Professores da UFFS publicam artigo sobre covid-19 e a produção de alimentos

Visando contextualizar a atual situação da pandemia da Covid-19 e seus impactos na área de alimentos, professores dos cursos de

Visando contextualizar a atual situação da pandemia da Covid-19 e seus impactos na área de alimentos, professores dos cursos de graduação em Engenharia de Alimentos e do mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) – Campus Laranjeiras do Sul – publicaram um artigo que aborda a covid-19 e a produção de alimentos, reação à pandemia e perspectivas para o futuro.

O estudo

A publicação, realizada em maio de 2021 na Revista Brasileira de Agrotecnologia (REBRAGO), é de autoria dos docentes Eduarda Molardi Bainy, Catia Tavares dos Passos Francisco, Leda Battestin Quast e Gustavo Henrique Fidelis dos Santos e apresenta também contribuições e depoimentos de profissionais da área, sobre as soluções e alternativas, com foco na segurança de alimentos e na legislação da área.

Conforme a publicação, não há evidência científica que o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19, seja transmitido por alimentos. Entretanto, apesar da baixa probabilidade da superfície dos alimentos ou das embalagens serem veículos de contaminação, recomenda-se a higienização das embalagens e das mãos, após o manuseio, dentre outras ações preventivas para reduzir os riscos de contaminação.

O artigo destaca que as atividades do segmento alimentício são consideradas prioritárias, pois garantem o abastecimento de alimentos e auxiliam na regulação dos estoques e preços, o que, em última instância, assegura a soberania alimentar de diversos países. Esse segmento não parou e enfrentou um grande desafio desde o momento da descoberta da circulação do vírus no território nacional, pois não se tinha muito conhecimento a respeito da doença e da sua disseminação.

Visando minimizar os riscos de contaminação, as indústrias de alimentos e os serviços de alimentação intensificaram o foco na segurança de alimentos e em boas práticas de fabricação, inclusive realizando o monitoramento da saúde dos colaboradores, capacitação, higiene pessoal e das superfícies e o uso de equipamentos de proteção individuais, como máscara e protetor facial.

Para nortear os estabelecimentos da área de alimentos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou orientações para seguirem durante a pandemia da covid-19, dentre elas o uso de luvas e máscaras, informações para produção segura de alimentos, orientações para o setor de serviços de alimentação (food service) com atendimento direto ao cliente, recomendações sobre uso de produtos para a desinfecção de objetos e superfícies e o estabelecimento de medidas para prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da covid-19 em abatedouros e indústrias de carnes e laticínios.

Tais medidas de prevenção da covid-19 foram estabelecidas para garantir a saúde e segurança dos colaboradores no local de trabalho, aumentar a segurança dos alimentos comercializados, além de atender os consumidores, que estão mais exigentes com a higiene e segurança dos alimentos tendo em vista que a pandemia trouxe novos hábitos e exige maior consciência sanitária.

Segundo consta no artigo: “durante a pandemia, ocorreram mudanças positivas na cultura de segurança de alimentos como o reforço na higiene pessoal, nas superfícies de trabalho e nos alimentos. Essas mudanças foram observadas tanto em estabelecimentos alimentícios como nos domicílios e devem permanecer no pós-pandemia, refletindo, provavelmente, na redução do número de doenças transmitidas por alimentos”.

Nesse sentido, os autores relatam que as empresas precisam compreender as mudanças comportamentais dos consumidores e informar com clareza as medidas preventivas que estão sendo tomadas nos estabelecimentos. Além disso, é importante que reavaliem o portfólio de produtos, busquem novas estratégias, reinventem-se, transformem-se digitalmente e estejam alinhadas a esse “novo normal” e, assim, consigam passar pela crise e prosperar nos próximos anos.

Os docentes afirmam que “a indústria terá que se adaptar às novas exigências de segurança de alimentos para atender ao mercado interno ou exportação, bem como preservar a saúde dos trabalhadores” e citam a importância de contratarem profissionais qualificados e investirem em tecnologia e inovação.

“Outra mudança significativa no cenário industrial é a indústria 4.0, que, simplificadamente, indica a crescente automação dos processos industriais, objetivando tornar os processos mais eficientes, otimizando tempo e recursos, menor erro e variabilidade no processo e, com isso, aumentando a segurança de alimentos”, comentam.

Por fim, os docentes relataram que, em 2020, foram observadas transformações positivas na cultura de segurança de alimentos e acredita-se que essas mudanças permanecerão no pós-pandemia, tanto nos estabelecimentos como nas residências, isso se deve “ao aumento da percepção de risco e compreensão do impacto que um organismo invisível a olho nu pode acarretar à vida das pessoas, das empresas e na economia global”.

O artigo completo está disponível para consulta na página da Revista Brasileira de Agrotecnologia (REBRAGO). Confira o vídeo da apresentação do artigo no I Congresso Brasileiro On-line de Ciência dos Alimentos.