir valores ligados à fé, ao respeito e à convivência familiar. Segundo ela, a criação começa pelo exemplo diário dos pais.Ela conta que ainda está aprendendo a lidar com as diferenças de personalidade entre os filhos. Gustavo é detalhista, cheio de energia. Gosto principalmente do quanto ele gosta de conversar. Já Melina herdou o temperamento forte da mãe.“Cada filho exige um jeito diferente de educar”, afirma. “É um aprendizado diário para nós. Cada filho vem para nós lapidar mais ainda”.Para Elize, a maternidade mudou completamente sua forma de enxergar a vida. Ela diz que se tornou menos impulsiva, mais paciente e mais focada na família.“Muitas coisas que antes pareciam importantes hoje perderam espaço”, relata. “Minha prioridade é cuidar da minha casa e dos meus filhos”.Mesmo diante da rotina intensa, das noites mal dormidas e das preocupações comuns da maternidade, ela resume o sentimento de forma simples.“Ser mãe é descobrir forças que eu nem sabia que existiam”, afirma. “É sentir medo, força, culpa, orgulho e ternura tudo no mesmo dia. E ser imensamente feliz e realizada assim”, conclui.

Quatro mulheres, quase um século de maternidade dentro da mesma casa

Entrevista exclusiva reúne tataravó, bisavó, avó e a mãe mais jovem em relatos sobre criação dos filhos, fé, mudanças e legado familiar

O tempo costuma deixar marcas silenciosas. Algumas aparecem nos retratos antigos guardados em gavetas, outras vivem nas receitas de família, nos almoços de domingo ou nas histórias repetidas em volta da mesa. Mas existem marcas ainda mais profundas: aquelas transmitidas de mãe para filha, atravessando gerações inteiras sem perder o significado.

Tenho orgulho da família que construímos, porque ela foi levantada com muito trabalho, união e principalmente com fé em Deus

 – Maria de Lourdes Franco Czapiewski

Tataravó

Neste Dia das Mães, a trajetória de quatro gerações de mulheres da mesma família revela como o amor materno consegue permanecer forte mesmo diante das mudanças do mundo. Entre memórias de dificuldades, ensinamentos de fé e novas formas de viver a maternidade, a história conecta a tataravó Maria de Lourdes Franco Czapiewski, a bisavó Joilce Chapievski de Paula, a avó Vivian de Paula Oro e a mãe mais jovem da família, Isadora Jeanine de Paulo Oro, que iniciou um novo capítulo dessa herança afetiva.

Mais do que uma sequência de gerações, elas representam diferentes épocas do Brasil, diferentes formas de criar os filhos e diferentes desafios enfrentados pelas mulheres ao longo das décadas. Ainda assim, existe algo que permanece intacto: a dedicação silenciosa de quem constrói uma família através do cuidado diário.

A força de uma geração

Ao olhar para os filhos, netos, bisnetos e tataranetos reunidos, Maria de Lourdes resume o sentimento em uma única palavra: gratidão.

A tataravó, que criou sete filhos em uma época marcada por dificuldades financeiras e muito trabalho, relembra uma maternidade construída na resistência. Em tempos sem facilidades, ela diz que foi necessário abrir mão dos próprios desejos para garantir o sustento e a educação da família. “Foi uma vida de muita luta, muito trabalho e muito sacrifício. Muitas vezes precisei abrir mão das minhas vontades para colocar as necessidades deles em primeiro lugar”, recorda.

As lembranças carregam o peso de uma geração em que o cotidiano era definido pelo esforço contínuo. Trabalhar de sol a sol fazia parte da rotina, assim como ensinar os filhos pelo exemplo dentro de casa. Entre limitações e dificuldades, a fé se tornou o principal alicerce da família.

Maria de Lourdes afirma que sempre encontrou força em Deus para seguir em frente nos momentos mais difíceis. Para ela, o maior ensinamento transmitido às próximas gerações foi justamente manter Jesus no centro da família. “O amor de mãe é cuidar, proteger, orientar e nunca deixar de orar pelos filhos”, afirma.

Hoje, ao observar a continuidade da família construída ao longo de décadas, ela vê nas novas gerações a recompensa de todos os sacrifícios feitos no passado.

“Todo sofrimento valeu a pena. Tenho orgulho da família que construímos, porque ela foi levantada com muito trabalho, união e fé em Deus”, conclui.

O amor silencioso

Na geração seguinte, Joilce enxerga a maternidade como uma experiência marcada pelos pequenos gestos e pela força silenciosa das mães dentro da família.

Mais reservada, ela admite certa timidez ao falar sobre si mesma, mas relata que se emociona ao acompanhar o crescimento da família e o surgimento de novas mães. “Ver a família crescendo é como ver a vida se renovando”, diz.

As lembranças mais marcantes da maternidade ainda permanecem ligadas aos primeiros momentos ao lado das filhas. Joilce define o primeiro abraço como uma memória sagrada, guardada até hoje como um dos sentimentos mais importantes da sua vida.

Foi através da maternidade, segundo ela, que surgiu a compreensão mais profunda sobre amor e família. Um amor que nem sempre aparece em palavras, mas que se manifesta no cuidado diário, na preocupação constante e na disposição de encontrar forças mesmo nos momentos difíceis. “Ser mãe me ensinou que a gente tira força de onde nem imagina, apenas para ver quem amamos seguir o caminho do bem”, conclui.

O cuidado de mãe na nova geração

Para Vivian, viver a maternidade hoje significa ocupar dois lugares ao mesmo tempo: continuar sendo mãe enquanto acompanha o nascimento de uma nova geração dentro da própria família.

Ela descreve a experiência como um processo emocionante, capaz de misturar sentimentos de nostalgia, gratidão e continuidade. “Agora também vejo uma nova geração que chegou e isso mexe muito com o meu coração”, conta.

Segundo ela, acompanhar o crescimento dos filhos e, ao mesmo tempo, ver uma neta chegando faz com que o tempo seja percebido de outra forma. Mais do que envelhecer, ela diz enxergar a permanência dos ensinamentos transmitidos ao longo dos anos. “A gente entende que todo amor, cuidado e ensinamento continuam através dos filhos.”

Mesmo reconhecendo as mudanças entre as gerações, Vivian afirma que muitos dos valores ensinados por sua mãe permanecem vivos na forma como ela própria construiu sua maternidade. “Repito muitos ensinamentos da minha mãe, principalmente sobre valores, respeito, fé em Deus e cuidado com a família.”

Ao mesmo tempo, ela acredita que cada geração encontra novas maneiras de exercer o papel materno. Para ela, as mães atuais vivem uma realidade mais acelerada, cercada por excesso de informações, cobranças e comparações constantes. “Hoje existe muita informação, muita cobrança e comparação também”, observa.

Ainda assim, Vivian acredita que as mães contemporâneas também conquistaram mais espaço para o diálogo emocional com os filhos, algo que considera positivo na criação atual.

O início de um novo ciclo

Na geração mais jovem da família, Isadora vive agora os primeiros capítulos de uma maternidade ainda recente, mas já profundamente transformadora. Mãe da pequena Evangeline, ela descreve a chegada da filha como um divisor absoluto em sua vida. “Ter engravidado da Evangeline dividiu mesmo a minha vida em antes e depois”, conta.

A maternidade, segundo ela, mudou completamente sua rotina, sua forma de enxergar o mundo e até mesmo sua percepção sobre si mesma. Isadora fala sobre uma entrega silenciosa, diária e constante, um processo de amadurecimento emocional que surgiu junto com o nascimento da filha. “Existe uma entrega sacrificial e silenciosa em querer ser uma boa mãe e uma mãe presente”, afirma.

Para ela, o amor despertado pela maternidade também trouxe uma busca pessoal mais profunda, marcada pelo desejo de enfrentar os próprios medos e limitações para ensinar segurança, fé e acolhimento à filha. “Esse amor que Deus despertou no meu coração foi a chave pra eu me tornar uma pessoa melhor”, diz.

Ao olhar para as mulheres que vieram antes dela, Isadora encontra um sentimento de pertencimento que ajuda a definir a própria identidade. A convivência entre diferentes gerações faz com que ela reconheça na história da família uma herança construída por mulheres fortes e resilientes. “Olhar para minhas raízes e me orgulhar tanto de tantas mulheres incríveis e que deixaram tanto delas em mim, isso dá sentido à minha vida.”

Mesmo iniciando sua caminhada como mãe, Isadora já pensa sobre o legado que deseja deixar para Evangeline. Mais do que buscar perfeição, ela espera ser lembrada pela disposição de evoluir, aprender e transformar a própria história. “Sonho em ser a mãe que teve disposição pra fazer tudo diferente, tudo mudar e tudo melhorar”, conclui.

O que permanece em todas as gerações

Apesar das diferenças de tempo, costumes e desafios, existe um elo além do sangue, que conecta todas essas mulheres: a compreensão de que ser mãe vai além da criação dos filhos. É um processo contínuo de entrega, aprendizado e construção de vínculos.

Nas falas das quatro gerações, palavras como fé, amor, cuidado e união aparecem repetidamente, como se fossem uma herança passada de mãe para filha ao longo dos anos.

Em um mundo onde a maternidade mudou de forma, ritmo e linguagem, histórias como a dessa família mostram que algumas coisas continuam atravessando o tempo intactas. O amor de mãe talvez seja uma delas.